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*Diogo Catão é presidente da Dome Ventures

A BrazilLAB estima que existam 80 startups que se destacam no segmento de govtechs atualmente. Em linhas gerais, esse setor é muito perene, a arrecadação não diminuiu o valor dos impostos. As instituições públicas, prefeituras e governos estaduais estão menos propícias ao impacto econômico, pois ainda vemos empresas privadas quebrando, mas elas continuam se mantendo e, inclusive, crescendo a demanda de soluções govtech no país.  

A questão é que cada vez mais encontramos tendências. Um governo mais aberto se incorporando ao digital, mais transparente com o cidadão. Além disso, as cidades estão buscando mais conectividade, a fim de proverem melhores soluções e agilidade de serviços à população.  

Para acompanhar esse movimento será necessário mão de obra qualificada, e por vezes ela é escassa dentro do poder público. Por isso, muitas instituições públicas estão, cada vez mais, buscando a descentralização da governança, com participação mais ativas das startups. Assim, podemos perceber uma grande oportunidade de investir em uma govtech, e possibilitar o surgimento de novo negócios. 

No entanto, como nem tudo são flores, existem riscos nessa seara. Muitos deles são inerentes ao próprio negócio, e no caso das startups, tem a questão do modelo do segmento, precificação, gastos e se ela atingiu o ponto de equilíbrio. Somados a esses riscos, as govtechs têm uma questão de burocracia maior quando falamos do setor governamental, em se tratando da formalidade, além de o medo de se associar a um órgão público ou ser taxado de corrupto. A boa notícia é que existem diversas formas de mitigar esse risco, pois muitos deles são inerentes à jornada de qualquer startup. 

Evitando o pior cenário

Uma startup govtech tem que ter todos os cuidados que uma tradicional, por assim dizer. Precisa estar bem financeiramente falando, administrar o quanto se está gastando mensalmente, faturando com estrutura, despesas, etc. Tudo isso é intrínseco a qualquer modelo seguido.  

Ainda quando se fala em govtech, basicamente só o cliente muda, e ele é o governo, que se trata de prefeituras, Câmaras Municipais e tudo mais. Esse tipo de contrato se dá por análise técnica que vai estar escrita no escopo do termo de referência dos processos licitatórios, então o respaldo é puramente técnico: capacidade de entrega, prazo de entrega dentro do período acordado, entre outros. Mas não se deve ter a mentalidade de buscar uma prefeitura/estado para evitar a quebra simplesmente, e sim para prover soluções.   

Do contrário do que se imagina, por estarem ligadas ao poder público, as govtechs têm o mesmo risco que as demais. O Life Time Value (LTV), por exemplo, é um indicador muito importante para uma startup, que se refere a quanto ela capta recursos dentro de uma base de clientes ao longo de um período. A relação dos Custos de Aquisição de Cliente com o LTV no cenário govtech é muito positiva, comparada a um B2B, ou a um B2C. Porém, poderia correr o risco se, eventualmente, ela saísse um pouco da linha das boas práticas de mercado de compliance. Mas se fizer tudo como manda o script a tendência é dar certo.  

Por isso, o cuidado financeiro, a atenção com a equipe e o fato de prover uma solução para um déficit significativo de alguma instituição pública, sempre buscando a escalabilidade, são fatores-chaves de sucesso para manter a saúde da startup e prosperar.  

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