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Artigo: O papel dos jovens é despertar empatia e inconformismo e usá-los para mudar o mundo

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*Isabela Chusid é fundadora e presidente da Linus

Na última semana, tive o prazer de ser uma das representantes do Brasil na 6ª edição do Young Americas Forum, que aconteceu em Los Angeles. Para quem não conhece, eu explico: esse fórum é uma esfera da Cúpula das Américas, voltado exclusivamente para jovens lideranças do continente americano – como o próprio nome já entrega – e para a discussão dos 5 Cs de desenvolvimento da juventude: climate change (mudanças climáticas), conectividade e transformação digital, colaboração, Covid-19 e combate à corrupção.

Nos dias que precederam o evento, nomes de destaque foram selecionados para a sua abertura, como a vice-presidente estadunidense, Kamala Harris, e o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau. No final das contas, nenhum dos dois apareceu e quem acabou discursando foi o marido de Harris, Douglas Emhoff, que, por sinal, se demonstrou bastante contente e honrado pela participação. Segundo ele, esse espaço dentro da Cúpula é o seu favorito, por entender que é da cabeça dos jovens de hoje que saem as ideias que irão moldar o mundo nos próximos anos.

E é justamente isso que eu absorvi e internalizei do evento. Como bem disse a produtora brasileira Estela Renner no painel “O Poder dos Criadores na Mudança Climática”, as produções audiovisuais vão muito além do entretenimento. O território mais explorado e, ainda sim, abundante que existe é o da imaginação. E é a partir dela que nossa realidade é construída. Tudo que está à nossa volta, um dia, foi uma ideia.

A história de vida do Raull Santiago, que participou do mesmo painel que Estela, é um exemplo vivo disso: ele nasceu e cresceu no Complexo do Alemão e, por conta da ausência de investimento do poder público lá, aos 15 anos passou a coletar lixo reciclável nas ruas da favela. Ao perceber que a falta de reciclagem e do correto descarte de lixo eram fatores que agravam as enchentes e faziam as pessoas perderem, com frequência, o pouco que tinham, decidiu agir. Criou, para a comunidade que o acolheu, a realidade que ele imaginou e hoje, entre muitas coisas, ele é consultor da Ambev e integrante do Conselho Jovem do Pacto Global da ONU Brasil.

Por fim, quero trazer um conceito novo, que aprendi nesse mesmo painel – a chamada guerra de responsabilidade. Hoje em dia, existe uma guerra entre governos e grandes corporações para ver quem consegue se isentar da sua responsabilidade ambiental. E mais do que isso, o que ficou claro para mim, é que muitas vezes, escutar quem está puxando essa responsabilidade para si não é uma prioridade.

O papel dos jovens, hoje, não é o de pensar e construir uma realidade mais verde com a ajuda das nossas lideranças, mas sim, apesar delas. Em uma sociedade que vem sendo dessensibilizada há décadas, nossa responsabilidade é despertar a empatia e o inconformismo e usá-los para mudar o mundo. Sinto que estou fazendo a minha parte e tento trazer mais pessoas para o caminho do bem, um caminho que não compromete o percurso de quem está por vir. E você? Vamos juntos?

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