Depois de dias de rumores, o próprio presidente Donald Trump confirmou: parece que os dias de Elon Musk como uma figura de destaque na hieraquia da nova administração nos EUA estão contados. Aliás, segundo o presidente ianque, essa saída pode acontecer “em poucos meses”.
“Existe um ponto em que Elon terá que sair. Ele deve ficar por um tempo e depois voltará ao seu trabalho principal full time”, destacou Donald Trump em coletiva na Casa Branca esta quinta (03), respondendo a rumores que tinham sido divulgado no começo da semana pelo site Politico, em que figuras na Casa Branca apontavam que Elon Musk poderia sair em breve. Detalhe: rezando a cartilha de Steve Bannon, a primeira reação foi desacreditar as informações sobre a saída de Musk, chamando as matérias de “lixo” para baixo. Dias depois, o próprio Trump confirmou a história. Bannon, aliás, já se apresentou como um grande crítico de Musk.
Segundo fontes próximas ao gabinete presidencial, Donald Trump tem estado satisfeito com o desempenho de Elon, mas outros aliados passaram a vê-lo como um risco — alguém imprevisível e difícil de controlar. No entanto, é provável que o bilionário mantenha algum tipo de papel informal como conselheiro e continue a aparecer ao lado do presidente, segundo fontes.
Desde que entrou no governo ianque, Elon Musk tem visto sua rejeição aumentar junto aos cidadãos americanos. Uma pesquisa do Yahoo News/YouGov realizada em novembro mostrava Elon Musk visto de forma mais favorável (49%) do que desfavorável (39%). Entretanto, conforme nova pesquisa do mesmo instituto, apenas 39% dos americanos agora têm uma opinião favorável sobre o empresário – 55% têm uma opinião desfavorável.
Além disso, a imagem da Tesla sofreu com isso. Em Las Vegas, nos EUA, carros da Tesla foram incendiados por manifestantes, em um episódio classificado por Musk como “terrorismo”. Um outro ataque semelhante ocorreu no mês passado em Kansas City, no estado do Missouri.
Luz vermelha
O aumento das dúvidas em torno de Elon Musk sofreram dois baques pesados nos últimos dias. De um lado, a Tesla: o empresário está sob crescente pressão para reduzir suas responsabilidades no governo após as vendas de sua empresa, a Tesla, caírem 13% no primeiro trimestre de 2025 — seu pior desempenho em quase três anos.
No lado político, Elon enfrenta pressão para encerrar o DOGE após a derrota de um candidato ao judiciário apoiado por Donald Trump em Wisconsin, na última terça-feira. O bilionário, que financiou e promoveu fortemente a campanha, está sendo responsabilizado por alguns analistas políticos e estrategistas do Partido Republicano, que apontam sua imagem pública polarizadora como um dos principais fatores que contribuíram para a derrota.
Segundo insiders ligados a grandes empresas e fundos no Vale do Silício, que preferiram não se identificar, existe uma outra história: um dos rumores por lá é de que Elon Musk não gostou de ficar de fora do Projeto Stargate, iniciativa de US$ 500 bilhões anunciada por Donald Trump, ao lado da OpenAI (do eterno desafeto de Elon, Sam Altman) e SoftBank.
Além disso, outro rumor é de que Elon Musk estaria apoiando seu amigo Jeff Bezos na oferta da Amazon para comprar o TikTok nos EUA.
Claro que tudo isso é especulação, mas não é difícil imaginar como as peças se encaixam. Ao divulgar sua intenção em comprar o TikTok, a Amazon se atravessou em um negócio em que a compradora mais provável era a Oracle, empresa de Larry Ellison, grande amigo de Donald Trump, e que também está envolvido no Stargate.