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CODEX: Sobre tretas, quase unicórnios, mudanças de nomes e aquisições bilionárias

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Boa tarde,

Passou batido, mas esta newsletter completou um ano há duas semanas. Pois é, no dia 25 de novembro publiquei a edição número 0 do CODEX. Era o embrião do que viria a se tornar um projeto mais ambicioso, o lançamento do Startups, que aconteceu em julho (sim, quase cinco meses de vida). Obrigado pela audiência e confiança. É só o começo!

A semana passada foi marcada pela treta pública entre Raiam Santos e Tallis Gomes. Raiam, que tem 1,5 mi de seguidores no Instagram, apontou irregularidades no investimento da Natura na Singu, anunciado em setembro. Eles negam ter feito qualquer coisa errada. Coincidência ou não, as ações da Natura começaram a cair na segunda passada e continuam em queda.

Também foi a semana das mudanças de nomes, com Resultados Digitais e Acesso Digital tirando o “digital” de suas marcas, passando a se chamarem RD Station e unico, respectivamente. Teve ainda o parecer sobre o marco legal das startups, a compra do Slack pela Salesforce, mapeamento de edtechs, novas informações sobre a morte de Tony Hsieh, da Zappos, e muito mais.

Boa leitura e boa semana!

Gustavo Brigatto
Fundador e Editor-Chefe


Rinha de startupeiro

No domingo à noite (29), Raiam Santos, que tem 1,5 milhão de seguidores no Instagram, soltou um stories no qual apontou uma série de problemas na Singu, empresa fundada por Tallis Gomes e que em setembro recebeu investimento da Natura com vistas a um venda total em quatro anos. De acordo com Raiam, o aplicativo de agendamento de serviços de beleza estava mal das pernas e o investimento foi uma operação de salvamento porque Matheus de Farah Godoy, enteado de um dos principais acionistas do grupo, Guilherme Leal, era um investidor na companhia. Raiam também acusou Tallis de abandonar a Singu para tocar outros projetos, como o Gestão 4.0. O assunto pipocou nos dias seguintes nos grupos de WhatsApp de fundadores e investidores e pode ter ajudado os papéis da Natura a entrarem em uma rota de desvalorização nos dias seguintes (isso, mas mais a migração dos investidores de papéis de crescimento para papéis de valor, o chamado rotation).

Tá, mas e daí?
O investimento da Natura na Singu foi divulgado de forma torta – e a própria operação da Singu sempre levantou dúvidas no mercado. E sempre que alguma coisa deixa pontas, abre brecha para questionamentos. O assunto já esfriou e a tendência é que não tenha mais nenhuma repercussão (caso não surjam elementos novos). Mas fica um lembrete pra quem quer fazer as coisas de forma não tão cartesiana: tem sempre alguém de olho!


Adeus ao digital

Em uma extrema coincidência, duas empresas brasileiras anunciaram mudanças de nomes com uma característica em comum: tiraram o digital da aclunha. A Resultados Digitais assumiu o nome de seu principal produto, e passou a ser conhecida como RD Station. Já a Acesso Digital mudou para unico (isso mesmo, em caixa baixa e sem acento).

Para a RD, assumir uma nova marca facilita em seu processo de internacionalização – ela já se chama de RD Station fora do Brasil desde 2018. No caso da Acesso, a nova marca tem o objetivo de comunicar melhor o posicionamento da companhia e sua proposta no mercado de identificação.

Tá, mas e daí?
O digital morreu (como marca, título, proposta de valor). Vida longa ao digital!


O quase unicórnio

Em comunicado enviado no meio da tarde na quarta-feira, o banco C6 causou alvoroço: a companhia havia levantado R$ 1,3 bilhão a um valuation de R$ 11,3 bilhões. Noves fora, vai 3, isso dá US$ 2 bilhões. Novo unicórnio brasileiro! Mas algumas coisas chamaram a atenção. A “rodada”, foi comandada pelo Credit Suisse, e teve participação de 40 famílias, que colocaram um tíquete médio R$ 28 milhões na operação. Ou seja, algo bem diferente de uma rodada de venture capital tradicional. E o que se ficou sabendo no dia seguinte é que não se tratou mesmo de uma rodada tradicional. A operação foi, na verdade, uma emissão de dívida conversível, com prazo de dois anos e pagando CDI + 6,5% ao ano (um CDI bem caro, diga-se de passagem). O valuation então seria só uma referência, não um valor concreto que justifica o status de unicórnio do banco. Por isso escrevi que não vou chamar o C6 de unicórnio.

Tá, mas e daí? 
A renda fixa morreu. Vida longa à renda fixa! E reforçando o lembrete para quem quer fazer as coisas de forma não tão cartesiana: tem sempre alguém de olho!


Rodadas de investimento

  • A Trocafone levantou R$ 30 milhões com Barn Investimentos, Bulb Capital e Wayra. Com os recursos a companhia vai expandir a oferta de serviços no Brasil e aumentar em 50% o tamanho da equipe, que hoje é de 400 funcionários. A captação fazs parte de uma rodada maior que ainda está em aberto, na qual a companhia pretende levantar US$ 30 milhões;
  • A curitibana The Coffee – aquela cafeteria com letreiro minimalista que geralmente fica espremida entre dois restaurantes – recebeu uma série A de R$ 28 milhões liderada pela Monashees que contou com a participação da Norte Ventures e da Shift Capital. Os recursos serão usados para aumentar o número de lojas da rede, passando das atuais 30 para 100 no fim de 2021.
  • A Legiti, de tecnologia anti-fraude, levantou uma rodada seed de US$ 2,5 milhões (cerca de R$ 15 milhões) liderada pela Kaszek Ventures que contou com a participação da Global Founders Capital (GFC), Iporanga Ventures e Norte Ventures.
  • A Pier levantou uma rodada série A de US$ 14,5 milhões liderada pela Monashees que contou com a participação da Canary, Mercado Livre e BTG Pactual.
  • A agência de viagens online (OTA) brasileira ViajaNetcaptou US$ 6,5 milhões com seus atuais acionistas no mês de outubro. O aporte foi comunicado à Securities and Exchange Comission (SEC) no dia 14 daquele mês. No documento assinado pelo presidente da companhia, Paulo Nascimento, consta que 16 investidores participaram da captação.A companhia tem entre seus acionistas a Redpoint eventures, a Pinnacle Ventures e a General Catalyst.
  • A Home Agent, que oferece serviços de call center com atendentes atuando remotamente (formato comum nos EUA, mas pouco utilizado no Brasil), recebeu um aporte da BR Angels. O valor do aporte não foi revelado. A BR Angels assina cheques de até R$ 1,5 milhão.
  • A fintech de crédito Gyra+ levantou R$ 15 milhões em sua primeira rodada. O grupo mineiro PH, que atua na área de mineração e tem participação no Banco Mercantil do Brasil, adquiriu uma participação na fintech. O dinheiro irá todo para o caixa. A companhia também fez uma captação de dívida com o DEG, braço do banco alemão de fomento KfW.
  • A R2U, de realidade aumentada, levantou uma rodada de US$ 800 mil que foi liderada rodada pela Canary e teve participação dos fundos da Norte Ventures, EquitasVC; da empresa têxtil Coteminas; e dos cofundadores da Mobly (um de seus principais clientes), Victor Noda e Mario Fernandes.
  • A Abrace uma Causa, consultoria especialista em tecnologia social, abriu uma rodada no SMU para levantar R$ 1,5 milhão. O montante será investido na melhoria das ações de marketing para aumentar a base de clientes, e na evolução da tecnologia desenvolvida internamente. A empresa também pretende criar, em 2021, sua quarta linha de receita, uma plataforma SaaS para voluntariado, entregando valor diretamente para as ONGs e voluntários.
  • Na esteira do IPO do Enjoei e da venda da TROC para a Arezzo, a New Owner Bazar (NOBZ), brechó online que tem entre suas fundadoras Raquel Mattar, filha do fundador e presidente da locadora de carros Localiza, está em busca de recursos para financiar sua expansão.

Novo fundo

  • O Alexia Ventures, fundo criado por Wolff Klabin (da família Klabin), e Patrick Arippol (ex-DGF), quer colocar US$ 100 milhões em startups. Já foram feitos quatro investimentos. Até o fim do ano devem ser mais dois.

Aquisições

  • Uma semana depois de anunciar seu braço de investimento em startups, a Tivit Ventures, a Tivit apresentou sua primeira comprav: a Privally. A companhia criada em 2018 tem como foco principal ajudar empresas na adequação à Lei Geral de Protecção de Dados (LGPD). O valor da operação não foi revelado. A operação será mantida de forma independente.
  • A Boa Vista anunciou a compra da Acordo Certo por um valor mínimo que pode chegar R$ 100 milhões – sendo um pagamento inicial de R$ 37 milhões, investimentos na companhia e um earn out a ser pago em dois anos caso sejam atingidas certas metas estabelecidas previamente.
  • A Blumpa e o Parafuzo, de serviços domésticos, estão unindo suas operações. O novo negócio será controlado pela Blumpa, mas vai usar a marca Parafuzo. Todos os atuais sócios e investidores (incluindo Leonardo Teixeira, da Iporanga) se mantiveram. Não houve secundária na operação.
  • Em sua maior aquisição (até o momento) a Salesforce fechou a compra do Slack por US$ 28 bilhões. “Juntos vamos entregar o sistema operacional para a nova forma de trabalhar”, escreveu o Slack no Twitter.
  • Também de olho no público empresarial, o Facebook comprou a Kustomer, de serviços de atendimento ao cliente. Os termos da operação não foram divulgados, mas, segundo o TechCrunch apurou que o valor pago foi de US$ 1 bilhão. Segundo estimativa do PitchBook, a companhia, que levantou US$ 174 milhões em investimento, valia US$ 710 milhões.
  • O Uber fechou a compra da Postmates por US$ 2,65 bilhões, ao mesmo tempo em que mantém conversas para vender sua unidade táxi aéreo não-tripulado (que está sendo desenvolvido em parceria com a Embraer) para a Joby Aviation.

Novo apoiador

  • A ACATE (Associação Catarinense de Tecnologia) vai ajudar a Invisto na captação de seu novo fundo de R$ 100 milhões voltado a investimentos na região Sul.

Rolê aleatório

  • O rei dos rolês aleatórios, Ronaldinho Gaúcho, é o garoto propaganda de uma campanha de publicidade da Buser. A startup bancada pela Canary está gastando R$ 12 milhões na campanha de para estimular o uso de seu serviço neste fim de ano. A informação é que o cachê do Bruxo foi de R$ 1 milhão. O fundador da Buser, Marcelo Abrita (o Pato) esteve em Brasília para “falar com o presidente para ajudar toda essa gente que só faz sofrer”… no caso, as empresas de transporte como eles que têm sido alvos de ações judiciais e fiscalizações da ANTT e Polícia Rodoviária.

Desembarque no México

  • A Creditas anunciou sua chegada ao México. Por lá, a fintech vai oferecer empréstimo com garantia de imóvel, veículo financiamento de veículos e empréstimos com desconto em folha.

Rumo à Ásia


Entrega como serviço

  • Logo que o movimento de adequação teve início, Rodrigo Miranda, fundador da Zaitt e da Shipp, passou a receber demandas de redes pedindo que a Shipp, empresa de entregas irmã do mercado autônomo Zaitt, ficasse responsável pelas suas entregas. O formato, no entanto, não agradava muito. “Como o cara vai aprender a fazer a operação tão rápido?”, diz. Das conversas veio a ideia de criar um novo negócio, que operasse toda a atividade para o cliente, uma espécie de entrega como serviço. Foi então que em junho nasceu a Packk. A nova companhia se propõe oferecer toda a infraestrutura tecnológica, de atendimento ao cliente e gestão da logística. O foco são as entregas rápidas, feitas em até uma hora.

Marco legal avança

  • O deputado federal Vinícius Poit apresentou parecer sobre o marco legal das startups. O texto trouxe acréscimos ao que foi proposto pelo governo que vinham sendo pedidos pelo mercado como a regulamentação dos stock options, a definição que investidores-anjo não são sócios da empresa, a possibilidade de abater do imposto de renda as perdas com prejuízos em investimentos. Também foi alterado o tempo máximo de existência de uma empresa para que ela seja considerada uma startup: de 6 para 10 anos.

Seguro de vida


Itaú nas nuvens

  • O Itaú anunciou um acordo com a AWS para migrar seus sistemas para a nuvem da companhia. “A gente precisa usar a tecnologia de forma mais moderna e mais centrada no consumidor”, disse Ricardo Guerra, diretor-executivo responsável pela área de tecnologia do Itaú, em entrevista ao Valor. “Para o banco ser competitivo, tem de ser digital”, disse Guerra. O governo brasileiro também anunciou uma mega compra de serviços de nuvem.

Novo nome

  • Prevista para começar a circular em janeiro, a moeda digital do Facebook, a Libra, mudou de nome e agora se chama Diem. A companhia já tinha mudado o nome de sua carteira digital, a Calibra, para Novi.

Nova aposta da Movile: joguinhos

  • A Movile chamou Breno Masi (o cara que foi um dos primeiros a fazer jailbreak das primeiras versões do iPhone) para tocar sua nova investida, a Afterverse, um estúdio de jogos digitais.

Expansão para os EUA

  • Em rota de expansão para os EUA, a Klarna, fintech mais valiosa da Europa (posição que já foi ocupada pela Wirecard), nomeou para presidente do conselho o investidor (e jornalista) Michael Moritz, da Sequoia Capital.

Airbnb define preço do IPO

  • O Airbnb quer vender 50 milhões de ações em seu IPO a uma faixa de preço que pode variar entre US$ 44 e US$ 50. Isso significa que a companhia pode estrear na bolsa com um valuation de US$ 32 bilhões, considerando a faixa média de preço.

Leitura recomendadas


Download

  • O Tracxn atualizou sua lista de companhias brasileiras na fila para se tornarem unicórnios, os soonicorns (tem coisas estranhas como Estapar e UOL, e umas ausências na lista dos unicórnios já nascidos, como a VTEX, mas é uma referência interessante).
  • O Brasil tem 283 startups da área de logística, segundo o “Logtech Report”, da KPMG. Quase a metade (46,3%) é focada na questão de gestão do da cadeia de suprimentos. A pesquisa também apontou que 19% das logtechs são dedicadas para soluções de entregas; 12% são da área de logística reversa; 11,3% na questão de estoque armazenamento de insumos e produtos; e 11% na intermediação entre fornecedores, embarcadores e transportadores.
  • Já no segmento de educação, são 559 empresas, segundo o Dataminer, do Distrito.
  • A consultoria BCG fez uma lista das 50 empresas com maior potencial de crescimento no mundo

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