*Por Fábio Duran, CEO da 8D Hubify, startup membro do Cubo Itaú
Eu particularmente vivi meus melhores momentos profissionais em viagens, principalmente em missões onde a gente compartilha o rolê todo com mais pessoas que têm alí objetivos mais ou menos parecidos com os nossos.
A viagem mais marcante até então tinha sido o TechMission de 2017, onde fui para o Vale do Silício com alguns startupeiros como o Paulo da Alura, o Pedro do Banco Neon e mais 10 “malucos-empreendedores”. Isso até o SXSW 2025 que ganhou um lugar especial. A viagem no todo e o evento em sí superaram minhas expectativas e elas não eram pequenas.
Para consolidar um pouco de tudo que vi, vivi e aprendi, separei aqui os principais takeways para compartilhar com vocês.
- A importância da Cultura e da Presencialidade
O legal de ter ido com uma Missão é poder viver além do SXSW com pessoas diferenciadas. Nós tivemos atividades paralelas ao evento oficial com curadoria do nosso host Marcel Ribas, brasileiro que mora em Austin há 17 anos, que já esteve na Dropbox e hoje trabalha no Google.
Nosso grupo foi liderado por profissionais do Cidade Inovadora, uma consultoria de Florianópolis focada em transformação urbana por meio da criação e otimização de ecossistema de tecnologia. Ou seja, tudo a ver com a proposta do South by.
No dias que antecederam o início do SXSW pudemos visitar empresas como o Google, Meta, Indeed, Atlassian, WholeFoods, Miro e Dell, como ponto em comum chamou atenção que grande parte da conversa foi sobre Cultura forte e a importância das pessoas para o negócio. Tecnologia boa, disruptiva e de ponta precisa de time bom e alinhado para ser descoberta e sustentada. Foi bem interessante ver o quanto essas empresas se preocupam com estes temas.
Outro ponto legal de ver foi a preocupação de proporcionar um ambiente confortável e que motive o time a voltar, ainda que parcialmente, a trabalhar junto do escritório, reconhecendo que faz uma diferença enorme no negócio e na saúde do time poder viver esse tipo de experiência ainda que de forma híbrida.
Claro que cada empresa, seja ela sediada em Austin, São Paulo, ou qualquer outro lugar, tem suas particularidades, mas confirmou algo que eu já vinha notando: alguma presencialidade de fato é bastante importante, pois impacta no resultado do negócio ao mesmo tempo que é importante para a saúde mental e social da equipe.
- O Brasil é vanguarda em aplicação tecnológica
Outra coisa que chama bastante atenção é ver o quanto o mercado brasileiro é relevante para as principais empresas de tecnologias, a gente adota aqui bastante coisa, apesar de bem mais caro para nós do que para as empresas que ganham em dólar. Pode ser, provavelmente, por conta da nossa necessidade de sermos mais eficientes e por consumirmos bastante conteúdo de ponta.
Seja como for, é legal ouvir de empresas como a Indeed e a Miro (para não ir para as mais óbvias) o quanto o mercado brasileiro é relevante. Em ambas o mercado brasileiro representou no ano passado o segundo maior crescimento, ficando atrás apenas do mercado norte americano.
- IA na prática e além
Um caso Whole Foods me chamou atenção, eles estão testando um formato de loja sem caixa, você entra, coloca as coisas na sacola, vai embora e depois recebe em até 2 horas o valor da compra que é debitado do seu cartão de crédito.
Primeiro, foi muito legal ver IA sendo aplicada nesse tipo de contexto, já que são as quase mil câmeras na loja que possibilitam uma IA proporcionar esse tipo de experiência.
Segundo, foi ouvir que isso, por mais incrível que possa parecer em um primeiro momento, ainda é um teste, porque ainda não está claro se a experiência final de fato será boa para o cliente. Imagine a surpresa de receber duas horas depois um valor de conta que você achava que seria menor?
Terceiro e isso se aplica a IA no geral: por mais que tenha IA para proporcionar esse tipo de ambiente, é preciso ter ser humano acompanhando as câmeras e as conclusões para garantir que está acontecendo tudo direitinho nas lojas e nas compras. Inteligência Artificial não consegue, pelo menos ainda, fazer tudo sozinha e de forma autônoma. E, isso não é exclusividade desse caso, é praticamente uma regra geral.
Agora, a maior provocação que eu vi nos conteúdos da SXSW foi da futurista Amy Webb, uma das mais prestigiadas do evento. Ao demonstrar vários casos reais de aplicação de tecnologia de ponta de coisas que até ontem só eram vistas em filmes de ficção científica, ela provocou que precisamos refletir urgentemente o que fazer com o impacto de tanta coisa disruptiva mudando o mundo como conhecemos. Precisamos pensar além.
Por fim, Mike Bechtel, futurista chefe da Deloitte trouxe provocações sobre o impacto da IA na nossa vida profissional. Ele praticamente decretou o fim dos “experts” e defendeu que o profissional de sucesso hoje precisa ser um grande “ligador de pontos”, ter conhecimento de tudo um pouco, saber usar IA para pareceres mais profundos e conectar diferentes conhecimentos.
- Redes Sociais e a Saúde Social
Como não poderia ser diferente, as Redes Sociais foram objeto de vários conteúdos e debates, com abordagem de diferentes ângulos, desde sua utilização em estratégia de marketing e vendas, como também na política e principalmente na saúde das pessoas.
Apesar das redes sociais, as pessoas nunca relataram estarem se sentindo tão sós como hoje e a preocupação com a saúde social foi algo bastante frequente no evento. Há um consenso que o formato das redes sociais precisa ser rediscutido.
- Podcast
Eu já tinha pra mim que Podcast é um canal que tem cada vez mais relevância e que deve ser mais explorado pelas empresas, mas lá no SXSW pude ver que eu estava atrasado.
Podcast é um canal muito mais pronto para fazer a diferença na estratégia das empresas do que eu achava, tanto que ele foi tópico de diversas palestras e painéis, além de ter sua trilha própria.
Dentre as discussões mais interessantes, pude aprender os desafios e os prós e contras entre criar sua própria audiência (seu próprio canal) e pegar emprestado uma audiência pronta (patrocinar um canal). Além disso, foi interessante perceber que o mercado de forma geral já investe na produção de Podcast, mas ainda escolhe errado as métricas para medir seu sucesso e ainda erra ao querer distribuir esse tipo de conteúdo das formas mais tradicionais que não funcionam neste modelo.
- Criatividade Humana ainda é diferencial de performance
Se a cada 10 frases que eu ouvia, 9 tinha IA (rs), o que eu mais vi foram ativações extremamente criativas para divulgar marcas, artistas e lançamentos de filmes e seriados.
Agora, um case um pouco antigo que foi compartilhado em um dos painéis que eu assisti, realmente me chama a atenção para o fato de que o ser humano é de longe quem pode realmente fazer a diferença em uma estratégia.
A Snikers comprou palavras escritas de forma errada em sua campanha de anúncios no google. Sob o slogan “Você não é você quando você está com fome”, a empresa pagou bem mais barato pelas palavras com grafia errada (CPC baixo) e ainda viralizou. Só mesmo a criatividade humana para pensar e executar uma estratégia como essa.
- O poder da ambiência e da conexão
Eu não gosto muito da palavra ambiência porque ela é atualmente uma das queridinhas dos gurus, mas não consegui pensar em uma palavra melhor para representar um dos pontos que eu achei mais interessante de ter ido ao SXSW. Estar lá é viver uma densidade de conhecimento e de pessoas importantes (criadores de opinião e tomadores de decisão) e isso vale ouro.
Parece que de repente está “todo mundo ali” e o mais legal, fora de seu habitat natural, mais abertos para conhecer novas pessoas e aprofundar relações.
Para dar um exemplo, estar lá me deu a oportunidade de passar uma das manhã em um evento do Cubo Itaú, com os principais stakeholders desse ecossistema, celebrando os dez anos de Cubo (vai completar agora em 2025) e lançando um projeto que vai ditar os próximos dez anos (vem rebranding por aí?). Como eu disse, isso vale ouro.
- Mais em 2026
Eu voltei com uma certeza, preciso voltar a Austin em 2026. Meu sentimento é de que minha primeira participação serviu para eu aprender como funciona e quero muito ir ano que vem para absorver ainda mais conteúdo e conexões.
Inaugurado em setembro de 2015 pelo Itaú Unibanco em parceria com a Redpoint eventures, o Cubo Itaú é o mais relevante hub de fomento ao empreendedorismo tecnológico da América Latina, uma organização sem fins lucrativos que potencializa a conexão e a criação de negócios entre grandes empresas e startups. O Cubo Itaú está sediado na região da Vila Olímpia, em São Paulo, e, por meio de suas plataformas física e digital, contribui com o crescimento das mais de 500 startups curadas que fazem parte de seu portfólio e refletem mais de 25 segmentos de mercado, contemplando, assim, empreendedoras e empreendedores de todo o Brasil e de diversas regiões do mundo. O Cubo também apoia as transformações digital e cultural de corporações que representam as maiores indústrias da economia. Soma-se a isso a presença de uma comunidade dedicada a investidores, além de parceiros estratégicos. Mais informações podem ser encontradas em: https://cubo.network/.
Inaugurado em setembro de 2015 pelo Itaú Unibanco em parceria com a Redpoint eventures, o Cubo Itaú é o mais relevante hub de fomento ao empreendedorismo tecnológico da América Latina, uma organização sem fins lucrativos que potencializa a conexão e a criação de negócios entre grandes empresas e startups. O Cubo Itaú está sediado na região da Vila Olímpia, em São Paulo, e, por meio de suas plataformas física e digital, contribui com o crescimento das mais de 500 startups curadas que fazem parte de seu portfólio e refletem mais de 25 segmentos de mercado, contemplando, assim, empreendedoras e empreendedores de todo o Brasil e de diversas regiões do mundo. O Cubo também apoia as transformações digital e cultural de corporações que representam as maiores indústrias da economia. Soma-se a isso a presença de uma comunidade dedicada a investidores, além de parceiros estratégicos. Mais informações podem ser encontradas em: https://cubo.network/.