Notion
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A ferramenta de produtividade queridinha de fundadores, times de growth e devs agora tem os pés fincados no Brasil. A Notion iniciou sua operação no país de olho em startups e empresas de grande porte. Para isso, trouxe dois executivos que vão tocar cada área.

Francisco Chang, um executivo que tem quase três década de experiência com programas de canais e alianças em empresas como SAP, Oracle, Salesforce e Zendesk, está à frente dos negócios com perfil enterprise. Já Arthur Rozenblit, ex-WeWork, que nos últimos três anos liderou o relacionamento da Zendesk com fundadores e fundos de VC, vai tocar a expansão entre startups e empresas de pequeno e médio portes.

“O Brasil atingiu um nível de maturidade no qual fundadores e times estão construindo companhias mais estruturadas e pensando globalmente. Essa nova geração de empreendedores brasileiros é mais focada em execução, claridade e escala, o que naturalmente aumenta a demanda por ferramentas para ajudar a organizar o trabalho, o conhecimento e as equipes”, diz Joshua Kim, líder de growth marketing da Notion, em entrevista ao Startups.

3 pilares de crescimento

De acordo com ele, a chegada ao Brasil terá três pilares: parcerias, comunidade e presença digital. No primeiro, a ideia é criar distribuição e valor compartilhado. Entre os acordos já anunciados está a oferta de 6 meses do Notion Business para startups por meio do Distrito. Na parte de comunidade, o plano é se aproximar de fundadores e usuários ativos para troca de conhecimento e apoio no uso. Quando o assunto é presença digital, o foco será em apresentar o produto ao mercado e mostrar casos de uso reais.

Em paralelo, a Notion também pretende marcar presença nos principais eventos do ecossistema. “Não vemos os eventos como momentos isolados, mas como parte de um esforço maior para ouvir, aprender e estar próximo do que fundadores e times estão construindo”, explica Joshua.    

De acordo com ele, o momento é de criar relevância, confiança e uma liderança local. E novas contratações e investimentos devem vir com o tempo. “Enxergamos o Brasil como uma oportunidade de longo prazo. Não como uma oportunidade de curto prazo”, reforça Joshua. No momento, a Notion não tem nenhuma vaga em aberto para o Brasil.

O executivo conta que a companhia já tentou uma incursão no Brasil a partir de sua sede em San Francisco, mas que, rapidamente, ela percebeu que precisava ter uma presença local para avançar. “O Brasil tem suas complexidades e sabemos disso. É um mercado marcado por nuances culturais, desafios operacionais e uma forma particular de fazer negócio. Por isso decidimos investir em uma liderança local que entende o mercado, fala a língua e pode traduzir a estratégia global em realidade local”, completa.  

Expansão e IPO

A expansão da presença física faz parte dos planos de crescimento pré-IPO da Notion. A expectativa é que a companhia possa ser um dos negócios que vai acabar com a seca das listagens e chegará à bolsa ainda este ano. O que se fala é que a empresa fundada em 2013 pode levantar US$ 200 milhões a um valuation de US$ 12 bilhões. Em uma postagem de meados de dezembro, Jason Lemkin, fundador do SaaStr, diz que o valuation está na casa dos US$ 11 bilhões, o que representa um múltiplo de 18x da receita anual recorrente (ARR).

É uma queda expressiva em relação às 322x de sua última captação em 2021, mas que conta uma história de construção de uma empresa saudável. “É o perfil de uma empresa pública. É o perfil da Datadog. É o perfil de uma empresa ‘que está, na verdade, precificada em fundamentos agora’”, escreveu ele. A Figma fez seu IPO em 2025 a 19x. A Klaviyo, em 2023, ficou em 12x. Canva e Databricks, que também são candidatas a uma listagem, estão precificadas em 13x e 25x, respectivamente, segundo Jason.

Hoje a Notion tem mais de 100 milhões de usuários globalmente, sendo 80% deles fora dos EUA. O número de usuários pagantes passa de quatro milhões e a receita em 2025 chegou a US$ 600 milhões, um crescimento de 50% na comparação com 2024. Até o fim do ano o número pode chegar a US$ 1 bilhão. Se isso acontecer, o valuation no IPO pode ficar entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões, de acordo com Jason.  

Inteligência artificial

Assim como todas as empresas ao redor do mundo, a Notion está apostando muito na inteligência artificial e nos agentes como uma nova rota de crescimento. Em setembro do ano passado a companhia apresentou em seu evento anual a sua entrada no mundo dos agentes. A proposta é que eles usem as páginas e bancos de dados dos usuários como contexto para gerar, automaticamente, notas e análises de reuniões, relatórios de avaliação de competidores e páginas de feedback.

Joshua Kim, da Notion, diz que o Brasil é um mercado interessante para a companhia por conta da adoção da inteligência artificial. “Com base em nossos estudos internos, os usuários brasileiros estão entre os mais engajados do mundo quando o assunto integrar a IA nossos fluxos de trabalho diários”, revelou. Segundo ele, esse fato, aliado aos esforços da companhia nessa área tornam o país promissor agora e no longo prazo.