Reid Hoffman é co-fundador do LinkedIn e um dos maiores nomes do Vale do Silício | Foto: Divulgação / Greylock
Reid Hoffman é co-fundador do LinkedIn e um dos maiores nomes do Vale do Silício | Foto: Divulgação / Greylock

O bilionário Reid Hoffman, um dos fundadores do LinkedIn, publicou um artigo nesta quinta-feira (29) pedindo que os empresários do Vale do Silício parem de se curvar ao presidente Donald Trump. Depois da morte de dois cidadãos americanos por agentes do ICE (o serviço de imigração do país) em Minneapolis, Reid afirma que é preciso que os empresários deixem de ter uma postura neutra em relação ao governo.

Na carta publicada no The San Francisco Standard, Reid diz que, desde o início do mandato de Trump, muitos líderes do Vale do Silício abriram mão da responsabilidade de denunciar os excessos da administração do republicano, alegando que é preciso trabalhar com quem está no poder. “Os trágicos acontecimentos de janeiro em Minneapolis deveriam pôr fim a essa postura”, afirma.

Reid acrescenta que empresas e figuras influentes no setor de tecnologia e inovação têm poder econômico, social e de plataforma, e que deixar esse poder de lado em momentos de crise não é apenas um erro moral, mas também um risco para o próprio setor. “Esperança sem ação não é uma estratégia — é um convite para Trump pisar no que puder ver, incluindo nossos próprios interesses de negócios e segurança”, escreve.

Conhecido por ter fundado o LinkedIn ao lado de Allen Blue, Konstantin Guericke, Eric Ly e Jean-Luc Vaillant, Reid Hoffman se tornou um dos principais nomes do Vale do Silício. Além de empreendedor, ele é sócio da gestora de venture capital Greylock Partners e foi investidor inicial de empresas como Airbnb, Facebook, Dropbox e Zynga.

No artigo, ele aponta diretamente para a série de incidentes em Minneapolis, onde agentes federais de imigração mataram duas pessoas — a dona de casa Renee Good e o enfermeiro Alex Pretti — em confrontos separados em poucos dias, e depois pareceram minimizar ou distorcer as circunstâncias dos eventos, mesmo quando vídeos contradiziam essas narrativas oficiais.

Reid classifica os episódios como um alarme nacional e afirma que, embora Trump tenha prometido ruas e bairros mais seguros, o saldo de sua administração tem sido “mais morte pelas mãos do governo, mais medo, e uma crença crescente de que o Estado está usando a força como escolha afirmativa”.

O cofundador do LinkedIn menciona ainda que outras figuras do Vale do Silício começaram a se manifestar, mas que isso ainda não é suficiente. Ele sustenta que líderes empresariais precisam ir além de apenas condenar episódios isolados e trabalhar ativamente para influenciar políticas que, segundo ele, violam valores democráticos fundamentais.

Recentemente, CEO da OpenAI, Sam Altman, o CEO da Apple, Tim Cook, e o CEO da Anthropic, Dario Amodei, chegaram a manifestar preocupação com os incidentes envolvendo o ICE. Em alguns casos, isso foi feito por meio de memorandos internos que vazaram. Mas a maioria deles buscou dissociar essas preocupações da imagem do presidente Trump.

Para Reid, a resposta adequada passa por ações concretas: ligar para representantes políticos, conversar com amigos e colegas, doar tempo e recursos para movimentos de base e aprender com a organização de protestos liderados por moradores de Minnesota.

“Mais urgente: mais de nós precisamos parar de tratar o caos trumpista como um teatro político do qual é possível simplesmente se ausentar. É hora de todos nós fazermos e dizermos mais”, finaliza.