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Investimento anjo – o que é e como atrair investidores anjos.

investimento anjo

Se você acredita no seu produto, mas faltam recursos financeiros para conseguir desenvolvê-lo no mercado, buscar um investimento anjo pode ser a melhor opção. Esses investidores estão dispostos a assumir uma parte dos custos iniciais de uma empresa. Além de, muitas vezes, também ajudarem com mentoria. 

Grandes nomes como Jeff Bezos, fundador da Amazon, é um exemplo de investidor-anjo que está sempre apostando em novos negócios. Entre seus investimentos anjos escolhidos podemos citar a Uber, Plenty e Fundbox. 

Esse tipo de apadrinhamento já existe há um bom tempo nos Estados Unidos e em outros países. E, para a alegria dos empreendedores brasileiros, ele também tem ganhado espaço por aqui. Se você quer entender melhor o que é um investidor-anjo, o cenário atual e o que essas pessoas levam em consideração na hora de escolher uma startup para investir, continue lendo!

O que é investimento anjo?

Um investidor-anjo (termo originado do inglês angel investment) é um indivíduo (ou grupo) que decide investir seu próprio dinheiro em um negócio que apresenta grande potencial de retorno, como as startups. Eles podem desempenhar um papel crucial no crescimento de uma empresa que está começando. 

Embora não seja uma regra, é bem comum que esses investidores sejam fundadores ou mesmo CEOs que já trilharam um caminho de sucesso com a sua própria startup. E, agora, querem ajudar novas ideias a ganharem espaço no mercado.

Além disso, o investimento anjo não precisa ser feito apenas por uma pessoa, ele pode acontecer em um grupo de dois a 30 investidores. Com isso, os riscos são diluídos e também o processo de mentoria é compartilhado. Em média, no Brasil, o valor total investido em uma empresa fica entre R$50 mil a R$200 mil. Em outros mercados como o EUA, o valor pode ser maior, podendo chegar até R$ 1 milhão, na média. 

Em suma, investimento anjo (angel investment) é o investimento feito por pessoas fisícas no primeiro estágio das startups para viabilizar o nascimento e a validação do produto/serviço dessa empresas nova. Nesse estágio, essas pessoas são popularmente chamada no ambiente das startups de FFF (friends, family and fools – amigos, famílias e tolos).

Investidor-anjo não é sócio 

É importante dizer que o investidor-anjo não é considerado um sócio da startup. 

Desde o início de 2017, a Lei Complementar Nº 155, que regulamenta a prática esclarece que o investidor-anjo não é considerado sócio. Com isso, ele não é responsável por nenhuma dívida feita pela empresa, inclusive em recuperação judicial.  

A Lei tem como principal objetivo incentivar os investimentos nas startups e proteger o investidor-anjo. Por outro lado, para você essa determinação também significa que a administração da empresa continua em suas mãos. Já que o investidor não pode interferir nas decisões da startup. 

Já em relação à remuneração do investidor-anjo, a Lei diz que o prazo máximo para recebimento dos aportes feitos é de cinco anos, não podendo ser superior a 50% dos lucros conseguidos. 

Além disso, também é estabelecido o prazo mínimo de dois anos para que aconteça qualquer resgate. Assim, o empreendedor consegue desenvolver uma estabilidade.

Origem do termo

A palavra “anjo” era utilizada no passado para se referir a indivíduos ricos que faziam parte da comunidade teatral da Broadway, nos Estados Unidos. Essas pessoas investiram seu dinheiro em espetáculos e produções artísticas para evitar que elas fechassem as portas. 

Hoje, como você viu acima, o termo passou a ser utilizado para se referir aos investidores que ajudam startups em seu começo. 

investidor anjo
Foto: Crunchbase

Investimento anjo: dados Brasil x EUA

Nós já comentamos que é comum que o investidor-anjo seja alguém que trilhou o caminho do empreendedorismo anteriormente. E, nesse tópico, vamos olhar para alguns dados divulgados sobre o cenário desse tipo de investimento no Brasil e no Estados Unidos.

Uma pesquisa divulgada em 2018 pela associação Anjos do Brasil encontrou os seguintes dados:

  • Entre 2016 e 2017, houve crescimento de 16% no valor investido, chegando a R$ 984 milhões;
  • Entre as razões citadas para o crescimento estão: Lei 155, divulgação dos unicórnios PagSeguro, Nubank e 99 e queda nas taxas de juros;
  • Em 2017, o Brasil contava com 7615 investidores-anjo;
  • 90% dos investidores brasileiros são homens e apenas 10% mulheres.

Nos EUA

Uma pesquisa da Angel Capital Association nos Estados Unidos mostrou que, em 2017, a média de investimentos-anjo feita por ano foi de U$24 bilhões. O que ajudou cerca de 64 mil startups.  

Além disso, temos os seguintes dados:

  • 55% dos investidores-anjo eram antigos CEOs ou fundadores de startups;
  • Investidores que já foram empreendedores costumam fazer um aporte maior;
  • 22% dos investidores-anjo são mulheres;
  • 51% dos investidores-anjo têm formação em tecnologia.

“Investimento anjo (angel investment) é o investimento feito por pessoas fisícas no primeiro estágio das startups para viabilizar o nascimento e a validação do produto/serviço dessa empresas nova.”

O que um investidor-anjo busca

Mesmo que o investidor-anjo possa desempenhar até um papel de conselheiro para uma startup que está iniciando, ele ainda é um investidor. Isso quer dizer que, além da paixão, ele também busca negócios com alto potencial, em que possa ter um bom retorno sobre o seu investimento. 

É, por isso, que modelos de negócio recorrentes quando bem estruturados costumam ser bem atrativos. Pois eles trabalham com receita previsível e tem capacidade de escalar. Eu particularmente, ao analisar um investimento anjo, prefiro seguir convicções próprias do tipo:

  • Só investir em quem já conheço ou admiro (mesmo que o produto ainda esteja em construção);
  • Em second timers (empreendedores de segunda viagem, que já montaram um negócio e sabem as dores de montar uma empresa no Brasil);
  • Em startups que eu conheça o mínimo do mercado e enxergue a oportunidade de ajudá-los;
  • Em empresas que outros empreendedores (que admiro e confio) estão investindo;
  • Negócios com um time mínimo (mesmo que com duas ou três pessoas);
  • SaaS e Fintechs (preferencialmente).

Não sigo uma lógica fechada, mas tem um certo padrão.

Abaixo, separamos os principais fatores que um investidor-anjo considera antes de aplicar seu dinheiro. 

1 – Gestão qualificada

Identificar fundadores que tenham conhecimento do seu mercado, sejam apaixonados pelo seu produto e comprometidos a fazê-lo dar certo é uma das qualidades que um investidor-anjo busca em qualquer startup.

E não é difícil entender o motivo. Afinal, você arriscaria seu dinheiro para financiar um negócio que nem a pessoa que criou acredita? Achamos que não. 

A equipe de gestão é bem importante para chamar a atenção dos investidores. Já que são eles os responsáveis por colocarem o plano de negócio em prática. 

2 – Oportunidade de mercado

Um amplo mercado atrai mais investidores. Pois isso significa que a empresa poderá crescer com rapidez e gerar muito mais vendas. 

Um dos termos mais usados entre as startups é escalar. E isso quer dizer que ela tem potencial para expandir muito o número de clientes, usuários e faturamento de forma acelerada. Mas sem precisar aumentar seus custos de operação na mesma proporção.

Como exemplo podemos citar o Airbnb, já que para aumentar sua receita, ele não precisava gastar com construções de hotéis em cada cidade, o que levaria tempo e dinheiro. Seu crescimento dependia de atrair mais ofertas por meio dos donos de propriedades e demanda com viajantes interessados.   

Por último, um amplo mercado também significa mais confiança para um investidor-anjo porque se no futuro a startup estiver com dificuldades, ela pode ser vendida para um concorrente. Isso se chama exit strategy, vamos falar dela logo mais. 

3 – Produto ou serviço de qualidade

Diversos fatores podem influenciar no crescimento de uma startup, mas, sem dúvidas, ter um produto de qualidade ou oferecer um serviço com excelência é um dos principais.

Por isso, um investidor-anjo busca empresas que podem se tornar líderes de mercado, que ofereçam uma vantagem competitiva em relação aos outras marcas que já existem. Pode ser por meio de uma qualidade diferenciada, valores mais atrativos ou mesmo um excelente atendimento ao cliente.

É preciso que seu produto ou serviço solucione um problema real e que possua alta demanda. Se o seu negócio for capaz de se tornar líder de mercado as chances de retorno para o investidor é maior, o que a torna mais atrativa.

4 – Plano de negócio sólido

A maioria dos investidores-anjo vão buscar por um plano de negócio (business plan) convincente e bem estruturado. Eles querem se certificar que você tenha uma visão clara para sua startup. E mais, que você já pensou em estratégias de como atingir seus objetivos.

Então, não subestime a criação de um plano de negócio e não se esqueça de incluir projeções financeiras, estratégias de marketing e qualquer outra tática voltada para o seu segmento. 

Uma ferramenta famosa para criar seu plano de negócio é o Business Model Canvas. Ele funciona como um mapa visual e permite que você explore as áreas mais importantes que envolvem sua startup.

5 – Estratégia de saída      

Uma informação importante para o investidor-anjo é a chamada estratégia de saída, nós já citamos ela acima. Seu objetivo é oferecer opções sólidas caso a startup não obtenha os resultados esperados.

Podemos dizer que a estratégia de saída funciona como uma “garantia” para os investidores. Pois, eles conseguem visualizar como poderão ter seu retorno sobre o investimento mesmo se a empresa não atingir sua meta. 

Um exit strategy (estratégia de saída – de venda) deve constar em seu plano de negócios e precisa ser detalhada. Algumas opções podem ser:

  • A venda da sua startup para um concorrente;
  • A venda parcial ou fusão da empresa com capital privado;
  • IPO que consiste na abertura de capital da startup, oferecendo ações na bolsa.

Como conseguir um investimento anjo

Para que a sua busca seja bem sucedida, é preciso que você saiba qual é o melhor momento para conseguir um investidor-anjo. Assim, você não desperdiça nenhuma oportunidade.

Se você acabou de ter uma ideia brilhante e reuniu alguns amigos, talvez ainda não seja a hora certa. O melhor é amadurecer a ideia, criar seu plano de negócio e desenvolver um MVP (Produto Mínimo Viável). 

Depois, busque alguns clientes, eles serão essenciais para validarem a usabilidade do seu produto ou serviço. E quando for o momento de fazer sua ideia decolar no mercado, você precisará de recursos financeiros. Então, essa será a hora de buscar o investidor-anjo.

1 – Saiba o perfil que você quer

É claro que o investidor-anjo precisa aceitar aplicar dinheiro no seu negócio. Mas, o fato é que você terá mais chances de ganhar um sim se souber antes com quem você está falando.

Para isso, você pode criar uma lista com o nome dos investidores-anjo que você gostaria de ter na sua startup. Faça uma pesquisa para conhecer o histórico de investimentos dessa pessoa, identifique os pontos em comum.

Depois de analisar essas informações você terá mais chances de criar uma apresentação que chamará atenção.

2 –  Crie uma rede de contatos

Networking costuma ser uma das maneiras mais eficientes de chegar até um investidor-anjo. E, se você for recomendado por alguém que ele já conhece, provavelmente terá mais chances de conseguir um contato e até ganhar o investimento.

Uma boa maneira de criar sua rede de contatos é passar a frequentar eventos que acontecem no seu mercado. Você também pode procurar comunidades relacionadas, sejam virtuais ou físicas.

3 – Busque associações  

Pode até acontecer de um investidor-anjo resolver investir sozinho em sua startup. Porém, é bem mais comum que eles façam parte de associações e acabem aplicando em conjunto. Dessa maneira, é possível compartilhar os riscos e apostar em mais de um negócio ao mesmo tempo.

Então, você pode procurar associações que ajudam a conectar investidores com startups. Nossa recomendação é o site Angelist, que reúne materiais, sindicatos e principais dados sobre investimento anjo no mundo. Lá, tem bastante perfis de investidores anjos brasileiros.

4 – Crie um pitch irrecusável

O pitch é uma apresentação objetiva que deve ressaltar os aspectos positivos do seu negócio. Ele deve despertar o interesse dos investidores e demonstrar a razão pela qual eles deveriam escolher aplicar o dinheiro no seu negócio.

Na hora de criar seu pitch você deve pensar em questões como: qual é o problema que meu produto ou serviço resolve? Qual o meu diferencial em relação aos concorrentes? Quem é minha equipe e porque ela é a certa.

Exemplos de startups que já receberam investimento anjo

Google 

Uma das maiores empresas da história, o Google, recebeu investimento-anjo em seu começo. Os dois primeiros investidores foram Andy Bechtolsheim e Ram Shriram. Embora os valores desses investimentos não sejam amplamente divulgados, acredita-se que hoje a quantia equivale a cerca de U$ 2.5 bilhões. O mais famoso investidor anjo do Google é o Ron Conway, que também investiu em mais de 650 empresas como por exemplo PayPal e Facebook.

EverFi

A startup recebeu U$ 190 milhões de Jeff Bezos em 2017. A plataforma oferece cursos digitais que ensinam habilidades para a vida, como: gestão financeira pessoal, saúde e bem-estar, carreira entre outros assuntos. Nem poderia ser considerado um investimento anjo, mas esse acordo ficou famosos na época.

Gympass

A startup brasileira teve alguns dos mais bem sucedidos investidores anjos brasileiros. Alguns empreendedores fizeram a primeira rodada dessa startup que já é considerada unicórnio. A empresa já recebeu mais de R$300 milhões de investimentos.

Descomplica

A startup que ajuda pessoas a vencerem as provas do Enem recebeu investidores anjos que estiveram na fundação de empresas como Buscapé por exemplo.

Conta Azul

Outro grande case de investimento anjo é o Conta Azul, que passou por todos os estágios de uma startup de tecnologia. Executivos e outros empreendedores fizeram a primeira rodada anjo da empresa.

Vale uma dica final nossa: o melhor investidor anjo é o empreendedor. Empreendedores sabem na prática, as dores e desafios de estágios diferentes de uma empresa.