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Artigo: Por que seu próximo investimento deve ser em uma startup fundada por mulheres

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*Flávia Mello tem mais de 10 anos de experiência nas áreas de vendas e publicidade, trabalhou em empresas como Uber e Facebook, além de grandes agências de digital. É investidora e mentora de empresas fundadas por mulheres que estejam desenvolvendo soluções para equidade de gênero, entre elas: SafeSpace, Oya, HerMoney, Todas e The Feminist Tea. Apresentou por um ano o podcast Familia Feminista, disponível nas principais plataformas de streaming.

Estava na sala do Zoom assistindo ao pitch da Andrezza , fundadora da HerMoney, com outros também potenciais investidores, quando fui solicitada por um deles a explicar porque ele deveria acreditar no valuation que tinha sido apresentado. Ele entendia que a minha tese de investimento era “só” relacionada à propósito, mas caso eu tivesse alguma observação sobre os ganhos financeiros, ele gostaria de ouvir.

Mas deixa eu dar alguns passos atrás e contar umas coisas: não tenho nenhuma experiência no setor financeiro – sou publicitária e passei alguns anos na área de vendas em empresas de tecnologia. Quando sinalizei meu interesse em investir na primeira startup – e vou contar essa história mais à frente – nunca havia empreendido, nunca tinha avaliado nenhuma empresa, não conhecia nenhum termo como seed, venture capital etc. nem sabia que existia uma coisa chamada “tese de investimento”. Ou seja, caí como um anjo de paraquedas nessa história toda.

Em Dezembro de 2019, a Rafaela, fundadora da SafeSpace, me convidou para um almoço. Ela tinha identificado um problema grande e real: não existia no mercado uma solução eficiente e confiável para empresas mitigarem seus problemas com má conduta. Com a crescente relevância do tema para empresas por conta do risco de exposição de imagem e custos com turnover, era evidente a oportunidade para uma ferramenta que ajudasse a resolver esses problemas e aprimorar culturas corporativas. Os números que ela trazia eram agudos: 96% dos profissionais já vivenciaram episódios de má conduta no escritório e só 12% relataram o problema ao RH ou à gestão – segundo pesquisa da MindMiners.

“Rafa, se você topar me ensinar a ser investidora anjo, eu tô dentro”, respondi pra ela.

A história entre investir na SafeSpace e estar naquela sala de Zoom é um papo para outro dia. O que você precisa saber é que hoje eu tenho uma tese de investimento, validada pelo maridão economista, que não tem uma única frase dizendo: eu invisto em mulheres porque sou legal.

Estudo após estudo demonstra que, tanto entre as empresas de capital aberto quanto as privadas, aquelas que têm mulheres CEOs, CFOs e mais diversidade em seus comitês executivos superam as demais empresas onde esse tema é negligenciado.

Um estudo do BCG com mais de 350 startups descobriu que as startups fundadas por mulheres “geram receitas mais elevadas – mais do que o dobro por dólar investido – do que as fundadas por homens, tornando as empresas lideradas por mulheres melhores investimentos”. Empresas com diversidade não apenas enviam um sinal forte sobre valores para clientes e funcionários potenciais, mas também são 35% mais propensas a fornecer retornos financeiros maiores do que a média nacional, de acordo com a McKinsey.

Então, por que mais fundadoras do sexo feminino não são apoiadas por investidores em estágio inicial? A resposta simples: preconceito. Um artigo recente da Harvard Business Review resumiu vários estudos que confirmam que em todos os estágios do processo de captação existem avaliações e decisões tendenciosas contra as mulheres – desde as respostas iniciais de investidores anjos (ainda predominantemente homens) até a hora do pitch para fundos.

A minha resposta na reunião do primeiro parágrafo foi sobre a minha crença legítima no potencial da HerMoney, uma startup construindo soluções de gestão financeira de micro e pequenas empreendedoras – um “nicho” de mais de 6 milhões de mulheres no Brasil segundo o Sebrae. Poderia ter dito que a minha tese não era “só” por um propósito, ela é fundamentada no fato de que mulheres são líderes de negócio excepcionais e que são amplamente ignoradas pelo investidor tradicional. O propósito também está lá e ele existe porque genuinamente acredito que precisamos mudar esse cenário: mudaremos o futuro ao incluir essas líderes na rota do investimento de capital de risco.

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