
Depois de uma onda de ceticismo com os rumos da inteligência artificial, um acordo do Google com a Apple parece ter animado os investidores e levado a Alphabet a alcançar a marca de US$ 4 trilhões em valor de mercado. Com isso, a empresa-mãe do Google se tornou a segunda companhia mais valiosa de Wall Street, atrás apenas da Nvidia, que hoje vale cerca de US$ 4,5 trilhões.
A disparada das ações nesta segunda-feira (12) ocorreu após a Apple anunciar que escolheu o modelo de IA Gemini, desenvolvido pelo Google, para sustentar uma ampla reformulação da Siri, assistente digital presente em todos os iPhones. Os termos financeiros do acordo não foram divulgados, mas o anúncio foi suficiente para reforçar a percepção de que a Alphabet voltou a ocupar uma posição de liderança na corrida da inteligência artificial.
A Alphabet é a quarta empresa das bolsas americanas a atingir a marca de US$ 4 trilhões em valor de mercado. Outras companhias que já conseguiram esse feito foram Nvidia, Microsoft e a própria Apple. A Nvidia chegou a valer US$ 5 trilhões em outubro do ano passado, um marco histórico em Wall Street, mas viu seus papéis despencarem após rumores de que a euforia pela IA estaria provocando uma espécie de bolha.
O anúncio da parceria entre Apple e Google foi feito de forma conjunta nesta segunda-feira. Segundo as empresas, o uso dos modelos Gemini ajudará a impulsionar futuros recursos do Apple Intelligence, incluindo uma Siri mais personalizada ainda neste ano.
“Após uma avaliação criteriosa, a Apple concluiu que a tecnologia de inteligência artificial do Google oferece a base mais robusta para os Apple Foundation Models e afirmou estar entusiasmada com as novas experiências inovadoras que isso permitirá aos usuários da Apple. O Apple Intelligence continuará operando nos dispositivos da empresa e na Private Cloud Compute, mantendo os padrões de privacidade líderes da indústria adotados pela Apple“, diz o posicionamento.
As ações classe A da Alphabet em Nasdaq chegaram a subir até 1,7%, negociadas a US$ 334,04, atingindo um recorde histórico, antes de devolver parte dos ganhos.
IA e nuvem
O otimismo dos investidores se apoia em uma sequência de lançamentos e decisões estratégicas que reduziram dúvidas sobre a capacidade da empresa de competir no campo da IA. Além das novas versões do Gemini, a Alphabet apresentou produtos como o gerador e editor de imagens Nano Banana, enquanto concorrentes, como a OpenAI, tiveram recepção mais morna com seus lançamentos recentes.
Outro pilar do crescimento é o Google Cloud, que deixou de ser uma unidade secundária para se tornar um motor relevante de resultados. A divisão registrou forte expansão de receitas, crescimento expressivo na carteira de contratos e passou a alugar a clientes externos os chips de IA desenvolvidos inicialmente para uso interno.
O desempenho da companhia tem sido tão consistente que atraiu até um investimento raro da Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, que não costuma alocar recursos no mercado de tecnologia. Em novembro de 2025, a gestora anunciou a compra de US$ 4,9 bilhões em ações da Alphabet.
Mesmo com o avanço da IA e da nuvem, porém, o principal negócio da Alphabet segue sendo a publicidade, baseada sobretudo no Google Search e no YouTube, que tem se mantido relativamente estável apesar das incertezas econômicas globais e da concorrência crescente.
O momento positivo da companhia convive também com desafios regulatórios. A empresa enfrenta dois grandes processos antitruste nos Estados Unidos. Em um deles, um juiz decidiu não desmembrar a companhia, permitindo que ela mantenha o controle do navegador Chrome e do sistema Android. No outro, a Justiça considerou que o Google monopolizou ilegalmente o mercado de publicidade online, e um julgamento em andamento pode levar à venda de partes desse negócio.