
A disputa pelo controle da Warner Bros. Discovery ganhou um novo e mais agressivo capítulo. A Paramount Skydance entrou com uma ação judicial contra a companhia nesta segunda-feira (12) para ter acesso a detalhes financeiros do acordo firmado com a Netflix. O movimento intensifica a corrida entre Paramount e Netflix pelo controle de um dos estúdios mais emblemáticos de Hollywood.
O processo foi protocolado na Corte de Chancelaria de Delaware. O objetivo é obrigar a Warner Bros Discovery a divulgar informações que a Paramount considera essenciais para que os acionistas possam avaliar, de forma informada, a proposta da Netflix – avaliada em US$ 82,7 bilhões – em comparação com a oferta concorrente apresentada pela própria Paramount.
Liderada por David Ellison, a Paramount defende uma proposta de US$ 30 por ação, integralmente em dinheiro. A oferta da Netflix, por sua vez, prevê US$ 27,75 por ação e combina dinheiro, ações e a futura cisão de ativos.
“Nossa proposta de US$ 30 por ação, totalmente em dinheiro e integralmente financiada, é superior tanto do ponto de vista financeiro quanto em termos de previsibilidade e tempo de fechamento”, afirmou a Paramount, em nota oficial.
Como parte da ofensiva, a empresa anunciou que pretende indicar um novo grupo de diretores para o conselho da Warner Bros Discovery na assembleia anual de 2026. A estratégia amplia a pressão sobre a governança da companhia em meio às negociações.
A Paramount também afirmou que irá atuar contra a aprovação do acordo com a Netflix caso a transação seja levada a voto em uma assembleia especial antes da reunião anual. Entre as medidas previstas está a proposta de uma emenda ao estatuto da Warner Bros que passaria a exigir aprovação dos acionistas para qualquer separação da divisão de TV a cabo, ponto considerado central na estrutura do acordo com a Netflix.
Questionamentos sobre transparência e valuation
O principal argumento da Paramount é que sua oferta em dinheiro oferece mais previsibilidade e menor risco em comparação com a proposta rival, que envolve múltiplas variáveis e potenciais entraves regulatórios. Segundo a empresa, a Warner Bros não apresentou informações claras sobre como avaliou a cisão da divisão Global Networks nem sobre o impacto da transferência de dívidas na operação.
“A Warner Bros Discovery não divulgou informações básicas sobre como avaliou a transação com a Netflix, nem explicou como funciona o mecanismo de redução do preço de compra relacionado à transferência de dívidas”, afirmou a Paramount. “Entramos com essa ação para que os acionistas tenham acesso às informações necessárias para tomar uma decisão de investimento informada, conforme exige a legislação de Delaware.”
Em carta enviada aos acionistas, David Ellison diz que a empresa solicitou repetidamente dados financeiros fundamentais, como a metodologia de valuation do acordo com a Netflix e os critérios usados para classificar a proposta da Paramount como mais arriscada. Diante da ausência de respostas, a companhia decidiu recorrer à Justiça.
Ativos estratégicos em jogo
A Warner Bros Discovery concentra alguns dos ativos mais valiosos da indústria de entretenimento, incluindo estúdios de cinema e televisão e uma ampla biblioteca de conteúdo. O portfólio reúne franquias como Harry Potter e personagens da DC Comics, como Batman e Superman.
O controle desses ativos é visto como estratégico tanto pela Netflix quanto pela Paramount, em um momento de consolidação do setor e de pressão financeira sobre grandes grupos de mídia.
Na semana passada, a Paramount voltou a criticar a cisão da divisão de TV a cabo, argumentando que o ativo tem valor econômico limitado. A empresa reiterou sua oferta revisada, que soma US$ 108,4 bilhões e inclui US$ 40 bilhões em ações garantidas pessoalmente por Larry Ellison, cofundador da Oracle e pai de David Ellison, além de US$ 54 bilhões em dívidas.
Próximos passos
A oferta da Paramount expira em 21 de janeiro, mas a empresa já sinalizou que pode prorrogá-la. Segundo Ellison, caso o conselho da Warner Bros não avance em negociações nos termos previstos no acordo com a Netflix, a decisão final deverá recair sobre os acionistas.
Procuradas, Netflix e Warner Bros Discovery não comentaram o assunto.