
A Plaid, fintech norte-americana que conecta contas bancárias a diferentes aplicações financeiras (de forma semelhante ao open banking no Brasil), estava há tempos na fila das empresas prontas para um IPO. No entanto, diante de um mercado desafiador, a fintech optou por outro caminho: levantou uma nova rodada de financiamento de US$ 575 milhões, a um valuation de US$ 6,1 bilhões.
A rodada foi liderada por um grupo de novos investidores, incluindo Franklin Templeton, Fidelity e BlackRock. Investidores já existentes, como NEA e Ribbit Capital, também participaram.
O acordo representa um downround significativo em relação à última rodada da Plaid, realizada em 2021, quando a empresa captou US$ 425 milhões com a Altimeter Capital e foi avaliada em US$ 13,4 bilhões.
De acordo com o TechCrunch, um porta-voz da fintech reconheceu a desvalorização, mas a justificou como “apenas um reflexo da contração dos múltiplos em todo o mercado”, em razão das taxas de juros mais altas, que contrastam com o período de “vacas gordas” do Venture Capital.
Por outro lado, o valuation da nova rodada já representa um aumento em relação à oferta feita pela Visa pela fintech em 2021, que foi de US$ 5,3 bilhões. No entanto, o negócio não foi adiante devido a questões regulatórias.
Os recursos da rodada serão utilizados para oferecer liquidez à equipe atual por meio de uma oferta de recompra de ações para funcionários, além de cobrir a conversão de RSUs (restricted stock units) em ações, disse o CEO e cofundador Zach Perret (foto acima) em uma postagem no blog.
Essa captação ocorre após o que o CEO descreveu como um “ano recorde em receita, um retorno às margens operacionais positivas e um aumento significativo nas empresas e mercados atendidos pela Plaid”.
Ele não forneceu números exatos, mas afirmou que a receita cresceu mais de 25% em 2024 e que a empresa está se aproximando da “lucratividade sustentada”. Em uma carta aos acionistas, Zach ecreveu que novos produtos representaram mais de 20% da receita recorrente anual (ARR) da Plaid em 2024, “crescendo a uma taxa composta de 93% ao ano”.
Apesar dos números positivos apresentados pelo CEO, a empresa destacou que ainda não está pronta para uma oferta pública de ações. No entanto, ele frisou que esta deve ser a última rodada da Plaid como empresa de capital fechado.
“Um IPO está absolutamente no nosso caminho para os próximos anos. Não atribuímos um cronograma específico para isso”, disse o CEO. “Ainda temos muito trabalho interno a fazer. Não estamos prontos, e é por isso que não consideramos essa opção no momento.”
A Plaid é mais uma entre várias empresas que estão optando por rodadas privadas de financiamento para permitir que funcionários vendam suas participações no mercado secundário. Ramp, DataBricks, OpenAI e Stripe também anunciaram captações secundárias para oferecer liquidez a alguns funcionários. A recente volatilidade das ações e o desempenho fraco dos IPOs recentes, incluindo o da CoreWeave na semana passada, esfriaram o apetite do mercado por novas aberturas de capital no setor de tecnologia.