Mentoria | Foto: Canva
Mentoria | Foto: Canva

*Por Ivan Mendes, diretor de Inovação da Algar e presidente do Brain

No mundo do empreendedorismo, a corrida por capital parece ser a única maratona que importa. Mas vou contar um segredo que planilhas de valuation não mostram: uma ideia genial sem a orientação certa tem tudo para virar estatística. Paixão é o motor de uma startup, sem dúvida. Mas a mentoria é o mapa que recalcula a rota e guia o empreendedor por um terreno cheio de buracos.

O fato é que empreender pode ser uma jornada bem solitária. É aí que o mentor entra, não como um mero conselheiro, mas como um copiloto estratégico. Pude ver isso de perto em projetos como o Anzol de Ouro, uma parceria da FCJ Group com o Shark Tank Brasil. O que vemos ali é o retrato do mercado: talento e boas ideias sobram, mas a capacidade de transformar isso em um negócio de pé é o que separa os sonhadores dos realizadores.

Então, qual é o papel da mentoria na prática? Dar um choque de realidade (calculado) é a primeira etapa. Isso porque o empreendedor está apaixonado pela sua solução. Já o mentor, que já viu esse filme antes, chega para fazer as perguntas difíceis: “Qual problema real você está resolvendo? Seu modelo de negócio é sustentável? Alguém pagaria por isso?”. O objetivo não é desmotivar, mas fortalecer a base do negócio antes que seja tarde demais.

Injetar foco e cortar o ruído também é uma estratégia indispensável. Vale reforçar que o universo das startups é um mar de possibilidades, e a tentação de querer abraçar o mundo é enorme. Uma boa mentoria ajuda a priorizar o que realmente gera valor, evitando que tempo e dinheiro — os recursos mais escassos de um novo negócio — sejam queimados em desvios desnecessários.

Outro aspecto do mentor é se apresentar como um ponto de equilíbrio, visto que uma startup vive de altos e baixos. Assim, ele é aquele pilar de suporte nos momentos de crise, oferecendo perspectiva quando a pressão parece insuportável. É sobre desenvolver a resiliência e a inteligência emocional que transformam um fundador talentoso em um líder de verdade.

O mentor é, ainda, o grande responsável por abrir portas – e encurtar caminhos. Uma vez que nenhum negócio cresce de maneira isolada, além de compartilhar conhecimento, a mentoria também contribui para abrir uma rede de contatos. Acesso a parceiros, investidores e clientes é um capital social que acelera brutalmente a curva de aprendizado e o tempo de chegada ao mercado.

E o futuro? A mentoria também está se reinventando

A tecnologia está entrando em campo. Já vemos plataformas que usam dados e IA para conectar empreendedores aos conselheiros certos, quebrando barreiras geográficas. O objetivo é democratizar o acesso à mentoria e ao conhecimento estratégico, permitindo que mais talentos, não importa de onde venham, possam construir negócios de impacto.

No fim, essa relação é uma via de mão dupla. Para nós, mentores, é uma chance incrível de nos conectarmos com o novo, sermos desafiados e ajudarmos a fortalecer o ecossistema de inovação brasileiro. A jornada empreendedora sempre será difícil, mas ter ao lado alguém que já conhece o mapa transforma incertezas em estratégia e potencial em resultado. E esse é um investimento com um retorno que nenhuma planilha consegue calcular.