
Mais um nome conhecido da web entrou na onda dos cortes na força de trabalho para focar em esforços de inteligência artificial. A marca da vez é a plataforma social Pinterest, que divulgou um corte de 15% em seu quadro de colaboradores.
Se levarmos em consideração o número divulgado pela companhia no começo do ano passado, quando apontou cerca de 4,7 mil funcionários, a medida deve resultar na dispensa de aproximadamente 700 pessoas.
De acordo com o Pinterest, os cortes servisão para “realocar recursos” para funções e equipes focadas em IA, com o objetivo de acelerar a adoção e a execução de produtos baseados nessa tecnologia. O movimento também inclui a priorização de novas capacidades e soluções impulsionadas por inteligência artificial dentro da plataforma.
Em uma nota regulatória enviada à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), a rede social destacou que o processo deve ser concluído até o fim de setembro.
Durante a última teleconferência de resultados, o CEO Bill Ready destacou o potencial de modelos de IA de código aberto como uma forma de escalar inovação mantendo os custos sob controle. No último ano, a estratégia se mostrou nos demonstrativos financeiros da marca. No terceiro trimestre de 2025, a companhia teve uma receita de US$ 1,04 bilhão, crescimento de 17% sobre o mesmo período em 2024.
Nos últimos meses, a empresa lançou o “Pinterest Assistant”, um assistente de inteligência artificial voltado a ajudar usuários com recomendações e decisões de compra, além de iniciar testes com quadros personalizados gerados por IA. Segundo o CEO do Pinterest, a ferramenta trouxe um aumento de 44% em buscas de imagens no app.
A decisão coloca o Pinterest em linha com uma tendência já observada em praticamente toda a indústria de tecnologia: menos foco em estruturas tradicionais e mais investimento em IA como motor central de crescimento. Nomes como Google, Meta e Cisco promoveram cortes em sua força de trabalho – no caso do Google, foram previstas cerca de 30 mil demissões para investir em IA.
Segundo um estudo recente da consultoria norte-americana Challenger, Gray & Christmas, a inteligência artificial foi apontada como fator direto em quase 55 mil demissões nos Estados Unidos ao longo do ano. No total, os empregadores americanos anunciaram cerca de 1,17 milhão de desligamentos em 2025, o maior número desde 2020, quando a pandemia provocou mais de 2,2 milhões de demissões.