
O banco suíço UBS revisou sua perspectiva para a política monetária dos Estados Unidos e passou a projetar que os primeiros cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) só devem ocorrer a partir de meados de 2026. A nova estimativa representa um adiamento em relação ao cenário anterior da instituição, que previa reduções já no início do ano.
Em relatório divulgado nesta segunda-feira (05), o UBS disse esperar que o Fed inicie o ciclo de afrouxamento monetário apenas em julho de 2026, com um novo corte em outubro. Antes, a projeção apontava para movimentos em janeiro e setembro deste ano.
Segundo o banco, dados recentes indicam que a inflação subjacente segue acima do nível considerado confortável pelo Fed, enquanto o mercado de trabalho continua mostrando força. Esse conjunto de fatores reduz o espaço para uma flexibilização mais rápida da política monetária, levando o banco a ajustar seu cenário-base. O UBS também avalia que o crescimento econômico segue robusto o suficiente para permitir ao banco central dos EUA manter os juros elevados por mais tempo.
Além dos fatores domésticos, o relatório chama atenção para riscos que seguem no radar, incluindo tensões geopolíticas na América Latina. Entre elas, o UBS cita a invasão dos EUA à Venezuela, com a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro.
Para os analistas do banco, o desenrolar da situação política na Venezuela pode desencadear uma “reavaliação de certos cenários de risco extremo”, em especial para países como México e Colômbia.
De orientação progressista, os presidentes Gustavo Petro, da Colômbia, e Claudia Sheinbaum, do México, mantêm relações historicamente tensas com Donald Trump, marcadas por divergências em temas como migração, comércio, meio ambiente e política externa. Na noite de domingo (04), Trump chegou a acusar o presidente colombiano de ter relações com o narcotráfico e disse que realizar uma operação no país “parece bom”.
Ao que tudo indica, a pauta econômica será especialmente marcada pelo cenário geopolítico em 2026, como apontaram economistas ouvidos pelo Startups. Embora exista a percepção de que o ciclo de aperto monetário esteja perto do fim, cresce o entendimento de que o início dos cortes pode ser mais tardio e gradual, influenciado pela percepção de risco global com tensões que vão desde Rússia e Ucrânia, a EUA e China, e agora também na América Latina.