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Alguém aí falou profissionalização da gestão? A Unico, unicórnio nacional do mercado de identidade digital, foi ao mercado para buscar um novo CEO. O escolhido, Sergio Chaia, executivo de vasta experiência no setor de tecnologia. Com isso, o fundador e ex-CEO Diego Martins assumirá um novo papel – o de CTO global – focando em planos de internacionalização.

Sergio assumirá como CEO Brasil da Unico, trazendo a sua experiência em companhias como a Nextel, onde foi CEO entre 2006 e 2012, quando liderou um momento de crescimento na operadora. No caso da Unico, ele já tinha uma relação com a companhia, trabalhando como advisor no último ano – além disso, ele tem uma relação próxima com Diego Martins, atuando como mentor do founder desde os estágios iniciais da idtech.

“O Chaia tem uma experiência consistente e um sólido histórico de liderança estando à frente de grandes empresas. Indicá-lo ao cargo de CEO foi um caminho natural. Por conhecer profundamente nosso negócio e por toda sua expertise, dará continuidade ao trabalho já em curso, ampliando a seniorização dos times e adotando as melhores práticas de governança corporativa para fortalecer a cultura e as entregas da companhia”, destaca Diego, em comunicado.

Desde a sua saída da Nextel em 2012, Sergio Chaia estava distante do comando de grandes empresas, focando em uma carreira de coach e mentor de outros empresários. Entretanto, ele resolveu aceitar o convite da Unico para ajudar a companhia a dar novos saltos.

“Agora queremos dar um novo passo para o futuro da companhia e levar a Unico a outros patamares de escala e relevância global. Queremos evitar a sensação de estabilidade, de viver do que plantamos no passado e manter nossa capacidade de inovar e elevar a barra do mercado”, afirma Sergio.

Quanto ao ex-CEO, o plano de Diego é capitanear os esforços internacionais da idtech, que já está presente no México desde o ano passado e estabeleceu uma carteira inicial de clientes. Segundo destacou o agora CTO Global no ano passado, os Estados Unidos são os próximos na mira da empresa, assim como o mercado europeu, onde a Unico deve entrar por Portugal.

Outra mudança na estratégia da companhia foi o spin-off da Unico Skill, sua vertical de educação em que empresas fornecem cursos e faculdades relacionados à segurança da informação, pagando uma mensalidade para a Unico. Lançado no ano passado, o produto passou dos R$ 20 milhões em receita, ganhando corpo para ser uma operação separada da idtech – e deve inclusive buscar uma rodada própria, em breve.

Contudo, voltando ao core business, com a guinada rumo ao mercado internacional, a empresa deverá levar para fora do país o recente esforço de diversificação de portfólio realizado por ela. No começo do ano passado, foi lançado o UnicoIDPay, solução voltada a atender clientes de varejo, expandindo seu foco para além das instituições financeiras, ramo em que a empresa se destacou inicialmente. Já no fim de 2023, ela colocou no mercado o IDUnico, tecnologia de biometria facial com 100% de precisão, uma solução para atrair clientes em áreas como telecom e companhias aéreas.

Arrumando a casa

A chegada de Sergio Chaia é mais um indício de que a Unico está promovendo a chamada “profissionalização da gestão”, um movimento que empresas costumam fazer para deixar a casa arrumada para um possível IPO. O rumo de um plano de oferta pública para a Unico não é algo novo, mas devido ao esfriamento do mercado nos últimos dois anos, ficou em banho-maria.

Contudo, com o esperado aquecimento do mercado para este ano e o próximo, o papo de IPO para unicórnios como a Unico e a Creditas, por exemplo, voltou a ser um assunto, o que torna este movimento da idtech ainda mais significativo.

Sergio não é o primeiro executivo C-level que a Unico buscou no mercado recentemente. Em dezembro, a idtech contratou Mauricio Teixeira, ex-Hapvida e veterano do mercado, para a cadeira de CFO, o que foi descrito pelo então CEO Diego Martins como uma jogada para focar em crescimento.

Vale lembrar também que, segundo fontes de mercado, a ideia de trazer um experiente executivo para a cadeira de CFO partiu da General Atlantic, que investiu na Unico em 2021. Ela entrou ao lado do SoftBank na série C de US$ 120 milhões que transformou a idtech em unicórnio.

O que também vale salientar é que apenas um mês após a chegada de Mauricio Teixeira como CFO, a Unico promoveu a sua segunda onda de demissões em cerca de um ano. Em janeiro do ano passado, a idtech unicórnio demitiu cerca de 110 funcionários (10,5%) do quadro, sendo que já tinha demitido em outubro de 2022. Em janeiro passado, a empresa fez cortes de novo, com impactos ainda maiores: 20% da força de trabalho (cerca de 200 pessoas) foi dispensada.

Agora resta saber como todas essas manobras vão se desenrolar em 2024, se a Unico de fato está de olho no mercado para possíveis novas rodadas ou um IPO. Entretanto, como diria o eterno candidato à presidência do Brasil, Eymael: “Sinais, fortes sinais”.

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