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Bom dia,

A semana passada foi mais calma, mas, nem por isso, menos emocionante.
O ponto alto, sem sombra de dúvidas, foi o webinar do Startups com o Julio Vasconcellos e o Paulo Veras. Se você não conseguiu acompanhar ao vivo, vale a pena assistir a gravação, que está disponível no canal do Startups no YouTube.

Ah, não dá pra esquecer que teve a compra da corretora digital Easynvest pelo Nubank, marcando a entrada definitiva da fintech no segmento de investimentos (aquele CDI deles nem conta, né?). Tem também o início da operação da Stake no Brasil com 18 meses de atraso, consulta da CVM sobre conhecimento de investimentos, edital do BNDES Garagem, aporte na NotCo, Flapper com lucro (momentâneo) e muito mais.

As ações das empresas de tecnologia mantiveram o movimento de queda, com a Nasdaq acumulando queda de 10,10% desde o recorde de 12.074 pontos no dia 2 de setembro. No ano, no entanto, o índice ainda sobe 20,96%. Será que cai mais?

Boa leitura e boa semana.

Gustavo Brigatto
Fundador e Editor-Chefe


Investimentos em alta

Lembra os US$ 300 milhões que o Nubank captou em junho? Pois é, parece que esse dinheiro já tinha destino certo (pelo menos uma boa parte). A fintech anunciou a compra da gestora Easynvest. Com a operação, que não teve valor revelado, ela adiciona 1,5 milhão de clientes e entra de vez no mundo dos investimentos.

A operação, que será paga em dinheiro e ações, ainda precisa ser aprovada pelo Cade e pelo Banco Central. A Easynvest tinha como principal sócia a gestora Advent, que em 2017 pagou R$ 200 milhões por 60% da companhia.

Com o movimento, a XP anunciou no fim do dia que estava zerando as taxas de corretagem na corretora Rico e que iria cortar em 75% as suas próprias. A Toro já tinha anunciado medida semelhante umas semanas antes.

E pra quem gosta de investir no exterior, a australiana Stake, que tentou entrar no Brasil no começo de 2019, mas teve seus planos adiados pelo Banco Central, vai começar a operar de fato em outubro. O Startups apurou que a fila de espera da companhia tem cerca de 5 mil cadastros.

E o xerife do mercado, a CVM, resolveu entender o que o investidor brasileiro entende sobre produtos como securitização, private equity e venture captial. Atualmente restritos a investidores qualificados, eles podem, eventualmente, ganhar novas regras. A participação está aberta até o dia 24/09.

Tá, mas e daí?

O ano de 2020 tinha começado com expectativas positivas para o segmento de investimentos pessoais. Com a expectativa de melhoria da economia, juros baixos e embalado pelo IPO da XP, era de se imaginar que os brasileiros iam buscar mais formas guardar o dinheiro que ia começar a sobrar. Mas daí veio a pandemia e ficou tudo embolado. Não demorou muito a coisa desanuviou e os movimentos foram retomados. Mesmo que a situação não esteja 100% resolvida, a premissa de longo prazo está mantida – e até reforçada por conta da quebra de barreiras no uso de ferramentas digitais: os brasileiros vão continuar a procurar por novas formas de investir e o digital será o meio para esses recursos serem alocados


Stone x Totvs x Linx x Stone

Os fundadores e acionistas da Linx, Alberto Menache, Ala Dayan e Nércio Fernandes, abriram uma queixa-crime contra Fábio Alperowitch, da Fama Investimentos, por conta das declarações que ele vem dando em relação à proposta da Stone de compra a empresa de software para o varejo. Ele é um crítico de primeira hora dos termos do acordo por acreditar que eles são favoráveis ao trio e desfavoráveis ao restante dos investidores.

As reclamações dele ganharam reforço com uma carta da Amec – associação que reúne investidores nacionais e internacionais, incluindo a Fama – publicada na quinta-feira.

Para afastar dúvidas sobre suas intenções, o membros independentes do conselho da Linx anunciaram a contratação da BR Partners para fazer uma análise externa da proposta da Totvs pela companhia. Oferta, aliás, que venceria hoje, mas foi prorrogada por mais 30 dias.

Tá, mas e daí?

Aqui nem tem muito o que dizer. A novela continua. Acompanhe os próximos capítulos. Dica: uma forma de acompanhar a discussão no banco da frente é comprar algumas ações da Linx e se convidado(a) para a Assembleia de acionistas que vai discutir as propostas da Stone e da Totvs em algum momento do futuro.


Rodadas de investimento

  • A fintech de pagamentos iugu recebeu um aporte de R$ 120 milhões liderada pelo braço de investimento do banco Goldman Sachs. No fim de agosto a companhia havia recebido do Banco Central autorização para funcionar como instituição de pagamento, ampliando a gama de produtos que ela pode oferecer.
  • A AEVO, de Vitória (ES), recebeu um aporte do fundo Criatec 3, gerido pela KPTL. Pelas regras do fundo, o investimento na companhia que desenvolve um software de gestão de inovação dentro de empresas pode chegar a R$ 4,2 milhões.
  • A Clarke Energia, startup baiana que ajuda empresas a economizar na conta de luz, recebeu uma rodada de R$ 3 milhões. O aporte foi liderado pelo Canary e teve participação da EDP Ventures, o braço de investimento do grupo português.
  • A chilena NotCo levantou US$ 85 milhões em uma série C que contou com a chegada dos fundos Future Positive, do cofundador do Twitter, Biz Stone e L Catterton. Bezos Expedition (de Jeff Bezos), General Catalyst, IndieBio, Maya Capital, The Craftory, Humboldt Capital e Kaszek Ventures, que já eram investidores, acompanharam. Os recursos serão usados para expansão na América Latina, entrada nos EUA e na preparação da companhia para se tornar uma “Intel Inside” do mercado plant based.

O plano da NotCo para se tornar a “Intel Inside” da comida


Novos fundos

  • O Google for Startups lançou um novo fundo voltado a startups fundadas por negros. Com duração prevista de 18 meses, o Black Founders Fund tem um valor inicial de R$5 milhões e investirá em cerca de 30 empresas que estejam buscando investimentos em estágio seed sem qualquer contrapartida ou participação acionária.  Os aportes feitos em cada companhia poderão variar dependendo da da companhia e de suas necessidades atuais. Três empresas de ex-participantes de programas do Google for Startups já receberam investimento: Afropolitan (e-commerce), Creators (marketplace de serviços) e TrazFavela (aplicativo de delivery).
  • A gestora carioca MSW está captando um novo fundo, de R$ 100 milhões. Será o seu segundo, que também vai operar no modelo de multi-corporate venture. O fundo I da MSW, o BR Startups, de R$ 35 milhões, já está em fase de desinvestimento.

Aquisição

  • A gestora de fundos de private equity Vinci Partners comprou uma fatia minoritária de R$ 400 milhões no Agibank, focado no público com idade superior a 50 anos – um mercado de 50 milhões de pessoas, que cresce 10% todos os anos. A operação precisa ser aprovada pelo Banco Central.

Chamando aceleradoras

  • O BNDES lançou o edital que vai escolher a aceleradora responsável pela segunda edição do Garagem, para acelerar startups de impacto. A escolhida fará três ciclos em um prazo de 30 meses. Na primeira edição, a Wayra, da Telefónica (que não atua mais como aceleradora), foi responsável pelo projeto. As propostas para o Garagem 2 podem ser enviadas até dia 23 de outubro. O resultado será divulgado na primeira semana de janeiro.

Voando alto

  • A Flapper, de fretamento de voos, atingiu receita de R$ 2 milhões em junho e chegou, momentaneamente, à rentabilidade. O crescimento foi resultado do aumento do tíquete médio com voos de carga, de repatriação e transporte de produtos médicos. A companhia está com uma rodada de investimento em curso. A ideia é levantar recursos para financiar sua expansão na América Latina.
  • Falando em voar, depois de receber autorização da ANAC, o iFood começou a testar entregas com drones. O tempo baixou de 12 minutos para dois. É Fantástico, tãã!

Faltou da semana passada

  • A Ideris, integrador de lojas on-line que concorre com a Olist, comprou a Becommerce e dobrou de tamanho. O valor da operação não foi revelado. A Becommerce tinha sido comprada pelo Mercado Livre em 2017 por R$ 36,5 milhões como uma forma de aumentar sua presença entre os pequenos lojistas.

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