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Bom dia,

A extensão da rodada de série G do Nubank, com entrada do Oráculo de Omaha na lista de investidores foi o grande destaque da semana passada. Não só pelo tamanho do negócio e por seu impacto no setor financeiro – se cuida XP, BTG, sem falar nos bancões -, mas também pelo efeito no mercado de venture capital como um todo.

Com a adição de US$ 750 milhões, a conta dos aportes feitos nos primeiros 6 meses de 2021 chegou a US$ 3,9 bilhões, 11% acima dos US$ 3,5 bilhões registrados ao longo de todo o ano passado. Se somar ainda os cerca de US$ 130 milhões da Buser que foram anunciados pouco depois, a cifra acumulada passa de US$ 4 bilhões e o ano vai caminhando para a possibilidade de passar de US$ 5 bilhões, um número inédito para o mercado.

Reflexo de grandes oportunidades ou loucura desenfreada?

Só lembrando que até o fim do mês o conteúdo do CODEX está aberto para quem não é assinante por obra e graça do escritório BVA Advogados (@bvalaw), que é um apoiador desta qualificada e generosa (são mais de 10 minutos de leitura, né?) newsletter. Agradeça ao Felipe Barreto Veiga (@fe_veiga) e à equipe dele.

Boa leitura e boa semana.

Gustavo Brigatto
Fundador e Editor-Chefe

 


SEMANA DE 7 a 13 de JUNHO

RODADAS DE INVESTIMENTO

  • O Nubank anunciou uma extensão de sua rodada de série G, de janeiro. O neobank levantou mais de US$ 750 milhões divididos entre US$ 500 milhões aportados pela Berkshire Hathaway, do Warren Buffet, e o restante com Absoluto Partners (co-fundada por José Zitelmann e Gustavo Hungria) e a Verde Asset Management, do Luis Stuhlberger (que começou a se aventurar no mundo de tech participando na mais recente rodada da Loggi e como âncora nos IPOs da Enjoei e do GetNinjas). O aporte contou também com a entrada do Canada Pension Plan Investment Board (CPP Investments), MSA Capital e Sunley House Capital (um braço da Advent International) e de alguns investidores atuais como Invesco, Tarsadia Capital e Tencent. Com os recursos, a série G chegou a US$ 1,15 bilhão e o valuation do Nubank ficou em US$ 30 bilhões – o que foi que eu disse em janeiro? Agora é preparar a pipoca e esperar o IPO da companhia na Nasdaq;
  • Enquanto a Justiça vai e volta nas decisões sobre a legalidade de seus serviços e o Congresso tenta passar um projeto que muda regras dos serviços de transporte e pode restringir sua atuação, a Buser levantou mais R$ 700 milhões para ampliar seu portfólio de serviços. São 4 novas áreas: passagens, encomendas, crédito para empresas de fretamento e um esforço para ajudar a melhorar o transporte urbano. A nova rodada foi liderada pela LGT Lightrock e teve participação de investidores anteriores como Iporanga, SoftBank, Monashees, Valor, Globo Ventures e Canary. O novo investimento também foi anunciado logo depois de a alemã FlixBus, que flerta com uma entrada no Brasil há pelo menos 2 anos, levantar US$ 650 milhões. O plano é investir uma parte dos recursos por aqui e debutar no país ainda neste ano;
  • O marketplace de suprimentos hospitalares Síntese B2B levantou um rodada seed de R$ 5 milhões liderada pela KPTL que contou com a participação do hub de negócios nas áreas de saúde e bem-estar Interplayers. O investimento da KPTL foi feito pelo Criatec 3, o que significa que pode ser adicionado de mais R$ 4 milhões dependendo da evolução dos números da Síntese;
  • NAscida em janeiro, a RunOps levantou uma rodada de US$ 1 milhão com  Valor Capital, Global Founders Capital (GFC), Y Combinator, Liquid2, Quiet Capital e Share Capital;
  • A Dash Investment Foundation (DIF), ligada à criptomoeda Dash, investiu R$ 1,4 milhão (US$ 250 mil) na insurtech brasileira 88i. Os recursos serão para implementação do blockchain da Dash na infraestrutura da 88i;
  • A fintech Mark 2 Market, que quer construir um competidor para a B3, levantou R$ 10,8 milhões em uma rodada liderada pela KPTL, com participação da Mantiqueira Participações, que já eram investidores da companhia. Também entraram Tridon Participações e Flávio Jansen, co-founder do Submarino, conselheiro da Locaweb e ex-conselheiro da CETIP (Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos). O anúncio do aporte aconteceu depois de o colegiado da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) atestar o cumprimento de exigências técnicas e homologar a M2M como Central Depositária de CRA, passando a ser a única além da B3, a operar neste mercado;
  • A Company Hero concluiu a captação de R$ 3,2 milhões que tinha aberto na plataforma beegin.invest;
  • A S2 Pets, uma startup focada em soluções tecnológicas para ajudar os pequenos petshops a competir com as grandes redes, recebeu um investimento de R$ 2 milhões em rodada liderada pelo Fundo Anjo, do BNDES, que é gerido pela DOMO Invest. O aporte teve as participações da Bruin Angels, FEA Angels, Hangar 8 e outros investidores;
  • A fintech de crédito consignado meutudo recebeu um investimento de valor não-revelado do Goldman Sachs e uma nova injeção de recursos da DOMO Invest. Os aportes aconteceram no momento em que a companhia conseguiu uma linha de crédito que pode chegar a R$ 2,1 bilhões com o Goldman Sachs Asset Management para a compra de cotas de cotas de fundos de direitos creditórios (FIDCs) lançados por ela O 1º comprometimento é de R$ 300 milhões. Em 2020, a meutudo originou operações de crédito consignado com INSS em valor superior a R$ 500 milhões, nove vezes maior em relação às operações de crédito originadas no ano anterior. Para 2021, a startup estima originar mais de R$ 2 bilhões e dobrar o tamanho de sua equipe, chegando a 300 pessoas.
  • A startup curitibana de gerenciamento de máquinas agrícolas Wolk recebeu um novo aporte feito por Roberto Barretto Martins, conselheiro de empresas do setor agrícola. O valor investido não foi revelado, mas avaliou  companhia em US$ 10 milhões.
  • A fintech de pagamentos mexicana Clip – uma espécie de PagSeguro local – é o mais novo unicórnio latino. A companhia foi avaliada em mais de US$ 2 bilhões em uma rodada de US$ 250 milhões que contou com a participação da SoftBank e da Viking Global Investors.

FUSÕES E AQUISIÇÕES

  • Na briga com o BTG – e no caminho de adaptar seu modelo de negócios para ir além da atuação com os agentes autônomos de investimento – a XP segue fazendo seus movimentos. Um deles foi um investimento minoritário na Capitânia Investimentos, gestora de 18 anos com R$ 11 bilhões de ativos sob gestão, especialista em crédito privado, imobiliário e de infraestrutura. Outra foi a criação de uma nova corretora em associação com a Faros, o maior escritório de agentes autônomos ligado à sua plataforma, com R$ 20 bilhões em recursos
  • Comprometido em se tornar o novo Fred Trajano, Alexandre Birman segue reforçando o portfólio da Arezzo&Co. Desta vez, o alvo foi a BAW Clothing. A DNVB que se tornou um sucesso entre a geração Z (talvez por isso eu nem conhecesse)e planeja vender R$ 80 milhões em 2021, foi arrematada por R$ 105 milhões.
  • A MadeiraMadeira, varejista de produtos para casa que se tornou um unicórnio em janeiro, está colocando o dinheiro dos investidores em uso e acaba de fechar sua 1ª aquisição desde que se tornou um unicórnio: a compra da startup de logística iTrack Brasil. Os termos do negócio não foram revelados.
  • O Magalu deu mais um passo na expansão de seus serviços financeiros com a compra da Bit55, plataforma de tecnologia para processamento de cartões em nuvem criada pelo banco digital BS2. A transação, que não teve o valor divulgado, complementará os serviços oferecidos pela Hub Fintech, adquirida pelo varejista em dezembro/20.

NOVOS FUNDOS

  • A gestora Barn, que tinha uma pegada de investimento em impacto, mudou sua tese para se dedicar exclusivamente a startups de sustentabilidade ambiental, ou greentechs. Esse aliás, é o mote de seu novo fundo, que está em fase de captação. A expectativa é que o 4º veículo da casa tenha entre R$ 200 milhões e R$ 250 milhões;
  • A gestora brasileira Brainvest, que tem mais de R$ 10 bilhões em ativos sob gestão, fez um movimento interessante: investiu em um fundo de 100 milhões de euros da gestora europeia Stoneweg que vai implantar dark stores e dark kitchens para a espanhola Glovo – sim, a mesma que saiu fugida da América Latina, mas segue indo bem em sua expansão pela Europa e pelo Oriente Médio.

IPO DA DONA DA 99

  • A chinesa Didi, dona da 99, entrou com pedido de IPO nos EUA. Segundo o Financial Times, a companhia pode ser avaliada em US$ 65 bilhões na operação. Segundo o CB Insights, a Didi é o 4º maior unicórnio do planeta, com valuation de US$ 62 bilhões. No prospecto preliminar, a companhia diz ter registrado receita de US$ 21,6 bilhões em 2020 e que teve lucro em seu trimestre mais recente, quando apurou receita de US$ 6,4 bilhões. A Didi não dá detalhes sobre suas operações internacionais. Diz apenas que opera em 14 países além da China e que a receita foi de US$ 356 milhões em 2019.

2021 > 2020… JÁ!

  • Com a extensão da série G do Nubank, que trouxe mais US$ 750 milhões para a conta, o volume de investimentos em startups brasileiras chegou a US$ 3,9 bilhões (distribuídos em 274 rodadas de investimento). A cifra é 11% maior que a captada em todo o ano passado. Para se ter ideia da proporção, os investimentos em startups no país em 2020 somaram US$ 3,5 bilhões, em um total de 525 aportes, de acordo com dados divulgados pelo Distrito. A estimativa é que em 2021 o número possa chegar a US$ 5 bilhões. Não tá tão difícil, né?

LENTO Y CONTENTO

  • A participação dos 5 maiores bancos do Brasil no crédito caiu em 2020. Mas calma, não é nada grave. A redução foi de 1,3 ponto percentual, para 68,5% na comparação com 2019. Daí você diz: tá vendo, olha o estrago feito pelas fintechs! Mas não é bem assim. A redução é fruto da menor atuação dos bancos públicos na concessão de empréstimos. Uma sinalização importante, mas um longo caminho ainda a ser trilhado.

NA ONDAS DAS NFTs

  • O youtuber brasileiro Felipe Neto entrou na onda das NFTs e lançou sua própria plataforma, a 9Block. Pra começar, ele vai oferecer 3 obras criadas por ele mesmo, mas a ideia é abrir para outras pessoas coloquem itens à venda lá também. O serviço foi criado em cima da plataforma de blockchain Hathor, criada por brasileiros.

EL SALVADOR?

  • O presidente de El Salvador, Nayib Armando Bukele Ortez, de 39 anos, anunciou que o país vai reconhecer legalmente o uso de Bitcoins. Isso significa que transações no país poderiam ser feitas com a criptomoeda ou com dólar americano. A medida ainda precisa ser aprovada pelo Congresso. Para alguns é mais um golpe de marketing do que qualquer outra coisa.

VINDO DA CHINA

  • Ao mesmo tempo em que espalha memes sobre a China por conta do coronavírus, e da Coronavac, o brasileiro quer mesmo é comprar produtos baratos vindos do país. A Americanas, que avançou no processo de integração com a B2W, reduziu de 21 dias para 11 dias o prazo de entrega de produtos comprados pelo seu marketplace. A plataforma Americanas Mundo, que em 2020 teve um crescimento de 170% em volume transacionado – a base era pequena já que o serviço ainda não é tão relevante assim.

PROGRAMA DE INOVAÇÃO

  • O iFood lançou um programa de inovação em parceria com a Innovation Latam. O foco do projeto será conectar startups e grandes empresas capazes de financiar projetos de inovação aberta. No 1º momento, o programa busca startups para o segmento de social commerce. Mas a empresa afirmou que startups de outros setores também terão a possibilidade de se conectar por meio da plataforma para mostrar projetos a serem contratados ou mesmo investidos pelo iFood. Interessadas podem se inscrever até o dia 27 de junho neste link.

BANCARROTA

  • A empresa de construção Katerra entrou com pedido de recuperação judicial nos EUA. A companhia diz ter pendências que podem variar de US$ 1 bilhão a US$ 10 bilhões, com ativos da ordem de US$$ 500 milhões a US$ 1 bilhão. É a 2ª companhia do portfólio da SoftBank a ter problemas no ano. a outra foi a Greensill Capital.

DINHEIRO BRAZUCA NA BOLSA

  • A participação dos investidores não residentes nos IPOs e follow-ons realizados no Brasil foi, em 2020, a menor dos últimos anos: 32% contra 56% nos 5 anos anteriores, segundo o Relatório de Economia Bancária (REB) do Banco Central (BC). Já o total de títulos públicos federais em posse dos investidores não residentes ficou em 2020 em patamar “inferior à média dos últimos quatro anos”.   É um indicador positivo, mas em um momento atípico. O ano foi marcado pela aversão ao risco com a pandemia, o que explica em parte essa fuga de capital. Os material do BC não indica o quanto os brasileiros investiram, pra saber se houve aumento ou queda no volume total.

LENHA NA FOGUEIRA

  • O banco Inter fechou uma acordo com a fintech americana Atom para oferecer serviços de research e gestão de portfólio para os seus clientes. Mais um ampliando seu arsenal para capturar o suado dinheirinho dos brasileiros.

DANÇA DAS CADEIRAS

  • O fundador da Movile e presidente do iFood, Fabrício Bloisi, foi indicado para o conselho de inovação – Sci-fi Advisory Board – do XPRIZE. A organização criada pelo cofundador da Singularity University, Peter Diamandis, promove competições com variados temas que premiam ideias que ajudam a resolver problemas complexos como a capacitação de mão de obra e a criação de testes mais rápidos para a COVID-19;
  • Carolina Pascowitch é a mais nova integrante do time da Astella Investimentos. Ela será responsável pela captação de recursos no exterior para a criação de um novo fundo e atuará no avanço de novos negócios, auxiliando ainda as startups do portfólio na conexão com fundos estrangeiros para novas rodadas.
  • Fernando Teles deixou o comando da Visa no Brasil depois de 5 anos. O motivo da saída não está claro, mas teria sido uma decisão da matriz, descontente com os rumos das mudanças feitas por ele na operação, segundo o Finsiders. O nome de um substituto ainda não foi apresentado.

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