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* Frederico Rizzo é presidente da Basement

“De repente, ficou claro para pessoas como eu, que sempre haviam assumido que trabalhariam por um salário pelo resto de suas vidas, que poderiam obter participação e serem donos mesmo que de pequena parte de uma empresa (…) isso foi uma grande revelação e uma grande motivação.”

As palavras acima são de Robert Noyce, cofundador da primeira startup do Vale do Silício – a Fairchild Semiconductor – sobre o surgimento das stock options, contratos em que trabalhadores têm a opção de adquirir ações de uma companhia por um preço pré-determinado. Esse mercado, que tem ganhado cada vez mais adeptos ao redor do mundo, se tornou febre entre as startups que, além de questionarem o status quo de muitos mercados, questionam também as relações trabalhistas.

As stock options são uma das formas mais conhecidas de recompensar e fidelizar os funcionários. São um tipo de Incentivo de Longo Prazo (ILP), que dá aos colaboradores a oportunidade de adquirir ações do negócio. Empresas como Stone, Nubank, Google, PagSeguro e Amazon utilizam esse modelo de incentivo, que teve início na metade do século XX, nos Estados Unidos e na Europa. No Brasil, o conceito chegou só na década de 90.

Dentre as vantagens, a principal é o fato de que o colaborador passa a se sentir parte da empresa, melhorando sua motivação e performance. Segundo dados de uma pesquisa desenvolvida pela Gallup Organization, colaboradores engajados possuem uma produtividade 22% maior.

Com ILPs implementados, quanto mais a empresa cresce, mais todo mundo ganha. A empresa potencializa o engajamento da equipe e o colaborador tem a possibilidade de enriquecer com o crescimento do negócio que ajudou a construir. Só para você ter ideia, as stock options representam de 6% a 10% do cap table dos unicórnios latino-americanos, indicando que cada vez mais colaboradores têm ficado milionários por conta desses incentivos que receberam, segundo dados do Relatório de Transformação Digital da América Latina 2021, do fundo de Venture Capital Atlântico.

As stock options se tornaram tendência e a previsão é que alcancem diferentes setores da economia. Em um cenário no qual a disputa por talentos está cada vez mais acirrada (principalmente no setor de tecnologia), um programa de stock options pode contribuir de forma significativa para a atração e retenção de profissionais qualificados – algo determinante para o sucesso de um negócio.

É claro que oferecer participação na empresa não é uma pílula mágica que irá transformar de um dia para o outro a cultura organizacional. Entretanto, mesmo oferecendo ambientes descolados e políticas bem estruturadas de trabalho flexível, chega um momento que, por mais comprometido e motivado que o funcionário seja e esteja, se ele não tem de fato uma participação no negócio, sua postura e percepção do trabalho serão diferentes.

Além disso, o equity, quando bem utilizado, é uma ferramenta para envolver as pessoas no processo de transformação pessoal e da sociedade. O trabalho em si não é um fim, mas sim um meio para alcançar nossos objetivos. Compreender que as novas gerações esperam que o trabalho as permita fazer parte de um projeto maior é um começo para suprir essa necessidade.

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