
A New York Stock Exchange (NYSE), controlada pelo grupo Intercontinental Exchange (ICE), anunciou o desenvolvimento de uma bolsa voltada à negociação de ativos tokenizados. Na prática, a proposta é criar uma plataforma digital que permita a compra, venda e liquidação de valores mobiliários representados em blockchain, com operações financiadas por stablecoins. A plataforma ainda está sujeita às aprovações regulatórias.
Segundo o comunicado divulgado nesta segunda-feira (19), a plataforma foi desenhada para funcionar de forma contínua, 24 horas por dia, sete dias por semana, algo diferente do modelo tradicional dos mercados acionários. As transações deverão ser liquidadas de forma imediata, utilizando capital tokenizado, o que elimina etapas comuns do processo atual de compensação. O sistema também permitirá que investidores façam ordens com base em valores monetários, como dólares, e não apenas pela quantidade de ativos.
“Há mais de dois séculos, a NYSE transforma a forma como os mercados operam”, disse Lynn Martin, presidente do NYSE Group, em comunicado enviado ao mercado. “Estamos liderando o setor rumo a soluções totalmente on-chain, fundamentadas em proteções incomparáveis e em elevados padrões regulatórios, que nos permitem unir confiança a tecnologia de ponta. Aproveitar nossa expertise para reinventar a infraestrutura de mercado é como atenderemos e moldaremos as demandas de um futuro digital.”
Ativos digitais em expansão
A novidade chega em um momento em que o mercado financeiro tradicional tem se aproximado cada vez mais do universo de ativos digitais, movimento que ganhou força após a aprovação da GENIUS Act (sigla para Guiding and Establishing National Innovation for U.S. Stablecoins Act). Sancionada no ano passado pelo presidente Donald Trump, a lei criou uma regulação para as stablecoins, aumentando a transparência e segurança para os participantes desse mercado.
Desde então, instituições financeiras centenárias, como Morgan Stanley e JPMorgan, anunciaram a entrada no segmento de criptoativos. O Morgan Stanley planeja lançar dois novos produtos, chamados de exchange-traded products (ETPs), lastreados em Bitcoin e Solana. Além disso, o banco ampliou o acesso a investimentos em criptomoedas — antes restrito a clientes de alto patrimônio com maior tolerância ao risco — para todos os clientes e tipos de conta, inclusive planos de aposentadoria.
Já o JPMorgan anunciou que passará a aceitar Bitcoin e Ethereum como garantia para empréstimos. Em dezembro, a instituição também lançou o MONY fund, seu primeiro fundo de mercado monetário tokenizado na rede Ethereum, operando por meio da sua plataforma Kinexys Digital Assets.
Como vai funcionar a bolsa de ativos tokenizados
De acordo com a NYSE, a nova plataforma poderá negociar tanto valores mobiliários tokenizados equivalentes a títulos tradicionais quanto ativos emitidos diretamente em formato digital. Em ambos os casos, os detentores desses ativos manterão os mesmos direitos econômicos e de governança, como recebimento de dividendos e participação em votações corporativas.
A infraestrutura combinará o mecanismo de negociação já utilizado pela NYSE com sistemas de pós-negociação baseados em blockchain. Isso significa que a correspondência de ordens seguirá os padrões atuais da bolsa, enquanto a custódia e a liquidação ocorrerão em ambientes on-chain, com suporte a diferentes blockchains.
O acesso ao ambiente será aberto, de forma não discriminatória, a corretoras qualificadas, respeitando os princípios já estabelecidos de estrutura de mercado. O projeto faz parte de uma estratégia digital mais ampla do ICE, que também inclui a adaptação de sua infraestrutura de compensação para operar de forma ininterrupta e a possível integração de garantias tokenizadas.
Nesse contexto, o grupo informou que está trabalhando com instituições financeiras como BNY e Citi para oferecer suporte a depósitos tokenizados em suas câmaras de compensação. O objetivo é permitir transferências de recursos fora do horário bancário tradicional, atendendo demandas relacionadas a margem, fusos horários e operações globais.