Startup Summit 2025

Além da Faria Lima: Série do Startups inspira discussão no Startup Summit 2025

Empreendedores destacaram como é possível furar a bolha da Faria Lima e atrair atenção mesmo fora do principal centro financeiro do país

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Painel contou com a mediação de Gustavo Brigatto, CEO do Startups, e a participação de Daniele Amaro, cofundadora da Paytrack, e Diego Contezini, cofundador e CEO do Asaas
Painel contou com a mediação de Gustavo Brigatto, CEO do Startups, e a participação de Daniele Amaro, cofundadora da Paytrack, e Diego Contezini, cofundador e CEO do Asaas (Imagem: Giulia Frazão/Startups)

Quando se fala em inovação e empreendedorismo no Brasil, muitas vezes os holofotes se voltam para a Faria Lima, em São Paulo, considerada por muitos o “coração financeiro” do país. Mas grandes ideias não se limitam à capital paulista: elas estão surgindo em diferentes estados, mostrando que o futuro dos negócios pode nascer em qualquer lugar.

Esse foi justamente o tema da palestra Além da Faria Lima – como a inovação vindo de outros estados está revolucionando o mercado, realizada nesta quinta-feira (28), durante o segundo dia de Startup Summit. Inspirado pela série de matérias de Além da Faria Lima do Startups, o painel contou com a mediação de Gustavo Brigatto, CEO do portal, e trouxe as visões de Daniele Amaro, cofundadora da Paytrack, e Diego Contezini, cofundador e CEO do Asaas.

Ao lado dos dois convidados, o mediador ressaltou que casos como o da Paytrack, de Blumenau, e do Asaas, de Joinville, provam que é possível furar a bolha, uma vez que, apenas nos últimos 12 meses, as duas startups juntas captaram cerca de R$ 1 bilhão.

Captou, e agora?

Ao ser provocado por Gustavo sobre a sensação de captar cifras tão altas, o CEO do Asaas foi direto: a comemoração dura pouco, porque logo em seguida vem a pressão. “Todas as vezes é assim, você capta o dinheiro, e no dia seguinte, tem no mínimo mais um chefe, alguém que te responde, que vai te cobrar a métrica, número, dado, resultado e governança”, relata.

Já Daniele opinou que captar um grande aporte não significa, por si só, furar a bolha. “Não é a gente que fura a bolha. É ao contrário, a gente é a bolha. Eu costumo dizer que a Faria Lima e o pessoal dos fundos são como um tubarão que sente cheiro de sangue. Eles descobrem onde estão os bons negócios”.

Estar fora de SP ainda é uma barreira?

Diego destacou ainda que empreendedores de fora do eixo paulista enfrentam uma barreira cultural no relacionamento com investidores. Segundo ele, o chamado “Faria Limer”, como brincou ao se referir ao perfil típico do investidor da Faria Lima, tende a buscar fundadores com hábitos, trajetórias e até comportamentos semelhantes aos seus.

O lado ruim é que esse filtro acaba por, muitas vezes, dificultar a aproximação de negócios de outras regiões, como o Sul, neste caso, onde a forma de se comunicar e trabalhar é diferente do usual de São Paulo. Apesar disso, o executivo defendeu que, muitas vezes, resultados consistentes acabam se sobrepondo a essas diferenças. “Existe um pouco de impacto. Mas, no fim do dia, o trabalho bem realizado vence”, aponta.

O CEO do Asaas também ressaltou a força do ecossistema catarinense, especialmente na área de software. Diego lembrou que a região já conta com casos de sucesso — como a RD Station — e que esses exemplos ajudam a abrir caminho para novas startups. Para o empreendedor, o acúmulo de histórias positivas faz com que investidores, antes concentrados no eixo Rio-São Paulo, passem a olhar para outras regiões com maior atenção.