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Artigo: Tecnologia, o ponto de partida do compliance para a via da diversidade e inclusão

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*Rafaela Frankenthal é co-fundadora da SafeSpace

 

É curioso notar que, em plena Era da Tecnologia da Informação, alguns setores dentro das corporações começam a perceber só agora as facilidades que as startups podem oferecer para solucionar problemas crônicos vividos dentro dos escritórios e fábricas. Quando decidi estudar mais a fundo como as empresas estão lidando com questões de má conduta, como assédio e discriminação, vi um cenário que me remeteu há três décadas: no setor de compliance, responsável pela implementação das políticas internas de boas práticas, a terceirização do processo de investigação e solução de denúncias levadas ao conhecimento da empresa pelos funcionários ainda é regra; inclusive poucas empresas oferecem ferramentas que estimulem a equipe para que reportem internamente esse tipo de problema.

Atualmente, a necessidade de construir ambientes de trabalho mais diversos e uma cultura organizacional saudável, torna as práticas de compliance cada vez mais importantes. Para manter o ambiente sadio e equilibrado, as empresas entenderam que é fundamental estabelecer canais de comunicação capazes de gerar confiança, garantindo transparência e total preservação do sigilo da autoria do relato quando uma quebra de conduta for identificada.

As organizações estão sendo pressionadas a mudar debaixo dos holofotes das redes sociais, o que apresenta um grande risco de imagem e reputação. E se pensarmos que a principal função da área de compliance é gerenciar e mitigar riscos organizacionais, vislumbramos aí uma nova estrada com limites bem mais amplos dos que os trabalhados até agora.

Nesse cenário, a SafeSpace, startup da qual sou co fundadora, nasceu, em março de 2020, como uma proposta inovadora: ser uma plataforma digital capaz de ajudar empresas a prevenir, comunicar e resolver problemas de comportamento no trabalho; mas ao contrário dos antigos e obsoletos canais analógicos, fazer isso de forma rápida, prática e eficaz, contribuindo para a construção de uma cultura de confiança. A plataforma atende a empresas de todos os tamanhos. As de grande porte podem substituir seus canais antigos de denúncia, enquanto as pequenas e médias, que não tinham condições de implementar algo do tipo, podem já começar a tratar o problema de forma prática e segura. O fato de eliminar a contratação de serviços de terceiros para mediar os processos envolvendo as denúncias torna a plataforma competitiva no mercado. O valor cobrado pelo produto é flexível, dependendo do porte da empresa interessada.

O interesse das corporações pela solução é crescente, o que mostra que a tecnologia é uma saída para uma mudança de cenário na forma como as empresas lidam com a gestão de pessoas, atuando como ponto de partida de um esforço do setor de compliance para reavaliar as políticas e procedimentos de boas práticas, incluindo pilares fundamentais como diversidade, equidade e inclusão.

Mas ela, obviamente, não é a única. A transformação do ambiente de trabalho em um espaço mais inclusivo é um processo coletivo. E se quiser partir realmente para a ação, o compliance deverá alinhar esforços com a área de RH para pontuar e mensurar a raiz do problema e priorizar a implementação de medidas de resolução e prevenção mais assertivas.

Esse esforço, necessariamente, tem de ser visível e gerar valor para stakeholders no geral – pessoas colaboradoras, investidoras, consumidoras e fornecedoras. Precisa ser uma ação ativa, valorizada e implementada de forma sustentável com uma visão de longo prazo. Resumindo: não basta apenas levantar uma discussão, é fundamental sair da teoria e partir para a prática, para a ação efetiva, gerando uma cultura com a qual toda organização esteja envolvida e comprometida – da liderança até a base.

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