Edtech

Com AI na manga, Fluency quer "brigar" com o Duolingo

Depois de M&A e investidas no B2B, edtech brasileira agora quer se tornar uma força global no ensino de idiomas

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Rhavi Carneiro, cofundador da Fluency | Foto: Startups
Rhavi Carneiro, cofundador da Fluency | Foto: Startups

Para um negócio que começou como uma página de um influenciador de idiomas em 2017, a Fluency Academy percorreu um longo caminho. Depois de se estabelecer como uma edtech baseada em um ecossistema de criadores de conteúdo, a empresa captou R$ 275 milhões com a General Atlantic, e desde então investiu pesado em tecnologia. Cada vez mais com IA “debaixo do capô”, agora a Fluency prepara planos ainda mais ambiciosos, querendo inclusive incomodar uma gigante global.

Belo Horizonte - “Temos planos gigantes com IA e eles serão anunciados em breve. Estamos entrando em um novo universo do ensino de idiomas e concorrentes que hoje parecem titãs, mas em pouco tempo poderemos brigar de igual para igual”, afirma o cofundador da Fluency, Rhavi Carneiro, em conversa exclusiva com o Startups durante o Hotmart Fire 2025, em Belo Horizonte.

Perguntado sobre quais seriam estes titãs, o executivo preferiu não dar nomes, mas não deixou de dar a sua provocada. “Tem uma da corujinha aí, não é mesmo?”, sorriu Rhavi. A referência é obvia: a meta é se tornar um negócio de alcance global e competir com o Duolingo, uma gigante com cerca de 120 milhões de estudantes, US$ 14,7 bilhões de market cap e que faturou cerca de US$ 750 milhões no ano passado.

A Fluency ainda está longe de chegar nos números da “corujinha”, mas tem evoluído a passos largos. Segundo Rhavi, a companhia triplicou de tamanho nos últimos três anos, oferecendo aulas de oito idiomas para 400 mil alunos em 100 países – a maior parte ainda na América Latina.

Por falar em números, durante o Fire, Rhavi recebeu da Hotmart o prêmio Cosmos II, como o primeiro criador a bater a marca de R$ 500 milhões em faturamento líquido dentro da plataforma.

Perguntado sobre indicadores gerais de faturamento e planos de crescimento, Rhavi preferiu não abrir valores, nem confirmou se a companhia bateu a marca estimada para o ano passado, que era de R$ 200 milhões em receita recorrente anual (ARR).

“Desde 2023, demos um impulso grande em nosso faturamento com o Fluency Talks, uma plataforma de conversação com recursos de IA. Hoje 40% do nosso faturamento vem dessas aulas. São mais de 60 mil horas de conversação todos os meses”, destaca o executivo.

Com o desenvolvimento de IA na manga, a empresa investiu em outros recursos, como o de otimização e impulsionamento de vendas para os seus mais de 400 professores – e segundo Rhavi, os resultados se mostraram acima do esperado. “São tecnologias que estão mudando o jogo completamente para nós”.

Outros jogos

Por falar em mudança de jogo, outra arena em que a Fluency quer competir é a do B2B. Apesar da maioria dos ganhos da companhia ainda vir da venda de cursos de idiomas para usuários finais, recentemente a companhia começou a levar seus produtos para clientes empresariais.

Um movimento importante nessa direção a companhia fez no ano passado, quando comprou a Awari, plataforma para o desenvolvimento de carreira para profissionais do mercado de tecnologia. Na época, a empresa divulgou que a aquisição, de valor não revelado, tinha a meta de aumentar a geração de valor de ambas as empresas, apoiando a diversificação do portfólio e as estratégias de crescimento e distribuição em todo o país.

“Foi uma nova parte de estratégia que começamos a desenhar no fim de 2023, começamos a pôr mais tempo e energia desde então, e estamos com uma tração muito boa”, destaca Rhavi, revelando que a Awari foi de grande contribuição no plano de expansão, trazendo uma base de cerca de 15 mil estudantes.

Perguntado se, para acelerar seus planos de “dominação mundial”, a Fluency tem planos de fazer novas captações no futuro, Rhavi afirmou que é uma possibilidade, apesar de não ter nada certo até o momento. Segundo ele, que não fez nenhuma captação desde a rodada com a GA, a empresa hoje gera caixa para reinvestir no negócio.

“A gente não descarta (a entrada de novos sócios). Muito além da questão financeira, também tem a parte de encontrar parceiros estratégicos que ajudam a entregar, a chegar na meta que traçamos. No nosso caso, com a gente indo ‘para o mundo’, ter os investidores certos faz toda a diferença. Já temos a General Atlantic, que é fantástica, mas temos sim planos de buscar mais”, finaliza.

*O jornalista viajou a Belo Horizonte a convite da Hotmart.