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Artigo: O impacto das crises sanitária e econômica para as startups

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* Denny Mews é fundador e CEO da CargOn

Estávamos esperando a pandemia diminuir para voltar a negociar. Finalmente, com a vacinação e os bons resultados alcançados com os imunizantes, pudemos nos encontrar e fazer a economia, novamente, voltar a crescer de forma sustentável.

Mas não foi isso o que aconteceu. Nem bem passou a crise sanitária e fomos impactados por uma violenta crise econômica, decorrente da guerra no leste europeu, que na minha visão trará consequências piores em nível global. Com a pandemia, o dinheiro ainda estava circulando, só as pessoas não.

Tínhamos uma noção de encerramento e, mesmo sem a vacina, os negócios fluíram bem, na medida do possível. Mas, com a chegada da guerra veio também a incerteza sobre os commodities, aumento de juros por todo o mundo, além dos resultados aquém do esperado das bigtechs (grandes da tecnologia), dando a impressão que o dinheiro “sumiu”.

No ano passado, a indústria de startups injetou US$ 9,4 bilhões no país, segundo a plataforma de análise Distrito. Neste ano, porém, com os bancos centrais no mundo deixando os estímulos dos últimos dois anos para conter o maior surto de inflação em quatro décadas, empreendedores estão tendo que moderar as ambições para preservar o caixa.

Isso porque a guerra na Ucrânia agravou os gargalos na economia mundial, atingindo insumos básicos, como energia, e provocando uma inflação ainda mais forte. Na falta de ações coordenadas de políticas econômicas, um problema que vem desde a pandemia, foi colocado sobre os ombros dos bancos centrais a missão de reduzir inflação, elevando juros. Também o aumento no número de casos de Covid-19 na China, que tem adotado constantes medidas de restrição em cidades importantes, tem gerado uma desaceleração da economia.

Da euforia para a prudência

Apesar deste cenário, analistas avaliam que a escalada de investimentos em inovação no Brasil é positiva por induzir maior competitividade e busca por eficiência em vários setores da economia, porém agora vão acontecer de forma mais diligente. O momento é de transição da euforia para mais prudência, tanto do empreendedor quanto dos investidores.

Ainda há dinheiro no mercado. O que está ocorrendo agora é somente uma acomodação na forma de investir esses recursos, já que os investidores estão mais seletivos e em busca de negócios que de fato sejam escaláveis. Eles precisam enxergar essa possibilidade de exponencialidade de forma mais concreta, o que tem muito a ver com a capacidade da startup de demonstrar todo seu potencial.

Para conseguir aportes neste momento será preciso ter um time consistente, que saiba apontar quais são os gatilhos que o negócio possui para “chegar lá”. Então a dica é: fique de olho em oportunidades para recrutar bons talentos que estão deixando as startups maiores.

Outro fator para seleção de investimento é que muitas promessas feitas pelas startups não se cumpriram, ou seja, sonharam grande demais. E aí vai a segunda dica: sonhe grande, mas sonhe dentro de uma realidade. Tenha as finanças da empresa em sua mão, busque negócios sustentáveis e o equilíbrio financeiro da sua empresa. Mesmo que isso diminua seu crescimento, porém, nesse momento, vai atrair mais os olhares dos investidores.

O fato é que a inovação se amplifica na crise. Então, com os pés no chão em termos de tamanho da rodada de investimentos e do valuation da startup, e com o foco na execução e no core do negócio, é possível, sim, continuar inovando e impulsionando o Brasil para ele se mantenha no ranking dos países mais empreendedores do mundo.

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