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Bom dia,

A semana passada foi curta, mas nem por isso, menos movimentada.

Tivemos o que pode ser considerado o exit mais rápido da história do venture capital brasileiro, aportes, aquisições, polêmica entre bancos e fintechs por conta do PIX e a (também polêmica) nomeação dos membros que o governo quer que componham a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

Para a semana, o que vai chamar a atenção é o início da temporada de balanços das empresas e tecnologia.

Boa leitura e boa semana.

Gustavo Brigatto
Fundador e Editor-Chefe

 


Membros da ANPD nomeados

Em edição extra do Diário Oficial, o presidente Jair Bolsonaro fez a indicação dos nomes que o governo quer que componham a diretoria da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) – o xerife da proteção de dados do país, a guardiã do Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Chamou a atenção que três deles são militares. E quatro nomes são ligados ao governo. Só há uma representante do setor privado. Os nomes, que serão sabatinados pelo Senado hoje.

Os militares:

  • Waldemar Gonçalves Ortunho Junior (presidente da Telebras, nomeado para presidir a ANPD),
  • Joacil Basilio Rael
  • Arthur Pereira Sabbat, (ambos integram o GSI, o Gabinete de Segurança Institucional)

Os outros nomes

  • Miriam Wimmer, diretora de Serviços de Telecomunicações no Ministério das Comunicações, nome também já aguardado entre os especialistas,
  • Nairane Farias Rabelo Leitão, sócia do Serur Advogados

Tá, mas e daí?

Não nem pra começar a avaliar a bizarrice que é ter três militares à frente de uma agência de proteção de dados. Segundo a Data Privacy Brasil, só Rússia e China têm militares em órgãos com função semelhante.

O sequestro institucional era um dos grandes riscos para a agência. Imagina um placar de 3 a dois para a “defesa de assuntos de segurança nacional” na hora de avaliar questões relacionadas à aplicação da LGPD. E quando forem assuntos ligados a governo? Placar de 4 a 1.

O que dá uma ponta de esperança é a exigência da União Europeia de que a ANPD corte relação com o governo dois anos depois de sua criação, sob o risco de o Brasil não ter o selo de GDPR-compliant, e poder sofrer sanções decorrentes desse status. É torcer para o quinteto de ouro não cometer nenhum grande deslize até lá (e claro, manter o que se espera que aocnteça).


A primeira treta do PIX

Em duas semanas, o cadastro de chaves do PIX chegou a 39,2 milhões, segundo o Banco Central. O registro não veio sem questionamento.

Os grandes bancos acusam fintechs de usarem expedientes duvidosos e cadastrarem indevidamente as chaves de seus clientes, o que teria turbinado os seus números. A tensão entre as partes veio à tona por conta de uma lista divulgada pelo Banco Central que indica que o Nubank e o Mercado Pago eram os líderes no cadastro de chaves (números até dia 14):

Nubank                   8.086.037
Mercado Pago       4.731.115
PagSeguro              4.317.725
Bradesco                 3.710.035
Caixa                        2.499.903
Banco do Brasil   2.147.744
Itaú Unibanco      1.756.684
Santander              1.637.709
PicPay                      1.135.336
Inter                          889.588
Original                   523.850
C6                               335.738

Tá, mas e daí?

Grandes bancos apontando o dedo para alguém por conta de práticas duvidosas. Isso ninguém previu que o PIX traria para o mercado, né? Pois é, 2020 não para de surpreender. E ainda devem vir mais tretas ao longo das próximas semanas. É de se esperar uma atuação mais próxima do Banco Central nesse meio tempo para mediar esses conflitos.


Rodadas de investimento

  • A Celcoin, fintech de pagamentos que atua no modelo de representantes, ou agentes financeiros, recebeu uma rodada de R$ 23 milhões. O aporte foi liderado pela Vox Capital (que já tinha participação na empresa) e contou com a participação do boostLAB, do BTG Pactual (do qual ela já tinha participado do programa de aceleração).
  • É difícil chamar uma companhia de 32 anos de startup, mas por ter recebido um aporte da KPTL, a Preâmbulo Tech entra na categoria. A companhia de softwares para o mercado jurídico recebeu o primeiro aporte de sua história do fundo Criatec 3, pelo qual a gestora é responsável. O investimento inicial de R$ 3 milhões – que pode chegar a R$ 10 milhões com o passar do tempo, pelas regras do Criatec – será usado para aumentar a equipe comercial da companhia de Curitiba.
  • E falando em KPTL, a gestora anunciou um outro aporte feito via Criatec 3. Foi na ATIVA Soluções, que atua com internet das coisas. A rodada contou com a participação da Wayra. O valor não foi revelado – mas como os primeiros aportes do Criatec ficam na faixa de R$ 3 milhões e a Wayra investe até R$ 1 milhão, dá pra fazer as contas.
  • A gestora ainda participou de uma rodada de R$ 4 milhões na Configr, que desenvolve robôs que gerenciam serviços na nuvem. O aporte foi liderado pela Invest Tech e teve participação da GVAngels e da Garan Ventures. O primeiro investidor da Configr foi a Cedro Capital, que não acompanhou essa rodada (por que será?).
  • A fintech mexicana Vexi – concorrente do Nubanklevantou um venture debt de valor não revelado com a Fuse Capital, gestora de venture capital brasileira cujo fundo de US$ 25 milhões mescla investimentos em equity com venture debt. Os recursos serão aplicados na ampliação de sua base de usuários, que hoje conta com 13 milhões de cartões emitidos.
  • A mexicana Casai, que tem um serviço de aluguel de curta temporada como o Airbnb, levantou US$ 48 milhões em equity e débito. O pode chegar a US$ 25 milhões com a TriplePoint Capital. Em equity, foram US$ 23 milhões, em uma rodada liderada pela Andreessen Horowitz, que teve participação de Kaszek, Monashees, GFC, Liquid 2 Ventures, Tom Stafford (da DST Global), e fundadores de startups como Nova Credit, Loft, Kavak e Runa.
  • A argentina Tiendanube – que opera como Nuvemshop no Brasil e concorre com a VTEX – levantou uma rodada de US$ 30 milhões. O aporte foi liderado pela Qualcomm Ventures e contou com a participação da FJ Labs, IGNIA, Elevar Equity, Kevin Efrusy (sócio da Accel Partners) e da Kaszek (que já era sócia da companhia). A companhia que tem 65 mil clientes na América Latina quer expandir sua na oferta de serviços financeiros e de logística.
  • A mineira Vulpi, hrtech especializada no recrutamento e retenção de profissionais de tecnologia, abriu uma captação de R$ 1 milhão via equity crowdfunding na CapTable.

Aquisições

  • A Afya Educacional comprou a iClinic por R$ 182,7 milhões. A operação entra para a lista das mais rápidas do mercado de venture capital brasileiro (talvez a mais rápida), já que a SoftBank tinha feito um aporte na companhia em julho.
  • O Magazine Luiza arrematou mais uma. Dessa vez o alvo foi a ComSchool, que oferece 200 cursos nas áreas de marketing digital, e-commerce e redes sociais- gratuitos e pagos. A ideia é oferecer capacitação aos vendedores do marketplace da varejista. O valor da operação não foi revelado.
  • A D1 – antiga Direct One – startup de atendimento que ano passado recebeu aporte do Bradesco, vai comprar, por R$ 85 milhões, a Smarkio, que faz atendimento usando inteligência artificial. Com a união das operações, as companhias terão uma receita recorrente anual (ARR) de R$ 120 milhões.

Temporada de balanços

  • A temporada de balanços do terceiro trimestre começa hoje. A primeira divulgação é da IBM. Amanhã (20), vem o resultado da Netflix e do Snap. Na quinta, Amazon e Intel mostram seus números. A Microsoft anuncia semana que vem (27). Facebook vem com seu resultado dois dias depois, dia 29, junto com a Alphabet e a Apple. O Uber mostra seus números no dia 5 de novembro.

Existe vida depois do IPO


Dinheirinha na conta

  • A Remessa Online lançou um serviço especializado para startups quem precisam receber recursos de aportes de investidores internacionais ou mandar dinheiro para o exterior, o Remessa for Startups. O lançamento do serviço era um dos focos da companhia com o aporte de R$ 110 milhões recebido em junho.

DiDi na Argentina

  • A chinesa DiDi começou a operar na Argentina. O serviço foi lançado na cidade de Buenos Aires com sua marca própria. Com isso, a companhia chega a sete países onde atua na região (México, Colômbia, Chile, Panamá e Costa Rica). O Brasil é o único onde ela ainda mantém um outro nome (99).

PJ no débito

  • O Nubank adicionou um cartão com função de débito às funções de sua conta para empresas. Agora, além de usar os serviços digitais, os fundadores vão poder pedir um cartão para fazer pagamentos e saques. O cartão de débito é uma alternativa que as fintechs têm achado para driblar a limitação trazida pelo pouco histórico de crédito disponível para fazer a liberação de um cartão de crédito para empresas de pequeno porte.A nova opção chega no momento de acirramento da competição pelas contas das pequenas empresas. BTG Pactual, Cora, MEI Fácil (e seu controlador, o Neon) e outras iniciativas estão de olho no segmento, até agora pouco atendido pelos bancos tradicionais – apesar de nenhuma das novas alternativas ter ainda um portfólio muito grande de serviços oferecidos.

Faltou das outras edições

  • O Distrito mapeou 828 fintechs em operação no Brasil. O mapeamento dividiu as startups do setor em 14 áreas de atuação.As três categorias mais representativas deste mercado são: Meios de Pagamento (16,3%), Backoffice (15,5%) e Crédito (15%). Em seguida estão os segmentos de Risco e Complicance (8,8%), Serviços Digitais (7,1%), Investimentos (6,4%), Criptomoedas (6,3%), Tecnologia (5,3%), Fidelização (4,8%), Crowdfounding (4,6%), Finanças Pessoais (4,2%), Dívidas (2,2%), Câmbio (2,1%) e Cartões (1,4%).O levantamento sobre o mercado passará a ser divulgado mensalmente.

Download

  • A Liga Ventures fez um mapeamento de iniciativas de inovação no mercado de energia. Foram detectadas 189 startups em 11 categorias.
  • Segundo levantamento feito pela NAVCA e pelo PitchBook, o total de recursos aportados em venture capital nos EUA chegou a US$ 37,8 bilhões entre julho e setembro, um incremento de quase 11% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em termos de negócios, foram 2.990 operações, contra 2.920.Na comparação com o segundo trimestre, no entanto, houve uma ligeira queda em termos de valores investidos. Entre abril e junho, o total de recursos aportados tinha somado US$ 39,2 bilhões.

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