Criada com a fusão da mexicana Grin e da brasileira Yellow em janeiro de 2019, a Grow Mobility enxugou suas operações no Brasil na semana passada. A companhia anunciou sua saída de 14 cidades, ficando apenas em São Paulo, Rio e em Curitiba.

E as três cidades só vão contar com os patinetes, já que o serviço de bicicletas está suspenso enquanto a companhia avalia as condições da frota. A companhia não disse como ficará a operação nos outros seis países em que opera na América Latina.

Com presença reduzida, a companhia fez demissões: um total de 600, ou cerca de metade de seu quadro. Em comunicado, a companhia disse que está trabalhando com uma consultoria de RH para ajudar a recolocar os demitidos.

É bem possível que muitos desses profissionais acabem indo trabalhar na Uber. A companhia, que lançou seu serviço de patinetes em Santos (SP), em dezembro, conseguiu licença da prefeitura de São Paulo para operar na cidade.

Tá, mas e daí? Em um ano, o mercado de patinetes e bicicletas compartilhadas foi da promessa à desilusão no Brasil. Reflexo de um mercado competitivo, que exige investimentos altos, mas também dos bons e velhos problemas de gestão – que, pasmem, nem mesmo as empresas mais disruptivas e inovadoras estão a salvo. Desentendimentos entre os sócios mexicanos e brasileiros criaram um ambiente de duas empresas convivendo sob um mesmo teto, que deixou a Grow sem foco e com um clima de insatisfação interno. Esse cenário também afastou um aporte da SoftBank que a companhia precisava para continuar financiando sua operação. A companhia vinha tentando modelos alternativos de geração de receita, como o serviço de assinatura e a carteira digital. Mas as iniciativas ainda estavam muito incipientes. Se a reestruturação será suficiente para manter o negócio rodando ainda não dá para saber. Mas o freio de arrumação da Grow pode servir de exemplo para que outras companhias melhorem sua governança e evitem “perder para si mesmas”. O que você acha?

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