Fachada no edifício do Federal Reserve em Washington DC Foto Shutterstock
Fachada no edifício do Federal Reserve em Washington DC | Foto Shutterstock

O cenário para a política monetária dos Estados Unidos tem passado por revisões expressivas nas últimas semanas, com grandes instituições financeiras afastando expectativas de cortes de juros em 2026 e até projetando uma alta das taxas no ano seguinte. A revisão de previsões ocorre à medida que dados econômicos sugerem resiliência no mercado de trabalho e inflação ainda persistente, redefinindo o que analistas consideram provável para o ciclo de juros do Federal Reserve (Fed).

Um dos movimentos mais inesperados veio do JPMorgan, que não só retirou sua projeção de cortes de juros em 2026, como passou a estimar que o próximo movimento da autoridade monetária norte-americana será um aumento de 25 pontos-base no terceiro trimestre de 2027. Essa mudança marca um afastamento do consenso anterior do mercado, que vinha apostando em início de flexibilização ainda neste ano.

Outros grandes nomes de Wall Street também ajustaram suas projeções. O Goldman Sachs e o Barclays, que anteriormente esperavam cortes já em março e junho de 2026, agora veem reduções de juros apenas em setembro e dezembro, respectivamente. O Morgan Stanley também revisou suas estimativas para junho e setembro de 2026, em vez do início do ano.

Na semana passada, o UBS havia anunciado um adiamento semelhante em suas expectativas para o ciclo de afrouxamento monetário pelo Fed. Em relatório divulgado pelo banco suíço, os primeiros cortes nas taxas de juros dos EUA foram postergados para julho de 2026, com uma nova redução prevista apenas em outubro. Antes, a projeção apontava para movimentos em janeiro e setembro deste ano.

Apesar dos dados econômicos, ainda existe a chance de que um corte nos juros dos EUA venha com a nomeação do novo presidente do Fed, que deverá ser um nome mais alinhado a Donald Trump. O mandato de Jerome Powell, atual presidente do banco central norte-americano, termina em maio deste ano.

Powell tem enfrentado as pressões de Trump por cortes mais profundos nas taxas de juros, enquanto adota uma postura mais cautelosa, priorizando o controle da inflação.

As taxas de juros dos EUA afetam diretamente os juros no Brasil, que precisa manter suas taxa sempre um pouco acima, refletindo o prêmio de risco associado à situação fiscal do país. Ou seja, se os EUA não realizarem cortes nos juros, o espaço para que o Brasil faça o mesmo fica bem mais limitado.