
A briga bilionária pelo controle da Warner Bros. Discovery ganhou contornos diplomáticos. Em mais um capítulo da ofensiva contra a Netflix, a Paramount Skydance levou a disputa para o cenário político europeu e chegou a envolver o presidente da França, Emmanuel Macron, em conversas sobre sua oferta hostil de US$ 108,4 bilhões pela companhia de mídia, que é dona do HBO Max e de canais como Discovery e CNN.
Executivos seniores da Paramount teriam se reunido com Macron e com altos funcionários do governo francês como parte de uma estratégia para angariar apoio internacional à operação, segundo pessoas a par do assunto. O movimento faz parte de uma ofensiva mais ampla no continente europeu, que também incluiu reuniões com autoridades do Reino Unido, em Londres. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (15) pela Bloomberg.
Nas últimas semanas, a Paramount tem intensificado suas ações para impedir que a Warner siga adiante com o acordo de aquisição feito pela Netflix. Apesar de a oferta da gigante do streaming ser de valor mais baixo, de US$ 82,7 bilhões, a proposta foi considerada superior à da Paramount pela companhia.
Em carta enviada aos acionistas, o conselho da Warner detalhou que a proposta da Paramount envolvia riscos financeiros, operacionais e regulatórios significativamente maiores do que o acordo já firmado com a Netflix.
Os questionamentos sobre a capacidade da Paramount de honrar com a oferta envolveram até mesmo o bilionário Larry Ellison, cofundador da Oracle. Ele é pai de David Ellison, CEO da Paramount após a fusão com a Skydance, e se comprometeu a garantir pessoalmente US$ 40 bilhões da oferta pela Warner. No entanto, a garantia não foi suficiente para a companhia.
Membros do conselho também demonstraram preocupação com o elevado nível de endividamento que resultaria da combinação entre Warner e Paramount, além de potenciais desafios operacionais na integração de dois grandes conglomerados de mídia tradicionais. A empresa resultante reuniria estúdios de cinema, canais de TV a cabo e plataformas de streaming que já enfrentam pressão estrutural pela migração do público para serviços digitais.
As negativas da Warner não convenceram a Paramount, que na semana passada divulgou comunicado deixando claro que a sua proposta ainda estava valendo. Não satisfeita, nesta segunda-feira, a companhia entrou com uma ação judicial contra a Warner, para ter acesso a detalhes financeiros do acordo firmado com a Netflix.
A Warner Bros Discovery concentra alguns dos ativos mais valiosos da indústria de entretenimento, incluindo estúdios de cinema e televisão e uma ampla biblioteca de conteúdo. O portfólio reúne franquias como Harry Potter e personagens da DC Comics, como Batman e Superman.
O controle desses ativos é visto como estratégico tanto pela Netflix quanto pela Paramount, em um momento de consolidação do setor e de pressão financeira sobre grandes grupos de mídia.
A briga chegou a chamar a atenção também do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que é próximo de Larry Ellison. Na semana passada, ele chegou a dizer que se “envolveria” nas decisões regulatórias sobre a venda da Warner para a Netflix, e que via o assunto “com preocupação”.