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Artigo: o mercado de cartões no Brasil e o cenário de Cielo, Stone e PagSeguro

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Recebi o convite do Gustavo Brigatto para comentar rapidamente os rumos do mercado de cartões, que são bem difíceis de prever, mas que tenho boas provocações para fazer.

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A Cielo, Stone e PagSeguro são as adquirentes (credenciadoras de cartões) mais simples de fazer uma comparação de mercado, pelo fato de serem empresas listadas em bolsa. Cielo na B3, Stone na Nasdaq e PagSeguro na NYSE podem receber em breve, a entrada da Getnet na bolsa, que pode ajudar nesse tipo de análise.

Segundo a Abecs e outras fontes que acabei cruzando nas divulgações de resultados dos bancos, Getnet tem cerca de 14,4% de market share. Em 2016, a credenciadora tinha cerca de 9,6% de participação. Esse movimento da processadora do Santander está prestes a acontecer e só está aguardando autorização do BACEN. Outro ponto que merece ser analisado é o efeito do Mercado Pago no mercado brasileiro de cartões. Estimo que os números da processadora do Mercado Livre sejam maiores do que o mercado prevê.

O mercado de cartões no Brasil

Mesmo com o avanço dos novos players, do volume do mercado ainda estar concentrado em Cielo e Rede (com cerca de 55% de market share), os avanços de Stone, PagSeguro, Mercado Pago e um bloco formado por Vero, Bin, Sipag, Global Payments, Safra entre outros, ainda é tanto tímido, diante do tamanho da oportunidade no setor de meios de pagamento no Brasil.

A primeira análise que sempre faço é chamar a atenção para o que Stone e PagSeguro fizeram em pouco tempo. Foi um trabalho excepcional, chegando a 10% e 8,8% de market share respectivamente, num curto espaço de tempo. Pode parecer pouco, mas cada 1% em participação nesse mercado de cartões, é muita chance de fazer dinheiro.

Outra coisa é analisar as respostas que a Cielo e Rede (Itaú) têm dado para os novos entrantes: essas, parecem estar combinando estratégias de contra ataque focadas na distribuição dos bancos que detém suas participações e pelo histórico, não parece estar funcionando como deveria, afinal estão literalmente perdendo participação.

Cielo e Rede tinham cerca de 47% e 32% de participação de mercado em 2016. Em 2020, Cielo fechou o ano com 30% e Rede com 24% de market share.

Preços e participação de mercado

Embora a líder Cielo detenha cerca de 30% do market share do setor (dados de fechamento de 2020), a Stone e PagSeguro receberam uma aposta maior em valor de mercado. Tanto Stone quanto PagSeguro talvez recebam essa atenção maior, porque conseguiram “quebrar o status quo” de que era impossível crescer em participação, não tendo um banco por trás e também, porque descobriram novas formas de distribuir suas soluções, especialmente através de uma estratégia SaaS (software as a service).

E mais: são duas adquirentes que conhecem como ninguém o e-commerce.

Essa estratégia foi com certeza, a principal motivação da aquisição da Linx pela Stone: onde a revolução vai provavelmente, passar pelo software! E deve ser isso, que investidores acabaram decidindo ao premiar os valores de mercado de Stone e PagSeguro porque eles estão indo na tese do software e não da fintech. Quem conhece o varejo também sabe que para o lojista trocar o ERP, plataforma de e-commerce ou sistema legado, ele precisa estar muito, mas muito motivado.

Trocar o software é “um parto”, já o meio de pagamento nem tanto.

adquirentes brasileiras

Aqui está minha principal provocação desse post (em que ilustro na imagem acima): quem está errado no mercado? Cielo com 30% de mercado, valendo cerca de R$9,7bi ou Stone e PagSeguro com cerca de 10% do market share, valendo 10x o valor da Cielo?

Óbvio que Stone e PagSeguro estão com desafios, mas são necessariamente as empresas do setor com mais apetite para M&A, inovação e distribuição. E isso deve estar contando no preço. E vejo também, analistas precificarem Stone e PagSeguro como techs e Cielo como uma empresa financeira, o que pode explicar parte dos preços.

Sem entrar em mais detalhes por que cada empresa vale o que vale, é uma boa provocação para tentar adivinhar os rumos do setor. Assim como assistimos  no passado recente, uma enxurrada de novos players de “maquininhas” nascendo e morrendo em tempo recorde, estou sentindo que é a hora de todos os meios de pagamento olharem como startups de software estão se movimentando: com banking, meios de pagamento, crédito e etc. Veja o exemplo da Conta Simples, que está fazendo o movimento inverso. Tem coisa importante aí.

Em todo caso, acordos da Stone com Inter, o crescimento do Mercado Livre, Magazine Luiza e crescimento do próprio Nubank, podem chacoalhar um pouco mais esse mercado em breve.

Opinião minha: quem for o fornecedor de software do cliente, provavelmente será o vencedor.

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