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Bom dia,

O IPO da Coinbase fez o mundo – finalmente – acordar para o fenômeno das criptomoedas e dos criptoativos. Afinal, US$ 100 bilhões em valor de mercado não aparecem do nada. E ter uma empresa pública atuando no segmento mostra que ele não tem nada de cinzento, duvidoso – ou pelo menos ajuda no acompanhamento e correção de eventuais problemas.

Claro que o Bitcoin ainda é a grande estrela – já valendo mais do que toda a bolsa brasileira junta – mas aos poucos outras alternativas vão ganhando espaço, principalmente por meio de aplicações específicas. A próxima grande fronteira é a emissão de moedas digitais por bancos centrais, como a China está fazendo – e o Brasil sinalizou que pretende fazer em breve. É uma (re)volução que chega só uns 10 anos mais tarde do que os mais aficionados imaginavam.

De resto, foi mais uma semana muito movimentada em M&A, com o Magazine Luiza anunciando mais uma aquisição, e outra na área de mídia: o Jovem Nerd. Quem também entrou no setor no setor foi a SoftBank, ajudando a financiar a venda dos ativos de mídia da mexicana Televisa para a americana Univision, focada no público latino que mora nos EUA (o maior grupo étnico do país, representando 18% da população. A Nuvini, do Pierre Schurmann, apresentou sua 4ª compra, o Banco Inter fez duas operações, e assim vai.

Em venture capital, a Olist anunciou o complemento de sua série D com Goldman Sachs e Redpoint eventuresRamper levantou um seed e a Kaszek colocou na rua a captação de um novo fundo.

Boa leitura e boa semana.

Gustavo Brigatto
Fundador e Editor-Chefe

SEMANA DE 12 a 18 de ABRIL

RODADAS DE INVESTIMENTO

  • Goldman Sachs e Redpoint eventures complementaram a série D da Olist com mais US$ 23 milhões. Com isso, a companhia fechou a rodada anunciada em novembro com um total de US$ 80 milhões captados.
  • Ramper fez um seed de R$ 8 milhões liderada pela DOMO com participação da Smart Money Ventures, grupo de investimento do ex-Movile Fábio Póvoa;
  • A corretora digital de seguros Mutuus, especializada em pequenas e médias empresas, recebeu uma rodada de R$ 1,5 milhão. O aporte foi liderado pelo Fundo Anjo do BNDES gerido pela DOMO Invest, que colocou R$ 500 mil na operação. Outros co-investidores completaram R$ 1 milhão restante;
  • A Beep Saúde foi avaliada em R$ 670 milhões em uma rodada série B de R$ 110 milhões. O aporte na healthtech de serviços de saúde domiciliar foi liderado pelo Valor Capital e contou com a participação de investidores anteriores, como DNA Capital (gestora que tem recursos da família Bueno, do DASA, que foi o 1º investidor), Bradesco e anjos como David Vélez, cofundador do Nubank (que também investe no plano-de-saúde-que-não-quer-ser-chamado-de-plano-de-saúde Alice). O Endeavor Catalyst, da Endeavor, também entrou. Com a rodada, a companhia soma mais de R$ 130 milhões captados até agora e pretende dar sequência ao projeto de ser a “clínica de tudo” no celular das pessoas;
  • Zapt, uma startup de BH que atua com social commerce, levantou uma rodada seed de R$ 16 milhões liderada pela Kaszek com participação da General Catalyst. Também entraram a Y Combinator, Simon Last (cofundador do aplicativo Notion), Pierpaolo Barbieri (CEO da Ualá) e Daniel Correa (sócio da Kapitalo).
  • A fintech Fatura Simples, do Recife, recebeu um aporte de R$ 1,4 milhão da holding Elifegroup. A startup  integra serviços de recebimento por boleto, cartão, emissão de nota fiscal eletrônica e cobranças recorrentes.
  • DragApp, fundada pela empreendedora brasileira Duda Bardavid e pelo britânico Nick Timms, para simplificar a gestão de fluxos de trabalho de pequenas empresas, levantou R$2 milhões em rodada liderada pelo grupo de investidores anjo GVAngels. Participaram ainda da rodada o Urca Angels, o MIT Alumni Angels – que já havia investido anteriormente – e diversos investidores individuais. Outros investidores da empresa incluem a Techstars; executivos de alto calibre do Google, como diretor Técnico da Google Cloud; o sócio da Área 120, incubadora in-house da gigante de tecnologia, além de diversos empreendedores do Brasil, Estados Unidos e Europa, incluindo o Florian Hagenbuch, da Loft. O programa de suporte para empresas do Governo da Inglaterra, Future Fund, também participou do aporte, uma vez que o cofundador da startup, Nick Timms, é britânico e a startup está sediada no País. Com o valor a startup já captou R$7 milhões.

NOVOS FUNDOS

  • XP concluiu a captação de um fundo de fundos para investir em private equity e venture capital, o XP Selection Alternativo. Ao todo, a gestora conseguiu R$ 1,2 bilhão com 10 mil investidores qualificados, com mais de R$ 1 milhão para investir. A aplicação inicial foi de R$ 50 mil. Normalmente, esse tipo de veículo só está acessível para investidores profissionais, com 10x mais recursos para investir;
  • Kaszek está em processo de captação de um novo fundo de US$ 400 milhões. O montante pode dobrar se a gestora replicar a estratégia que fez há dois anos de conseguir recursos para dois fundos: um para novos investimentos e outro para aumentar os investimentos nas empresas do portfólio;
  • Hospital Albert Einstein vai destinar R$ 100 milhões para investimentos em start-ups da área de saúde. Os recursos serão investidos por meio de um um Fundo de Investimentos em Participações (FIP) exclusivo administrado pela gestora de investimentos de impacto VOX Capital.
  • Um grupo de 13 empresários lançou o Mentor S/A, para injetar R$ 50 milhões em startups e negócios com potencial de crescimento. A iniciativa é liderada por Carlos Wizard, da holding Sforza, e pelo empresário Ricardo Bellino. Também fazem parte nomes como Janguiê Diniz (Ser Educacional), Caito Maia (Chilli Beans), Chaim Zaher (grupo SEB), Edu Lyra (Gerando Falcões) e a consultora Rachel Maia. A ideia é colocar recursos em 10 negócios com operação mais consolidada e em 10 companhias em estágio mais inicial.
  • Amazon lançou um fundo de US$ 250 milhões para investir em venture capital na Índia. A ideia é investir em startups que atuem na criação de tecnologias para digitalizar varejistas de pequeno e médio portes.

FUSÕES E AQUISIÇÕES

  • Magazine Luiza fez sua 17ª aquisição em um ano e meio, sendo a 3ª na área de mídia. O alvo foi o Jovem Nerd, focado em conteúdo nerd e geek. O investimento em plataformas de conteúdo próprio faz parte da estratégia da varejista de reduzir o custo de aquisição de clientes – os custos de anúncios no Facebook e no Google subiram muito para empresas B2C – ao mesmo tempo em que gera retenção;
  • CADE ainda aprovou, sem restrições, a compra da Hub Fintech pela varejista. A operação, anunciada em dezembro/20, era contestada pelo Mercado Pago;
  • nuvini, grupo de empresas de Software as a Service (SaaS) de Pierre Schurmann, anunciou sua quarta aquisição: a Dataminer, que atua no mercado de Big Data & Analytics. O plano é fechar um total de 15 aquisições até o fim do ano. A Dataminer nasceu no Grupo Check, do empresário José Mário Ribeiro;
  • Intelbras fez sua primeira aquisição depois do IPO e levou 75% da catarinense Khomp por R$ 89,1 milhões. A fabricante tem um prazo de 4 anos para comprar os 25% restantes. A companhia de produtos e serviços na área de telecomunicações teve receita de R$ 55,7 milhões em 2020;
  • Banco Inter fez duas aquisições: 50% da IM Designs empresa especializada no desenvolvimento de tecnologias e ferramentas imersivas em 3D para a criação de projetos de visualização de ambientes internos e externos, por meio de realidade virtual (VR), realidade aumentada (AR) e realidade mista (XR) e a Duo Gourmet, um programa de fidelidade voltado ao mercado de alimentação. As operações não tiveram os valores revelados;
  • Porto Seguro comprou uma participação de 13,5% na Petlove. A operação tem como objetivo a exploração de oportunidades comerciais conjuntas, com a oferta de seguro para animais de estimação. O negócio foi feito por meio do aporte da operação da seguradora na área, a Health for Pet, que será rebatizada como Porto.Pet. Softbank e Tarpon se mantém como principais acionistas da varejista, com 30% cada.
  • Afya Educacional, comprou o buscador e comparador de preços de remédios e outros produtos da área da saúde, Cliquefarma, voltado para o consumidor final . O valor da aquisição foi de R$ 19 milhões, dos quais 15,8% serão pagos em ações da Afya e 84,2% em dinheiro. E a 6ª operação do grupo na área de serviços digitais. Em 2020, o site experimentou um crescimento em relação ao ano anterior de 52,9%. Foram 16,8 milhões de visitantes únicos no ano. Atualmente, a Cliquefarma tem mais de 5 mil farmácias cadastradas e atende 1,7 milhão de consumidores. Em 2020, foi responsável por R$ 43,2 milhões em transações nos sites das farmácias e drogarias parceiras
  • Microsoft comprou a Nuance por um valor, em dinheiro, que pode chegar US$ 19,7 bilhões incluindo dívidas. A companhia conhecida pelo software que transforma voz em texto Dragon ganhou popularidade por ser o cérebro por trás da assistente virtual Siri. A tecnologia depois foi substituída por uma desenvolvida internamente pela Apple. De acordo com a Microsoft, a compra faz parte da estratégia de reforçar suas tecnologias para verticais específicas. No caso, a ideia é usar a tecnologia da Nuance especificamente no segmento de saúde;
  • Em uma operação de US$ 4,8 bilhões que contou com investimento do SoftBank Latin America Fund e do Google, o grupo Televisa, do bilionário mexicano Carlos Slim, vendeu seus ativos de conteúdo e mídia para a Univision Communications, um grupo de mídia dos EUA voltado ao público hispânico – o maior grupo étnico do país, que representa 18% da população.

IPOs

  • A exchange Coinbase estreou na Nasdaq valendo US$ 100 bilhões;
  • Na esteira do sucesso – ou da loucura? –  do IPO da Coinbase, o Mercado Bitcoin  mandatou J.P. MorganBTGXP Investimentos e Itaú BBA para fazer seu IPO. A expectativa é que a exchange brasileira possa valer entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões – com gente já falando em dobrar de valor, chegando a R$ 30 bilhões, pós-IPO.  O Mercado Bitcoin fez uma rodada em janeiro com GPParallax e Banco Plural na qual prometeu fazer investimentos da ordem de R$ 200 milhões. Com a janela dos IPOs mais fechada em abril e em diante, será que vai rolar?;
  • Zenvia entrou com pedido de IPO na Nasdaq. Se a oferta vingar, a companhia será a primeira empresa de software latina listada na bolsa americana (não XP, você é um banco!). Mas não será a primeira da região com capital aberto nos EUA. A argentina Globant está na NYSE desde 2014.  Nas minhas contas, o valuation da Zenvia pode chegar a US$ 1,5 bilhão considerando a média de múltiplo de SaaS registrado nos EUA no 1º trimestre: 16x receita.
  • O aplicativo de transporte Grab, do Sudeste da Ásia, vai abrir o capital na Nasdaq por meio de uma fusão com o SPAC Altimeter Growth. Será a maior operação dessa modalidade até hoje, avaliando a companhia em US$ 19,6 bilhões. O aplicativo é investido da SoftBank, que tem usado muito os SPACs para dar liquidez ao seu portfólio.

VC > PE

  • Os investimentos feitos em venture capital (VC) continuaram à frente dos aportes feitos em private equity (PE) no Brasil no 1º trimestre de 2021. Foram R$ 8,8 bilhões em transações, mais de 4 vezes acima dos R$ 1,9 bilhões aplicados em PE, segundo levantamento feito pela pela Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP) e pela KPMG. A virada tinha sido registrada pela primeira vez em meados do ano passado.

TOQUE DE MIDAS

  • Forbes montou a sua Midas List, com os nomes dos 100 principais investidores de venture capital do mundo. Pela primeira vez, três investidores focado na América Latina entraram na lista:  Mayer “Micky” Malka (Ribbit Capital), Santi Subotovsky (Emergency Capital Partners) e Nicolas Szekasy (Kaszek).

NA NUVEM

  • Houve um tempo em que bancos e nuvem eram palavras que não cabiam na mesma frase a não ser que você colocasse termos como “fogem do conceito”, “não podem nem ouvir falar sobre isso”. Mas o mundo muda, não é mesmo?  Depois do Itaú anunciar a migração de parte de sua infraestrutura para a nuvem da AWS, o BTG anunciou uma decisão semelhante. A proposta é usar os serviços da companhia para dar uma experiência personalizada aos clientes.

ENTREGAS POR DRONES

  • A operadora Claro vai fornecer conectividade para a  Speedbird Aero fazer o transporte e entrega de mercadorias leves – até 8 kg. A startup é primeira empresa do Brasil de sistema aéreo não tripulado, autorizada pela ANAC e com rotas aprovadas pelo DECEA.

MÉS QUE UMA B3

  • Às vésperas do IPO da Coinbase, na terça-feira (13), o bitcoin atingiu seu maior valor histórico US$ 63 mil – cerca de R$ 358.770,00 (eu vendi minhas parcas moedinhas em 2019 a 40 e poucos… buáááá…). Nesse patamar, a moeda virtual chegou a valer mais do que toda a bolsa brasileira: US$ 1,19 trilhões contra US$ 1,17 trilhões.

NOVA BANCA

  • Fabiana Fagundes, Rodrigo Menezes e Carlos Augusto Derraik se juntaram para montar o FM/Derraik, um escritório voltado a atuar no mercado de startups e de venture capital.

VAI UM EMPRÉSTIMO AÍ?

  • Méliuz deu mais um passo na estratégia de ampliar sua receita com serviços financeiros. A companhia, que já tem um cartão de crédito, anunciou um comparador de empréstimos.  “A partir de agora, toda a base de usuários do Méliuz poderá simular um empréstimo em dezenas de instituições financeiras, em um só lugar, de forma personalizada, gratuita, rápida e segura, e escolher entre as opções ofertadas, de acordo com perfil e modalidade adequados às suas necessidades (empréstimo pessoal, empréstimo com garantia e empréstimo consignado), disse a companhia em comunicado.

CONTA ENCERRADA

DANÇA DAS CADEIRAS

  • Cargo X contratou o argentino Fernando Fornales, cofundador do marketplace de frilas Workana, como seu novo CTO;
  • Nuvemshop, contratou o ex-Amazon Otávio Alves como diretor para grandes contas;
  • ViBe Saúde tem dois reforços: Jean Bueno, executivo com mais de 20 anos de experiência, como VP de liderança em Marketing e Growth. Bueno atuou em empresas como O BoticárioAvonFirmenich Unilever. Já Cintia Sulzer assume a área de recursos humanos como VP de Pessoas e Performance. Ela tem passagens por BV FinanceiraBanco Votorantim e Somos Educação.

RECOMENDAÇÕES DE LEITURA

FALTOU DA SEMANA PASSADA

  • Get In, sistema de gestão de filas e reservas em restaurantes da Z-Tech, hub de tecnologia e inovação da Ambev para pequenos e médios negócios, nomeou Patrícia Schiavo como nova CEO, substituindo o cofundador Marcos Maramaldo, que permanece na diretoria da startup.

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