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O C6 nunca se posicionou como uma startup. O que faz sentido. Pela experiência de seus fundadores, pela estrutura que ele criou logo de largada, e pelo fato de não ter nenhum fundo de venture capital bancando a empreitada, o rótulo não cola muito.

 

C6
Fonte: XP

 

Na divulgação da rodada ontem, em nenhum momento o banco usou a palavra unicórnio. O rótulo foi colocado por quem leu o material de divulgação e viu no valor de R$ 11,3 bilhão escrito ali a senha para conversão em US$ 2 bilhões. Boo ya. Novo unicórnio!

Chamar empresas de unicórnios é uma narrativa sexy, uma história que deixa todo mundo animado. Mas usar a denominação só para ter mais um nome na lista e falar que o Brasil está bombando, não faz sentido. Por isso não vou chamar o C6 de unicórnio.

Outro ponto que chama a atenção. A captação de R$ 1,3 bilhão anunciada ontem – valor semelhante ao que Nubank e Neon captaram, com fundos de venture capital – teve um modelo de emissão de dívida conversível. Até aí, tudo bem. Esse é o formato do venture capital no Brasil. Mas quando a emissão está atrelada ao pagamento de juros de CDI, mais 6% ao ano, como o Startups tinha apurado, e o Brazil Journal descreveu brilhantemente (como sempre), a operação vira uma renda fixa.

“Oi família rica, quer investir em uma coisa da moda? Um banco digital, mas que é feito por gente experiente? E se não te atender, você ainda tem seu capital protegido. Que tal?”. Conta rápida: a captação feita pelo Credit Suisse com mais de 40 investidores privados – leia-se famílias e family offices – teve um tíquete médio de cerca de R$ 28 milhões.

Bancos digitais, ou neobanks, têm sido avaliados na faixa de US$ 500 a US$ 1 mil por cliente. No caso do C6, a conta fica na faixa mais baixa, cerca de US$ 513. Mas a referência não faria muito sentido diante da natureza da operação. “Não dá para falar que esse é um valuation certo quando a rodada é dívida, não equity. Como bom “banco” faz, está cheio de “asteriscos e pegadinhas”, cutucou o executivo de uma fintech.

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