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Bom dia,

Se você ainda não assistiu, vale a pena dar uma olhada na série “For All Mankind”, da Apple. Ela conta a história da corrida espacial nos anos 1960, mas de uma forma diferente: misturando realidade e ficção e dando um destino bem diferente para a história. Spoiler: americanos e russos estabelecem bases na Lua.

Na semana em que a NASA fez um helicóptero voar – duas vezes – em Marte, é interessante olhar para trás e olhar para o passado, pensar no que poderia ter acontecido, e imaginar o que poderá acontecer. Somos uma espécie inquieta. Isso é muito bom, mas também muito danoso, como já sabemos.

Enquanto as passagens para Marte ou para a Lua não ficam disponíveis – certamente terá um monte de startup explorando esse nicho em uns 10 anos – a gente fica com a mais recente (e mais cara) aquisição da Locaweb, a extensão da série D da Loft, o investimento de Frederico Trajano (sem relação com o Magalu) no site Poder360, PicPay entrando com pedido de IPO na Nasdaq, GetNinjas anunciando preço de ações para o seu IPO, e muito mais.

Boa leitura e boa semana.

Gustavo Brigatto
Fundador e Editor-Chefe


SEMANA DE 19 a 25 de ABRIL


RODADAS DE INVESTIMENTO

  • A Loft anunciou uma extensão de US$ 100 milhões sua série D. Com isso, a rodada somou US$ 525 milhões e o valuation da companhia subiu para US$ 2,9 bilhões. O fundo Baillie Gifford participou do aporte junto com um grupo de investidores institucionais como Caffeinatted, Flight Deck e Tarsadia, além de empreendedores como os fundadores da Better Mortgage, GoPuff, Instacart, Kavak e Sweetgreen;
  • A Juntos Somos Mais, um programa de relacionamento voltado à construção civil que tem como acionistas Votorantim Cimentos (com 45%), Gerdau e Tigre (com 27,5% cada uma respectivamente), recebeu uma injeção de R$ 100 milhões de seus sócios. O programa nascido em 2014 reúne 25 indústrias da construção civil e tem mais de 500 mil participantes, entre eles lojistas, vendedores e profissionais autônomos. Também administra a Loja Virtual, um marketplace online que permite que varejistas comprem produtos direto da indústria. Só no ano passado, as vendas na plataforma somaram R$ 7,4 bilhões, R$ 1 bilhão a mais que em 2019. O objetivo é chegar a R$ 10 bilhões m 3 anos;
  • A fintech Hash, de infraestrutura de pagamentos digitais, levantou uma rodada de US$ 15 milhões liderada pela QED com participação da Kaszek, da Canary, da Globo Ventures e de Thomas Stafford, um dos sócios da DST Global. O valor será aplicado para escalar a infraestrutura de pagamentos, possibilitando o processamento de mais de R$ 1,5 bilhão em 2021, e também para expandir a operação atual a fim de oferecer serviços bancários, incluindo a emissão de cartões, bem como o lançamento de novos produtos financeiros.
  • A edfintech Elleve levantou R$ 28 milhões com seus sócios e fundos de investimento privados com participações no mercado educacional. A startup também fez uma emissão de debêntures que totalizam R$ 123 milhões. Os recursos serão usados ao longo dos próximos 18 meses na concessão de crédito para quem quer financiar seus estudos;
  • A escola de programação Let´s Code, que forma profissionais para empresas, levantou uma rodada seed de R$ 5 milhões com QMS Capital (dos ex-Credit Suisse Macerlo Kayath e Edward Weaver) e a Cadonau (um veículo de investimento do Grupo Jereissati);
  • A fintech de infraestrutura para o mercado financeiro Vórtx fez um investimento de valor não divulgado na Investtools. A fatia minoritária pode chegar a 25% do capital;
  • A startup americana Deel, que ajuda empresas a contratar e gerenciar funcionários fora de seu país, levantou uma rodada de US$ 156 milhões e foi alçada ao status de unicórnio com valuation de US$ 1,25 bilhão. Andreessen Horowitz e YC Continuity lideraram o aporte. Junto com a rodada, a companhia anunciou sua chegada ao Brasil;
  • A francesa BlaBla Car levantou uma rodada de US$ 115 milhões (R$ 632 milhoes). O aporte foi liderado pela VNV Global, que já investe na companhia, e teve a participação de novos investidores como Accel, a companhia de investimentos Otiva J/F AB, criada por Jonas Nordlander e Filip Engelbert, fundadores da Avito (o principal portal de classificados da Rússia, comprado pela Naspers por US$ 4 bilhões) e FMZ Ventures, um novo fundo de crescimento dedicado à Economia de Experiência e ecossistemas de mercado criado por Michael Zeisser, ex-presidente de Investimentos do Alibaba Group e membro dos conselhos da Lyft e da Tripadvisor.

FUSÕES E AQUISIÇÕES

  • Na maior aquisição de sua história até agora, a Locaweb arrematou a Bling por R$ 524 milhões e entrou no mercado de sistemas de gestão (ERP). A companhia ainda apresentou um acordo para incorporar a subadquirente PagCerto, que também atua na oferta de banking-as-a-service. O negócio será concluído depois que a compra da Bling for finalizada;
  • Frederico Trajano comprou, com recursos próprios, sem nada a ver com o Magazine Luiza, uma fatia no Poder360, site criado pelo jornalista Fernando Rodrigues. O valor da operação não foi revelado, mas equivale a uma fatia de 25% do negócio. “A negociação envolveu um aporte primário de recursos, que serão totalmente investidos na expansão do Poder360. A aquisição é uma iniciativa individual de Trajano”, publicou o site. A operação incluiu uma cláusula que assegura a independência jornalística do site, reforçou a empresa.
  • A Ant Financial, fintech do grupo Alibaba – que deveria ter feito o maior IPO do mundo, mas foi barrada pelo governo chinês – fechou um acordo com os acionistas da Dotz para comprar uma participação de até 15% na companhia. A operação será dividida em um investimento inicial de integração de 5% do capital e uma opção de compra de até 10% adicionais em um prazo de até 24 meses depois do IPO da companhia brasileira. O acordo entre as duas foi firmado no dia 18 e apresentado em uma nova versão do prospecto preliminar da oferta, que a companhia subiu na CVM na quarta-feira;
  • A inglesa Claranet comprou a brasileira Mandic Cloud Solutions em uma operação ficou na faixa dos R$ 200 milhões. É a terceira aquisição da companhia, que chegou ao Brasil em 2017 com a compra da CredibiliT. Ano passado ela comprou a Corpflex. A Mandic era controlada pela Riverwood Capital desde 2012, quando comprou a maior parte da participação de Aleksander Mandic e de Sidney Breyer. A companhia também tinha como investidora a Oria Capital, que comprou a fatia que a Intel Capital tinha no negócio com um investimento feito em 2014.
  • O SmartBank, banco digital do banco Voiter (antigo Indusval), que em meio a uma reestruturação mudou de nome para LestBank comprou a fintech IOUU, que faz empréstimos peer-to-peer para empresas. O valor da operação não foi revelado. “Um deal complexo em que o fundador recebeu parte do pagamento em ações do SmartBank, sujeitas a condicionantes. Houve também a saída de fundos como a DOMO, Devas e Indicator, e diversas questões envolvendo investidores de crowdfunding”, escreveu em comunicado o escritório Bronstein, Zilberberg, Chueiri & Potenza Advogados, que assessorou o LetsBank na operação. O fechamento do negócio está pendente de autorização do Banco Central do Brasil. Foi o 2º exit da Indicator;
  • Nem só de aquisições de empresas digitais vivem os gigantes do varejo brasileiro. As Americanas compraram 70% do Grupo Uni.co S.A., dono das marcas Puket, Imaginarium, MinD e Lovebrands. Os 30% restantes poderão ser compradas em um prazo de 3 anos. Controlado desde 2012 pela gestora Squadra Investimentos, o grupo tem público majoritariamente feminino e jovem, possui atualmente mais de 440 lojas (todas franquias), mais de 2.800 pontos de vendas multimarcas nos 25 estados mais o Distrito Federal e canais digitais. A transação faz parte da estratégia de crescimento inorgânico, baseada na aquisição de novos negócios e marcas que possam ser potencializados pelos ativos do Universo Americanas, complementando a jornada dos clientes e buscando ser ainda mais relevante no dia a dia das pessoas”, escreveu a companhia em comunicado;
  • A JBS comprou a fabricante de carne vegetal europeia Vivera por 341 milhões de euros;
  • O aplicativo Discord encerrou as conversas sobre uma venda para a Microsoft e está em busca de um IPO para chamar de seu. Certamente alguém banqueiro vendeu para os banqueiros e investidores da companhia que ela pode valer mais do que os US$ 10 bilhões que a dona do Windows teria interesse em pagar se listando via SPAC. Quer apostar quanto?
  • Uma nova empresa criada pela Penske Group, editora dona de revistas como Rolling Stone, Billboard e Variety, comprou 50% do festival SXSW. O investimento chega em um momento de dificuldade para o festival, que teve a edição de 2020 cancelada por conta da pandemia, e que teve uma versão on-line bem fraquinha em 2021. A ideia é voltar com a edição presencial em 2022;
  • A Mastercard vai pagar US$ 850 milhões pela startup de identificação Ekata. O negócio acontece pouco tempo depois de a Okta pagar US$ 6,5 bilhões pelo unicórnio argentino Auth0, também com foco na segurança na identificação de pessoas no mundo digital.

NOVOS FUNDOS

  • A Bossa Nova fechou a captação de sua 3ª Cédula de Crédito Bancário (CCB). Dessa vez, foram R$ 10 milhões em 54 horas. Nas outras duas operações, foram R$ 6 milhões em 16 horas e R$ 1 milhão em 24 horas de oferta. Dessa vez, a gestora ofereceu uma rentabilidade mínima de 2,75%, 0,75 ponto percentual acima do que foi oferecido nas rodadas anteriores, acompanhando a alta da Selic ocorrida em março.
  • A Open Co, holding criada pela fusão das fintechs de crédito Geru e Rebel, levantou um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) de R$ 1,5 bilhão. O fundo será gerido pelo Goldman Sachs. O banco americano, aliás, vai entrar oferecer ele próprio, R$ 1 bilhão, para o fundo. O restante foi captado com investidores brasileiros. Geru e Rebel respondem pela maior parte do crédito já oferecido por empresas de empréstimo digitais, com R$ 1,5 bilhão. A ideia é conceder mais R$ 1 bilhão em 2021. Um número que não deve ter dificuldade em ser alcançado com a expectativa de aumento da inadimplência como efeito da pandemia;
  • O fundo de investimento em criptomoedas Hashdex Nasdaq Crypto, da Hashdex, que começa a ser negociado na B3 hoje, captou R$ 615 milhões e já é o 5º maior ETF da bolsa brasileira.

MUITOS BILHÕES

  • Os investimentos em venture capital na América Latina somaram US$ 4 bilhões divididos em 488 negócios em 2020, segundo a LAVCA. No ano, 6 unicórnios nasceram na região.

RUMO À BOLSA

  • O GetNinjas definiu entre R$ 24,90 e R$ 33,50 a faixa de preço para sua oferta de ações na B3. O objetivo da companhia é levantar R$ 703 milhões, considerando uma valor médio de R$ 29,20. A captação será primária (R$ 469 milhões) e secundária (R$ 234 milhões). Há ainda a possibilidade de lote adicional e suplementar. A divulgação do preço acontece no momento em que há dúvidas sobre a abertura da atual janela para IPOs por conta das instabilidades políticas e na economia – a ver como o mercado vai agir com a aprovação do orçamento do Governo. O que pode ajudar a oferta da GetNinjas andar é que a companhia conseguiu âncoras de peso para garantir o investimento. Em comunicado enviado à CVM, a companhia disse que as gestoras Miles Capital e a Verde Asset Management (de Luiz Stuhlberger) vão garantir a operação – junto com acionistas vendedores, lista que inclui Saint Gobain, Tiger Global, Monashees e o fundador Eduardo L´Hotellier. O investimento mínimo dos âncoras será de R$ 175 milhões caso o valor da ação na oferta chegue no máximo ao valor previsto para o piso, de R$ 24,90.

RUMO À BOLSA 2

  • O PicPay entrou com pedido de IPO na Nasdaq. Se a oferta for adiante, a companhia será a 4ª empresa de serviços financeiros brasileira a ser listada na bolsa americana – junto com Stone, PagSeguro e XP. O prospecto preliminar apresentado à SEC ainda não traz informações concretas sobre a oferta – a Exame fala em uma captação de pelo menos US$ 1 bilhão. Meu chute é que a companhia chegue à bolsa valendo entre US$ 11 bilhões e US$ 18 bilhões.

RUMO À BOLSA 3

  • O Nubank começou os preparativos para sua listada nos EUA e a oferta pode acontecer ainda este ano, segundo a Reuters. Meu chute é que o processo deve acontecer no começo de 2022, quando a companhia tiver uns 50 milhões de clientes e um valuation na cada de US$ 36 bilhões (usando os mesmos números da rodada de Janeiro/21).

INVISTA NO NU

  • Falando em Nubank, o neobank mais valioso do mundo deu mais um passo na diversificação de suas ofertas – e no caminho para se tornar um banco – com o lançamento de três opções de fundos multimercado para seus clientes investirem. As aplicações pode ser feitas a partir de R$ 1. “Os fundos multimercado inicialmente disponíveis possuem calibração de risco a partir de composição diversificada em fundos de renda fixa (juros pré-fixados, juros real/inflação e juros pós-fixados), fundos de renda variável no Brasil e no exterior, além de investimentos que tenham como índice a cotação do ouro e do dólar. A simplicidade no processo de aplicação do valor a ser investido com o Nubank é presente também na linguagem utilizada na comunicação com o cliente. Os nomes escolhidos para os fundos, por exemplo, são Nu Seleção Cautela, Nu Seleção Equilíbrio e Nu Seleção Potencial”, informou a companhia em comunicado.

BRASIL MAIS DIGITAL

  • O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aprovou uma linha de crédito de US$ 1 bilhão para financiar projetos que melhorem a digitalização e a conectividade no Brasil. O objetivo é impulsionar iniciativas que ampliem o uso de tecnologias na produção e na disponibilização de serviços públicos. Os recursos da linha “Brasil Mais Digital” poderão ser acessados por União, Estados e municípios, assim como pequenas empresas, por meio de bancos de fomento.

BYE BYE BRASIL

  • O aplicativo de transporte espanhol Cabify – lembra dele? – vai deixar de operar no Brasil a partir de 14 de junho. O fim da operação foi comunicado a clientes em e-mail enviado agora pela manhã. “Estamos tristes em dizer-lhes isto… mas isto não é o fim do caminho! Você ainda poderá viajar conosco até a data de encerramento. E também estamos disponíveis para você em todas as outras cidades que seguimos operando na América Latina e Espanha. E depois de tanto tempo viajando juntos, não queremos terminar este e-mail assim sem mais nem menos. Por isso, aproveitamos esta oportunidade para lhe dizer em alto e bom som: MUITO OBIRGADO POR ESTA VIAGEM”, escreveu a companhia, que culpou a COVID-19 pela decisão, mas que, na real, nunca mostrou muito a que veio desde que desembarcou por aqui em 2016.

O CLUBHOUSE DO FACEBOOK

  • Demorou cerca de 1 ano para o Facebook apresentar seu concorrente para o Clubhouse: o Live Audio Rooms – tá ficando enferrujado, hein Zuck? O recurso está sendo introduzido inicialmente dentro dos Grupos da rede social para um grupo selecionado de pessoas, e, até o meio do ano, será liberado para todo mundo e para o aplicativo de mensagens Messenger. O lançamento veio junto de mais alguns anúncios na área de áudio – talvez para mostrar que não se tratava apenas de uma resposta ao fenômeno do Clubhouse, mas de um esforço mais amplo nesse segmento. Umas das novidades é um acordo com o Spotify que permitirá compartilhar músicas e podcasts de forma mais integrada ao feed. Podcasts também passarão a ter espaço dedicado no Facebook Pages. A companhia também está trabalhando em uma função de áudio para o Reels, o Soundbites. Vida longa ao áudio! SPOILER: Novidade do Startups nessa área também em breve. Aguarde.

DANÇA DAS CADEIRAS

  • A executiva Maria Isabel Antonini assumiu o papel de co-CEO da Singu, a empresa de serviços de beleza que Tallis Gomes vendeu para a Natura no fim do ano passado. Antes, ela era diretora financeira do aplicativo e teve papel atuante na articulação do negócio. “A movimentação tem o objetivo de reforçar a liderança feminina na empresa e aproximar ainda mais a gestão das profissionais que atendem pelo aplicativo”, disse a Singu em comunicado;
  • O banco Original contratou o executivo Marco Caruso como novo Economista-chefe. Ele será responsável pelas análises econômicas da instituição;
  • A Escale , startup especializada em otimizar a jornada de compra de serviços essenciais do portfólio da Kaszek, contratou o executivo Eduardo Pocai para gerenciar sua área de Growth e Marketing . Ele terá a missão de liderar um time com mais de 70 profissionais;
  • A Movile contratou o francês Cédric Faustino para a posição de head de Estratégia e M&A – New Ventures. Profissional com mais de 11 anos de experiência em gestão, finanças e estratégia, Cédric trabalhou em diferentes países: além de sua terra natal, morou em Hong Kong e está há mais de oito anos no Brasil.

RECOMENDAÇÕES DE LEITURA

FALTOU DA SEMANA PASSADA

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  • Entre janeiro e fevereiro deste ano, a Astella e o Instituto Ilumeo ouviram 50 investidores individuais, gestores de Multi Family Offices (MFO) e de Single Family Offices (SFO). Destes, 78% consideram alterações em seus portfólios de investimento para o próximo ano, enquanto 22% não pensam em alterá-los neste intervalo, seja porque seguem planos de longo prazo ou por terem feito esta reavaliação recentemente. Atualmente, 60% dos investidores ouvidos têm até 5% do seu patrimônio comprometido com o investimento de venture capital, 30% têm entre 5,1% e 20% e cerca de 9% acima desta margem. A baixa taxa de juros e a consequente busca por investimentos com maior retorno, no entanto, são razões centrais para o maior apetite ao capital de risco.

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