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As lições do esporte que levo para a vida, e aplico na Conta Simples

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Quem me conhece um pouco sabe que o esporte é algo que faz parte da minha vida e que isso é peça fundamental no meu dia a dia até hoje (e para sempre). Aos 12 anos, comecei a jogar basquete inspirado pelo meu irmão, que era um dos melhores jogadores da categoria dele na época. Sempre gostei de ir aos jogos e sentir aquela energia e emoção do jogo. Mais tarde, foi a vez de trocar de lado, ao invés de estar na arquibancada, estar em quadra. Neste artigo, vou compartilhar um pouco de todos os valores e aprendizados que o esporte me deu, e que hoje aplico constantemente na minha vida e também liderando a Conta Simples. E que você pode aplicar também.

Minha trajetória começou em Rio Claro, no interior de São Paulo, onde representei os times de categorias de base do sub-12 até o sub-19, e com uma rápida passagem pelo time profissional entre 2011 e 2012. Depois, fiquei um ano jogando na liga universitária dos Estados Unidos, pela Grand View University, em Iowa. Passado esse período retornei ao Brasil, e ali foram mais quatro anos pelo Insper, já numa fase mais amadora e por diversão. E em todos esses momentos vividos, levo grandes lições e valores aprendidos.

Durante esse tempo no esporte, posso dizer que consegui construir uma trajetória vitoriosa, sendo campeão brasileiro pela Seleção Paulista em 2012, duas vezes convocado para Seleção Brasileira de base, eleito melhor jogador da Liga Regional pelo Rio Claro e melhor jogador da Liga Universitária (NDU) pelo Insper, entre outras conquistas. 

Gosto de mencionar essas conquistas não com intuito de me gabar, mas para dizer que tive que ralar muito pra conquistar tudo isso. Tenho 1,80m de altura, nunca tive um porte físico muscular para o basquete, também não era o que pulava mais alto do time ou o mais rápido. Ou seja, para conquistar alguma coisa, sempre tive claro comigo que eu tinha que ser o que mais treinava, o que se dedicava mais, o que dava mais de si. E, aqui, entra o primeiro valor que o esporte me ensinou.

1) Para conquistar algo, se prepare e se dedique compativelmente ao tamanho do seu objetivo 

Gosto de falar que, se você quer chegar onde poucos chegam, você tem que fazer o que poucos fazem. Ponto. Não adianta querer ser o melhor time do campeonato, porém se dedicar igual à média. Minha rotina era acordar 6h da manhã, ir para escola, voltar para o almoço às 12h. Às 13h30, já estava no ginásio para o treino, onde ficava até as 17h e, depois, fazia um treino à parte, até as 18h30. Essa rotina foi dos meus 13 até 18 anos, antes de ir para os Estados Unidos. 

Detalhe: o treino começava às 14h, porém eu chegava 30 minutos antes para alongar e fazer um treino técnico. E esse tempo de 30 minutos em um dia pode parecer pouco, mas no longo prazo faz muita diferença. Na média, os jogadores da categoria, na época, treinavam 2 horas por dia, e eu treinava de 5 a 6 horas. No final do ano, isso representava uma diferença de 900 horas a mais de treino da minha parte. Ou seja, eu tinha 37 dias no final de um ano a mais de preparação do que a grande maioria dos jogadores da minha categoria. 

No primeiro ano jogando na base, eu não era nem o titular do meu time. Depois de 2 anos nesse ritmo de treino, o resultado veio: eu estava sendo eleito o melhor jogador da minha categoria no campeonato regional e sendo convocado para a Seleção Brasileira pela primeira vez. 

Como aplico isso hoje no meu dia a dia:

  • Eu troquei o treino por capacitação e aprendizado. Quanto mais conteúdo eu absorver, quanto mais livros eu ler, quanto mais networking eu fizer, quanto mais eu conversar com pessoas mais experientes, mais eu vou aprender e estar capacitado para o papel que preciso desempenhar. 
  • O mesmo se traduz para a quantidade de horas trabalhadas. Como empreendedor, se você quer criar uma empresa que cresce a dígitos duplos todo mês e sair de 10 colaboradores para 200 em 3 anos, o que foi o nosso caso, na Conta Simples, trabalhar 8 horas/dia, com certeza, não é o caminho para conseguir isso. Obviamente, o trabalho tem que ser produtivo e certo. Se você conseguir ser produtivo trabalhando 12/14 horas por dia, e fazendo isso durante alguns anos, pode ter certeza que isso te colocará à frente de muitos outros. 

Aí vem o segundo valor: o basquete não é um esporte individual e fazer tudo isso sozinho não é suficiente. Por isso, aqui entra o segundo grande aprendizado que levo do esporte, a  liderança.

Uma das minhas conquistas no basquete juvenil

2) Liderança:  a capacidade de influenciar comportamentos e atitudes visando um objetivo 

Quando se trata de um time, acredito que liderar é fazer com que as pessoas de um mesmo grupo tenham atitudes e comportamentos com um objetivo comum entre todos. E um dos meus maiores aprendizados no que diz respeito à liderança de pessoas é que cada pessoa é única e tem um jeito de lidar com as emoções e situações. 

Num time de basquete, é muito comum ter aquele jogador que fica extremamente motivado com um ginásio lotado torcendo, outros já não conseguem lidar com essa situação e acabam perdendo performance. Tem aqueles jogadores que funcionam muito bem quando recebem uma chamada mais agressiva do técnico e começam a jogar melhor, já outros se intimidam e não conseguem o mesmo resultado. 

É impressionante como, em um mesmo contexto ou situação, jogadores reagem de maneira totalmente diferente. Como líder de um time, sendo o técnico ou capitão (e este último era meu caso), é muito importante entender como cada pessoa funciona para conseguir extrair o máximo de cada um e, o mais importante, criar o que eu chamo de “bond” entre as pessoas do time, ou seja, a conexão ou entrosamento do trabalho em equipe. 

Com o conhecimento de como lidar com cada jogador, ficava muito mais fácil criar o alinhamento dos objetivos do time e também dos objetivos individuais. No final do dia, não importava como cada um reagia a cada situação, e, sim, que todos tivessem a máxima performance para conquistar o objetivo comum do time, o que no nosso caso sempre foi buscar títulos. 

Líder é aquele que consegue entender a motivação individual de cada pessoa dentro de um coletivo e direcionar todos para um objetivo único, sempre colocando o interesse do grupo acima de qualquer interesse individual (o que é mais difícil quando há pessoas com certo nível de egocentrismo). Se o objetivo coletivo for atingido, fazendo com que os objetivos individuais sejam conquistados ao mesmo tempo, o papel do líder foi exercido com excelência.

Trazendo isso para o ambiente de trabalho, acredito que todas as empresas deveriam deixar a missão e visão de longo prazo o mais clara possível para todos os colaboradores. Ao mesmo tempo, deveriam entender em nível mais profundo quais são as motivações de cada pessoa. Comprar uma casa, casar, fazer uma pós-graduação, viajar o mundo, se tornar uma referência no ramo de atuação, etc. Se os objetivos individuais estiverem alinhados com o objetivo macro da empresa, grande parte do papel da liderança está encaminhado. 

Paralelamente, é importante lembrar que cada pessoa tem um tipo de performance, independentemente das variáveis que estão envolvidas. Tem aqueles que trabalham melhor de casa, outros atuam melhor no escritório, tem os que são mais motivados pela manhã, outros, no período da tarde. Uns conseguem mais resultado quando estão sob pressão, outros já não. Entender tudo isso irá fazer de você um(a) melhor líder.

Buscar entender cada jogador e cada pessoa foi fundamental para todos os resultados conquistados até aqui. E é o que me leva a falar do terceiro aprendizado do esporte: autoconhecimento.

3) Autoconhecimento: agindo da melhor maneira em diferentes situações

Durante todos os anos jogando basquete em categorias de base, uma coisa que fui percebendo, ao longo dos anos, era o nível de amadurecimento que vinha conquistando ano após ano. Lembro até hoje do meu primeiro jogo, em 2007, Rio Claro x Mococa, e do carrossel de emoções que foi.

Na noite anterior ao jogo, mal conseguia dormir de tanta ansiedade. Chegando no ginásio e vendo toda aquela movimentação preparatória para o jogo, o nível de adrenalina e o frio na barriga começaram. Quando a bola subiu, era tensão a todo tempo, placar alternando a todo momento, jogo apertado. No final, saímos vitoriosos. E pra ser honesto, não lembro qual foi o placar. E independentemente de qual seja, o que mais marcou nesse dia foi o fato de lidar com todas essas emoções e perceber como agir a todo momento. 

Com o passar do tempo, me conhecendo melhor, foi possível controlar melhor a ansiedade antes de qualquer jogo, canalizar toda a adrenalina para o que era importante e, durante os momentos de tensão, me manter focado, evitando qualquer tipo de distração na quadra ou nas arquibancadas. Ao me conhecer melhor, eu conseguia conhecer melhor meus companheiros e, assim, ajudar da melhor maneira, em cada momento, e extrair uma melhor performance tanto minha quanto dos outros. 

Aplicando no meu dia a dia à frente da Conta Simples, entender minhas emoções me ajuda de diversas maneiras, seja para conduzir uma reunião, fazer uma tarefa mais operacional (não tanto prazerosa), uma conversa mais difícil ou qualquer outra situação. Ao ter domínio em cada situação, consigo buscar a minha melhor performance e canalizar a emoção para o lugar certo, e todos esses anos de esporte foram fundamentais para desenvolver essa habilidade. 

Quarto grande aprendizado:

4) Planejamento e estratégia te levam mais longe

O ano era 2012 e estávamos jogando o campeonato paulista sub-17. E por mais que o Rio Claro tivesse uma tradição forte no basquete, nas categorias de base não tínhamos muitos incentivos ou orçamentos que nos permitissem montar um time no mesmo nível de equipes de clubes da capital, como Pinheiros, Paulistano, Palmeiras ou até mesmo Franca (esse do interior). Por isso, sempre tivemos que trabalhar na escassez e montar times enxutos. 

E olhando pelo retrovisor hoje, vejo como essa situação me ensinou algo extremamente valioso, que era o planejamento e pensamento estratégico. Dentre os 18 times do campeonato, nosso time se configurava como uma força intermediária, ficando entre a 7ª ou 8ª melhor equipe. E possuíamos um time limitado, tendo uma rotação com oito jogadores que jogavam a maior parte do tempo. Diferente das equipes que estavam no topo de cima da tabela e que possuíam em torno de 10 a 12 jogadores na rotação. 

Sendo assim, condicionamento físico durante os jogos era algo fundamental. Foram inúmeros jogos contra os melhores times do campeonato em que conseguimos manter o placar próximo até o intervalo, ou até o 3º quarto. Mas, geralmente, no último quarto, já perdíamos para o físico e acabávamos derrotados. Mesmo assim, conseguimos nos classificar para a série Ouro, avançando para a próxima etapa do campeonato, o que era o planejado, pois, nessa etapa, todo o histórico zerava, e começava um novo campeonato, no qual todos os times avançavam para os playoffs. 

Sabendo disso, meu técnico tomou a decisão de abrir mão de tentar uma classificação entre os quatro melhores, para garantir a decisão jogando em casa, e preferiu poupar o time durante os jogos, focando em treinos físicos mais intensos no meio da temporada. A tática era deixar os outros times se desgastarem nos jogos, enquanto nós nos reforçávamos para o momento mais importante, os playoffs. Lembro até hoje dele falando: “Agora, esse jogo não vale nada, vamos ver o bicho pegar no mata a mata”. 

Resultado: nos classificamos em 7º lugar e pegamos o Limeira (2º) que, até então, só tinha perdido um jogo no campeonato. No primeiro jogo em casa, passamos por cima, ganhamos de 16 pontos de diferença, jogando com um ritmo de jogo que era difícil de acompanhar. No jogo de volta em Limeira, mais uma vitória (a primeira derrota deles em casa, em 1 ano), e assim, carimbamos a classificação para a semifinal. Já estávamos entre os quatro melhores time do estado. 

Na semifinal, contra o Pinheiros, não tivemos o mesmo desempenho e fomos decidir o 3º jogo contra o Franca, jogando como visitante num jogo decidido, literalmente no estouro do cronômetro, no qual ficamos com o 4º lugar, perdendo de um ponto. Na fase de classificação havíamos perdido por mais de 20 pontos de diferença (uma goleada se fosse futebol).

Ter todo o planejamento e a estratégia definidos de forma clara desde o início foi fundamental para o desempenho no campeonato que, mesmo com todas as restrições e limitações, conseguimos disputar de igual para igual com as melhores equipes e ainda ficar à frente com equipes que tiveram jogadores que mais tarde foram jogar na NBA, o que é o caso do Bruno Caboclo, que jogava por Barueri na época. 

Planejamento e estratégia hoje fazem parte quase que diariamente da minha rotina à frente da Conta Simples. Entender onde estamos hoje, onde queremos chegar num horizonte de 1, 2, 3 até 5 anos é fundamental para o direcionamento tático e operacional de toda liderança e time. Além do mais, é fundamental entender quais são todas as variáveis que possuímos na nossa mão e que podemos utilizar para atingir o plano: capital, pessoas, recursos e processos. Faz parte entender e equilibrar todas essas variáveis, pois são elas que vão determinar o sucesso do plano ou não. 

As decisões de alocação de cada uma dessas variáveis é como se fosse um quebra-cabeça. Elas precisam se encaixar como a engrenagem de um relógio, a fim de funcionar bem. Não adianta ter muito capital e pouco processo, você não vai conseguir escalar a operação. Ou, então, não adianta ter muitas pessoas e não ter capital suficiente para expansão acelerada da base de clientes (marketing) ou novos projetos. O importante é fazer o quebra-cabeça encaixar e não ter tudo em abundância. 

Talento, sorte, treino podem ganhar jogos, mas só planejamento e estratégia fazem você ter um “delta” gigante, diferença do ponto de partida até o ponto de chegada.

E, por fim, o último valor que gostaria de trazer e que foi muito valioso no meu tempo de esporte é o que eu chamo de aproveitar a jornada.

5) Enjoy the journey!

Assim como construir uma empresa, a carreira de um atleta necessita de muita resiliência: tem muita pressão, desgaste físico e emocional, além de uma dedicação de corpo e alma para alcançar o sucesso. Não é uma jornada trivial e envolve muito sacrifício. Se você encara tudo isso, buscando a satisfação e o prazer apenas nas conquistas, dificilmente você conseguirá seguir nessa jornada, que é dolorosa e nada glamurosa. Um atleta de 100 metros rasos treina durante 4 anos, ou mais exatos 1.460 dias de sacrifícios e dedicação extrema, para uma corrida que dura aproximadamente 10 segundos. Se o prazer estiver apenas nos 10 segundos, você nem começa essa jornada. 

Durante todo o meu tempo de basquete de base, sem sombra de dúvidas, muitos dos momentos felizes e de satisfação foram nas vitórias e conquistas de títulos, mas posso dizer que tão especial quanto esses momentos foram as viagens de ônibus com o time, em que íamos fazendo trote, piadas, dando risadas. Treinos intensos e que traziam uma sensação de evolução também eram momentos de prazer. Resenha pós-jogos com todo o time, em um restaurante meia-boca, tomando refrigerante Simba e comendo pastel. Enfim, esses e muitos outros momentos foram tão prazerosos quanto os outros e, até hoje, me dão uma nostalgia.

Sem dúvidas, aproveitar essa jornada e curtir esses momentos foi fundamental para fazer com que eu e muitos outros companheiros de time continuássemos nessa jornada. 

Aqui na Conta Simples, não é diferente: existe muita pressão envolvida, diversos projetos simultâneos acontecendo, imprevistos quase que semanais para resolver, nada muito diferente de qualquer scale-up. Assim como no esporte, é uma jornada de muita resiliência, dedicação e sacrifícios. Sabendo disso, meu conselho é nunca focar apenas na meta anual batida ou em uma rodada de investimento bem-sucedida. É importante celebrar e dar importância para cada detalhe.

Seja a entrada de um novo colaborador, a promoção de alguém, a conquista da implementação de uma feature, mesmo que seja algo pequeno, as risadas durante os almoços (ou nos calls hoje em dia). Cada detalhe e cada momento são especiais, e são eles que vão fazer você continuar nessa jornada, motivado e com uma sensação de satisfação.

Lembro sempre do corredor de 100 metros rasos. São 1.460 dias para uma corrida de 10 segundos. Empreender não é muito diferente disso. Você precisa estar motivado nos 1.460 dias, os 10 segundos serão consequência de tudo o que você fez antes.

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