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* Rafaela Frankenthal é cofundadora da SafeSpace

Quando o assunto é assédio sexual, 2017 aparece como um divisor de águas. Foi nesse ano que o movimento #MeToo começou e viralizou primeiro nos Estados Unidos, para em seguida ser disseminado no mundo. O movimento é de autoria da ativista Tarana Burke, que após ouvir o relato de uma menina que sofria abusos sexuais por parte de um familiar decidiu partilhar publicamente a sua experiência pessoal, pois ela também fora vítima de abusos sexuais.

Mais tarde, a atriz Alyssa Milano impulsionou a campanha ao usar a hashtag para denunciar abusos cometidos pelo poderoso produtor de Hollywood Harvey Weinstein. Desde então, o movimento tem cumprido seu papel de chamar a atenção e conscientizar sobre a importância de relatar casos de assédio sexual no trabalho.

Nos últimos quatro anos, o #MeToo escancarou a proporção assustadora a que chegou a questão da agressão e do assédio sexual no mundo. Graças à hashtag, que proporcionou uma ação coletiva, milhares de pessoas  se manifestaram, o que gerou um impacto radical sobre a maneira como encaramos o problema.

As redes sociais têm ajudado a desmistificar o tabu que envolve denunciar um caso de assédio. Mas, deixando de lado a mobilização social, o que tem sido feito, após o movimento #MeToo, para tornar as empresas mais seguras para as mulheres e demais grupos sub-representados?

Enfrentamento do problema

Sem dúvida, a maioria das corporações não está mais trancando a questão em uma gaveta ou relegando-a ao arquivo morto. Mas ainda não há indícios claros de que as pessoas colaboradoras que denunciam casos de abuso estão sendo realmente ouvidas e que as empresas estão respondendo de forma adequada aos incidentes envolvendo casos de assédio.

Quatro anos após a #MeToo invadir o Twitter, uma pesquisa realizada pelo Norstat, um dos maiores institutos de pesquisa independentes da Europa, mostra que o “Eu Também” é declarado em voz alta por apenas metade dos trabalhadores. Para que essa porcentagem cresça, ainda é necessário que as empresas assumam, de forma plena, a responsabilidade pela segurança e o bem-estar de seus colaboradores.

Para isso, as  organizações precisam atualizar as suas políticas de compliance e oferecer aos colaboradores canais de escuta modernos, seguros, práticos e confiáveis, com os quais elas se sintam confortáveis em relatar casos sofridos por elas mesmas ou por terceiros. É necessário, também, criar estruturas para que esses relatos sejam apurados de forma rápida e isenta, garantindo sempre um retorno – positivo ou negativo – a todas as pessoas envolvidas.

As empresas precisam adotar uma abordagem mais proativa, em vez de reativa, para enfrentar esse problema estrutural. Graças ao #MeToo, a sociedade como um todo agora já tem uma visão real do tamanho e escala da questão da agressão e do assédio – o mundo corporativo agora precisa agir..

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