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* Marina Ratton é fundadora e CEO da Feel

Novembro foi o Mês Internacional do Empreendedorismo Feminino. A sazonalidade é uma iniciativa das Nações Unidas, em parceria com diversas instituições globais de incentivo às mulheres que criam e comandam seus próprios negócios, fazendo parte de uma campanha mundial contra a desigualdade de gênero que ainda impera no mercado de trabalho.

Apesar dos desafios, para uma mulher com veia empreendedora não há nada mais gratificante do que criar e fazer crescer um negócio. Ainda mais quando ele pode ajudar a melhorar a vida de outras mulheres, contribuindo para aumentar seu bem-estar, saúde e prazer. E, nesse sentido, as femtechs fundadas e dirigidas por mulheres já demonstram que podem cumprir um importante papel.

Hoje, essas empresas – que usam a tecnologia e a inovação na criação de produtos e serviços voltados ao público feminino – oferecem de lubrificantes e óleos vegetais para a região íntima a coletores menstruais recicláveis, além de soluções para fertilidade e acompanhamento do ciclo menstrual, tornando-se fortes aliadas daquela mulher que busca viver com mais liberdade, que encara desafios e quer estar no controle de seus próprios passos.

No comando de muitas femtechs estão empreendedoras que, antes de serem empresárias, são ativistas. Que trabalharam arduamente para desenvolver soluções a partir de questionamentos que elas mesmas tiveram enquanto esposa, profissional e mãe. Antes de comemorar o sucesso, essas mulheres sentiram na pele as próprias dores e transformaram tudo isso em mudança, muitas vezes desmistificando tabus e quebrando barreiras. Precisaram colocar suas ‘armas’ femininas – útero, ovários e tudo mais – na mesa para que pudessem fomentar, inspirar e liderar um espaço que, até então, nunca havia sido ocupado por mulheres. Acima de tudo, elas são sobreviventes em um mercado especialmente machista: atualmente, apenas 4,7% das empresas de tecnologia são fundadas exclusivamente por mulheres, que ainda encontram grandes dificuldades para captar investimentos e tirar suas ideias do papel.

Participação tímida

As empresas de tecnologia que atendem às necessidades específicas de saúde e bem-estar do público feminino compõem, hoje, uma parcela mínima do mercado de healthtechs, representando apenas 3% do total de investimentos em digital health nos EUA em 2011, de acordo com levantamento da Rock Health. Esse dado vai na contramão do potencial de mercado mundial das femtechs, estimado em U$ 50 bilhões até 2025, e do crescimento do público alvo desse mercado, que atualmente representa 50% da população global.

Sendo assim, se quiserem ganhar força e transpor as barreiras que ainda imperam no mundo das empresas de tecnologia e inovação, é urgente que essas empreendedoras se unam. Criem um movimento de mulheres pelo bem-estar feminino, pautado na colaboração e no respeito mútuo e que se transforme em um poderoso espaço para a troca segura e confiável de experiências – no qual, vale ressaltar, a exposição das vulnerabilidades inerentes aos seus negócios seja sempre muito bem-vinda.

Com seus produtos e serviços inovadores, as femtechs surgiram com o propósito de revolucionar e dar nova perspectiva à forma como as mulheres encaram a si mesmas. Para que possam prosperar, é necessário que aquelas que hoje estão à frente desses negócios comecem, juntas, uma revolução!

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