Plataforma do Spotify no celular
Plataforma do Spotify no celular | Foto: Canva

O Spotify encerrou 2025 com desempenho acima do esperado, em meio às recentes mudanças na sua liderança. A companhia apresentou nesta terça-feira (10) os resultados financeiros do quarto trimestre com crescimento na base de assinantes premium, avanço expressivo de margens e geração de caixa, mas queda na receita com publicidade.

O fundador do Spotify, Daniel Ek, deixou o cargo de CEO para assumir a função de Executive Chairman em 1º de janeiro de 2026. Com a sua saída, Gustav Söderström, então chefe de produto e tecnologia, e Alex Norström, chefe de negócios, assumiram como co-CEOs.

No quarto trimestre, a plataforma alcançou 751 milhões de usuários ativos mensais, um crescimento de 11% na comparação anual, impulsionado por um trimestre recorde de aquisição, com 38 milhões de novos usuários líquidos. Segundo a companhia, o avanço foi registrado em todas as regiões, com destaque para América Latina, Europa e mercados classificados como Rest of World.

O principal motor desse crescimento segue sendo o modelo de assinaturas. A base de assinantes premium chegou a 290 milhões, alta de 10% em um ano, com 9 milhões de adições líquidas no trimestre, superando o guidance divulgado pela própria empresa.

Em termos financeiros, o Spotify registrou receita de € 4,53 bilhões no quarto trimestre, alta de 7% em relação ao mesmo período de 2024. Em moeda constante, no entanto, o crescimento teria sido de 13%, o que evidencia o impacto negativo do câmbio sobre os números reportados em euros.

A expansão da receita foi puxada principalmente pelo negócio de assinaturas. A receita do segmento premium cresceu 8% no período, refletindo a evolução da base paga. Já a área de publicidade, que concentra os usuários da versão gratuita, voltou a ser o principal ponto de fragilidade do balanço. A receita do segmento com anúncios caiu 4% na comparação anual. A empresa afirma que, desconsiderando o efeito cambial, houve crescimento, sustentado pelo aumento no volume de impressões e pelo avanço dos formatos ligados a podcasts, mas o ambiente de preços e a volatilidade das moedas limitaram o desempenho final.

Mesmo com a pressão sobre a publicidade, o trimestre foi marcado por um avanço relevante da rentabilidade. A margem bruta atingiu 33,1%, o maior patamar já registrado pela empresa, com expansão de 0,83 ponto percentual em relação ao quarto trimestre do ano anterior.

O Spotify encerrou o trimestre com lucro operacional de € 701 milhões, o que representa uma margem operacional de 15,5% e um crescimento de 47% em relação ao mesmo período de 2024.

A geração de caixa também seguiu como um dos principais destaques do período. O free cash flow somou € 834 milhões no trimestre, levando o fluxo de caixa livre acumulado nos últimos 12 meses a € 2,9 bilhões. Ao fim de dezembro, a companhia mantinha € 9,5 bilhões em caixa e investimentos de curto prazo, reforçando a posição de liquidez.

Apesar do desempenho operacional mais forte, alguns indicadores mostram que o crescimento ainda vem acompanhado de desafios. Um deles é o ARPU (receita média por usuário) do premium, que recuou 3% na comparação anual, para € 4,70, nos números reportados. A empresa atribui o movimento principalmente aos efeitos do câmbio e à maior participação de mercados com tíquete médio mais baixo, mesmo com reajustes de preços realizados em algumas regiões.

Outro ponto de atenção está nas despesas. Embora as despesas operacionais totais tenham caído 10% na comparação anual, o Spotify ressalta que, ao excluir efeitos de câmbio e encargos sociais, houve um aumento subjacente de aproximadamente 13%, impulsionado sobretudo por maiores investimentos em marketing e pessoal.

O câmbio, aliás, segue como um fator relevante de pressão sobre os resultados. No quarto trimestre, a companhia estima que a variação das moedas reduziu o crescimento da receita em cerca de 580 pontos-base, limitando a leitura do avanço real do negócio quando observado apenas pelos números reportados.

Recorde no Spotify Wrapped

No campo de produto, o Spotify manteve o foco em iniciativas voltadas a engajamento e diferenciação da plataforma. Entre os destaques estão a maior edição já realizada do Spotify Wrapped, que reuniu mais de 300 milhões de usuários engajados, a expansão de vídeos musicais para assinantes premium, a ampliação da oferta de audiobooks em novos mercados e o lançamento do recurso de personalização com inteligência artificial, o Prompted Playlist.

A companhia também reforçou seu posicionamento junto ao ecossistema de criadores. Em 2025, o Spotify afirma ter pago mais de US$ 11 bilhões à indústria da música e ajudado artistas a gerar mais de US$ 1 bilhão em vendas de ingressos por meio de parcerias com plataformas de eventos ao vivo.

Para o início de 2026, o tom é de cautela, apesar do desempenho acima do esperado no fim do ano. A empresa projeta atingir 759 milhões de usuários ativos mensais, 293 milhões de assinantes premium e receita de € 4,5 bilhões no primeiro trimestre, com margem bruta de 32,8% e lucro operacional de € 660 milhões. Ao mesmo tempo, o Spotify já antecipa um impacto cambial ainda mais negativo do que o observado no quarto trimestre de 2025.