
A novela sobre a compra da Warner Bros. Discovery pela Netflix está longe de acabar. O que começou como um acordo histórico para redefinir o mercado global de streaming agora avança para um novo capítulo político. A negociação chegou ao Senado dos Estados Unidos, onde deve ser analisada sob a ótica da concorrência, concentração de mercado e impacto sobre a indústria de mídia e entretenimento.
Ted Sarandos, co-CEO da Netflix, deve depor em uma audiência no Senado em fevereiro para discutir a proposta de aquisição de US$ 82,7 bilhões dos negócios de estúdios e streaming da Warner, segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (22) pela Bloomberg. A expectativa é que ele responda a questionamentos sobre governança, concentração de mercado e impactos competitivos da união entre as duas companhias.
Bruce Campbell, diretor de estratégia da Warner Bros., também planeja comparecer à audiência, segundo a reportagem.
A Warner Bros Discovery concentra alguns dos ativos mais valiosos da indústria de entretenimento, incluindo estúdios de cinema e televisão e uma ampla biblioteca de conteúdo. Dono também do HBO Max e HBO, o grupo reúne franquias como Harry Potter e personagens da DC Comics, como Batman e Superman.
Segundo analistas, caso HBO Max e Netflix consolidem essa união, nascerá um gigante de mais de 400 milhões de assinantes, duas vezes maior que o segundo maior serviço no planeta – o Amazon Prime, que tem 200 milhões de assinantes.
A discussão acontece em meio a um ambiente regulatório cada vez mais atento à concentração de players e ao poder de mercado das grandes plataformas de streaming — especialmente nos Estados Unidos, onde a cobertura legislativa e a atuação de comissões como a Federal Trade Commission (FTC) ampliaram seus escrutínios sobre grandes fusões e aquisições.
Oferta em dinheiro
A Netflix ajustou os termos de sua oferta pela Warner nesta semana, convertendo o acordo para uma proposta totalmente em dinheiro, no mesmo valor de US$ 82,7 bilhões já acertado, com apoio unânime do conselho da Warner Bros. Discovery.
Essa mudança — de um mix de dinheiro e ações para uma transação 100% em caixa — é vista como uma jogada estratégica para reduzir incertezas para os acionistas da Warner e dificultar a vida da rival Paramount Skydance, que vinha oferecendo mais dinheiro por ação em uma oferta hostil avaliada em US$ 108 bilhões.
O conselho da Warner tem mantido sua preferência pelo acordo com a Netflix, apesar dos esforços da Paramount, que estendeu recentemente o prazo de sua oferta hostil até 20 de fevereiro de 2026. Nas últimas semanas, a Paramount vem tentando conquistar mais apoio entre os acionistas e até recorreu à Justiça para tentar acessar detalhes da negociação com a Netflix.
Recentemente, a Paramount Skydance levou a disputa para o cenário político europeu e chegou a envolver o presidente da França, Emmanuel Macron. Executivos seniores da Paramount teriam se reunido com o chefe de Estado francês e com altos funcionários do governo como parte de uma estratégia para angariar apoio internacional à operação. O movimento fez parte de uma ofensiva mais ampla no continente europeu, que também incluiu reuniões com autoridades do Reino Unido, em Londres.