
A regulamentação do mercado de criptoativos no Brasil e no exterior abriu espaço para a entrada de players tradicionais nesse segmento. Bancos globais, gestoras e corretoras passaram a enxergar os ativos digitais como parte legítima do sistema financeiro, acelerando a adoção institucional. No Brasil, o Mercado Bitcoin (MB) quer liderar o movimento de união entre esses dois mundos e se posicionar como a principal ponte entre o mercado financeiro tradicional e a nova economia cripto.
Na noite desta quinta-feira (15), a empresa anunciou a aquisição da Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários (CCTVM) do Banco Mercantil. A operação, já autorizada pelo Banco Central e em fase final de publicação no Diário Oficial, reforça a estratégia de expansão do MB no mercado regulado e amplia sua capacidade de oferecer produtos financeiros além dos criptoativos, como títulos, valores mobiliários e câmbio, para uma base que já ultrapassa 4 milhões de clientes.
Com a incorporação da CCTVM, o MB fortalece seu ecossistema de empresas reguladas, que já inclui instituição de pagamento, administradora de valores mobiliários e plataforma de investimento participativo com securitização. Todas operam sob supervisão de reguladores como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central, o que permite à companhia atuar de forma mais integrada e com maior profundidade no sistema financeiro.
O anúncio vem na linha das novas resoluções do BC, publicadas no ano passado, e que entram em vigor em fevereiro deste ano. Para Guilherme Pimental, diretor de Produtos Exchange do MB, a consolidação regulatória tem sido determinante para a mudança de postura das grandes instituições financeiras. Nos EUA, a aprovação da GENIUS Act também ajudou a impulsionar esse mercado.
“O grande divisor de águas foi a entrada da BlackRock, em 2024, com os ETFs de Bitcoin. A partir dali, vimos mais de uma dezena de produtos lançados e uma nova onda de adoção institucional”, afirma.
Desde então, nomes como Morgan Stanley, JPMorgan e Fidelity passaram a anunciar iniciativas ligadas a cripto, seja em custódia, negociação ou uso dos ativos como garantia. “Quando instituições historicamente confiáveis entram nesse mercado, elas trazem confiança e ampliam o acesso”, explica.
O Brasil aparece como um dos mercados mais avançados e promissores nesse segmento, segundo o executivo. O país ocupa hoje a quinta posição global em adoção de criptoativos, impulsionado por um perfil de investidor early adopter e pela existência, desde cedo, de plataformas locais robustas. “Cripto é investimento misturado com tecnologia, e o brasileiro costuma adotar rápido esse tipo de inovação”, diz Guilherme.
Apesar do avanço, porém, o executivo destaca que a adoção global ainda está no início. Segundo ele, investidores institucionais, em geral, ainda têm uma parcela muito pequena do portfólio alocada em cripto — cenário que, para Guilherme, está prestes a mudar.
“Nossa tese é que cripto já está consolidada, deixou de ser opcional. Não é mais uma questão de se deve ter ou não na carteira, mas de quanto deve ter”, defende.
Cripto-as-a-Service
O executivo destaca que o Mercado Bitcoin vem trabalhando na integração entre cripto e o mercado financeiro tradicional, inclusive por meio da oferta de serviços de Cripto-as-a-Service, que permite que bancos, corretoras, assessorias de investimento, family offices e agentes autônomos ofereçam criptoativos aos seus clientes utilizando a infraestrutura do MB. A plataforma B2B já opera há três anos, mas tem ganhado força depois da regulamentação e com o interesse crescente de instituições financeiras tradicionais, além de players de outros setores, como e-commerce.
“Queremos ser essa ponte, dando acesso desde o cliente com o menor investimento possível, até grandes investidores institucionais”, afirma Guilherme.
Hoje, mais de 100 assessores de investimento utilizam a plataforma do MB, e a empresa já atende grandes players do mercado tradicional. Em renda fixa digital, inclusive, os parceiros B2B já representam a maior parte do volume negociado.
Outro diferencial é o crédito com garantia em cripto, produto ainda pouco comum no Brasil. “Somos o único player que oferece essa solução de forma estruturada e também podemos levá-la para o modelo de Cripto-as-a-Service”, diz o executivo.
Em nota, Roberto Dagnoni, Chairman do MB, informou que a aquisição da corretora do Banco Mercantil representa “mais um passo na construção de um ecossistema completo de investimentos, reforçando a integração entre o mercado tradicional e a economia digital”.