
A inteligência artificial virou um dos principais filtros dos investidores na hora de decidir onde colocar dinheiro e, com isso, até um dos grupos mais poderosos da bolsa americana passou a ser analisado no detalhe. As chamadas Magnificent Seven – o grupo de gigantes de tecnologia que inclui Apple, Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta, Tesla e Nvidia – estão deixando de ser vistas como um bloco uniforme. Em vez disso, analistas estão interessados em saber quais delas vão conseguir transformar os investimentos em IA em crescimento real e retorno para os acionistas.
O analista Tony Wang, da gestora global T. Rowe Price, chamou atenção para o fato de que as ações dessas empresas já não se comportam de forma tão correlacionada como antes, o que representa um sinal claro de que a narrativa de um grupo coeso de mega-caps pode estar se desfazendo no mercado acionário norte-americano.
Em entrevista à CNBC, ele destacou que, na prática, isso significa que decisões de compra e venda que antes poderiam ser tomadas com base na força do conjunto agora exigem um olhar muito mais fino para os resultados e perspectivas de cada companhia.
Esse movimento reflete uma mudança mais ampla na mentalidade dos investidores. Passada a novidade em torno da IA, o mercado começa a demandar resultados concretos e métricas tangíveis em vez de simplesmente apostar no potencial futurista de modelos de negócios ou no poder da marca.
A Microsoft, por exemplo, viu suas ações despencarem mais de 10% depois da divulgação dos resultados do 2º trimestre fiscal de 2026 (que cobre o 4º trimestre de 2025), mesmo tendo superado as estimativas de receita e lucro. Investidores demonstraram preocupações com o ritmo de crescimento mais lento da vertical de cloud e os elevados gastos com infraestrutura de inteligência artificial.
Com a Meta, por outro lado, investidores reagiram positivamente aos anúncios de investimentos em IA, com as ações da companhia disparando 10%. Segundo o analista, a mudança de humor está relacionada às projeções de crescimento de receita da Meta, que saíram da casa dos pouco mais de 20% para acima de 30%. “Você basicamente pode gastar o quanto quiser, porque as pessoas acreditam que você está obtendo um retorno muito alto sobre esse investimento”, observa Tony.
No ano passado, a Meta alcançou uma receita anual de US$ 201 bilhões, um crescimento de 22% em relação a 2024. O lucro líquido somou US$ 60,5 bilhões no período, número ligeiramente inferior ao do ano anterior, com queda de 3%, mas ainda assim robusto o suficiente para sustentar investimentos de alto risco, na visão da big tech.
Apesar das mudanças no mercado de big techs com a IA, o analista acredita que essas companhias ainda são as mais bem posicionadas no início do ciclo de tecnologia, por terem “escala para desenvolver IA e, depois, distribuir a IA em todas as suas plataformas”.
Segundo ele, à medida que os gargalos econômicos mudam, os investimentos mais bem-sucedidos serão aqueles em áreas que consigam “capturar mais valor ao longo do tempo”, criando um efeito de ampliação conforme o mercado amadurece.