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O mercado das healthtechs ainda é incipiente no Brasil em comparação com outros segmentos de startups como varejo e, principalmente, o financeiro. No entanto, já começou a impactar o ecossistema de inovação com soluções para melhorar os cuidados à saúde dentro e fora dos hospitais e atender às necessidades dos pacientes.

Impulsionadas pela pandemia, a quantidade de startups brasileiras da área de saúde cresceu 118% em apenas 2 anos, passando de 248 em 2018 para 542 em 2020, de acordo com o relatório “Distrito HealthTech Report 2020”. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), os gastos no setor da saúde já representam 10% do Produto Interno Bruto mundial. No Brasil, as despesas somaram R$ 608,3 bilhões em 2017 e, de acordo com o IBGE, representam 9,2% do PIB do país. 

A maturação dessas empresas, porém, leva tempo. Os negócios precisam ser cuidadosamente desenvolvidos, testados e regulamentados para prestar alguma espécie de atendimento médico e não prejudicar a população. “O conceito de fail fast (testar a solução o quanto antes para corrigir os erros e acertar mais rápido) é menos nocivo para uma fintech. Se o produto não dá certo, você soluciona o problema e avança. Pode perder dinheiro, mas ninguém morre por isso”, diz Marcos Olmos, diretor da Vox Capital, durante o evento “Einstein Frontiers”, do Hospital Israelita Albert Einstein.

No caso das healthtechs, isso é diferente: cometer algum erro trabalhando com saúde pode gerar impactos graves na vida dos pacientes. Com menos espaço para erros, o processo de pesquisa, desenvolvimento e validação dos serviços das empresas do setor acaba demorando mais do que em outras áreas.

Por terem uma curva de amadurecimento mais longa, a maior parte das healthtechs ainda está nos primeiros estágios de desenvolvimento. O Distrito calcula que metade das startups brasileiras de saúde têm menos de 5 anos de operação: a maioria (50,8%) surgiu entre 2016 e 2020, e apenas 34% entre 2011 e 2015.

“Com as fintechs é diferente. Muitas que viraram unicórnio nos últimos anos foram fundadas entre 2012 e 2014. Healthsão recentes e ainda estão no início desse processo”, diz Daniel Ibri, fundador e sócio-diretor da Mindset Ventures, durante o evento do Einstein. Isso explica porque a maioria dos investimentos feitos nessas empresas acontece no estágio seed.

As líderes do mercado de venture capital são as fintechs, que vencem todos os outros segmentos em quantidade de empresas, número de rodadas e volume movimentado. Já são mais de 740 startups desse tipo, segundo o “Distrito Fintech Report 2020”. Em outubro de 2021, a categoria recebeu quase US$ 3.200 milhões, em 137 operações.

“Normalmente, as empresas que crescem mais rápido são B2C. Mas no setor da saúde, esse não é um movimento tão óbvio”, considera Rodrigo Baer, sócio do SoftBank, que também participou do painel. Um exemplo é a Alice, healthtech com a proposta de atenção primária a seus pacientes, acompanhados de médicas, enfermeiras, nutricionistas e preparadores físicos – lançada em meados do ano passado. “As demandas do B2C existem há anos, mas o modelo está começando a ser explorado agora, conforme as empresas se aventuram em setores mais complexos”, diz o executivo.

Por esses motivos, a comparação com as fintechs não precisa desestimular os players da área da saúde, sejam eles empreendedores ou investidores. A área de Drug Discovery, por exemplo, dedicada à descoberta de novos medicamentos, foi mundialmente alavancada pela pandemia, e surge como um caminho promissor para quem quer se aventurar no ramo. Até a Alphabet, dona do Google, criou uma empresa nessa área, a Isomorphic Laboratories.

A expectativa é que o setor atraia cada vez mais dinheiro e atenção do mercado, conforme as empresas avançam em suas jornadas de aprendizagem e maturação.

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