
De um jeito ou de outro, o G4 sempre encontrou formas de se manter visível no ecossistema empreendedor brasileiro. Seja por seus vídeos mostrando o ritmo de trabalho intenso (ou insalubre, conforme alguns) em seu escritório, ou pelas opiniões polêmicas de seu cofundador Tallis Gomes, tudo serviu – pelo bem ou pelo mal – para o nome G4 Educação ficar conhecido. Contudo, agora a empresa quer ir além de seu papel como edtech, e para isso vai deixar a educação de lado. Pelo menos no seu nome.
Agora apenas como G4, a empresa anunciou um reposicionamento para ir além da educação executiva. Agora o plano é se consolidar como uma plataforma completa de soluções corporativas e serviços para pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras. Uma espécie de Mercado Livre para o empreendedor, como tem se falado internamente na companhia.
Na prática, o reposicionamento reflete uma ampliação do portfólio. Além da educação executiva, que segue como um dos pilares da operação, o G4 passa a dar ainda mais peso ao G4 Tools, seu marketplace de soluções corporativas. Na semana passada o G4 anunciou a chegada do executivo Jorge Pilo para tocar essa unidade.
Hoje, a plataforma reúne mais de 100 serviços nas áreas de inteligência artificial, contabilidade e tributário, CRM, marketing e planejamento estratégico. Segundo Tallis, a meta é fechar parceria com mais de 300 empresas até o fim do ano, ampliando a oferta de soluções para PMEs em um único ambiente.
Leia um resumo desta notícia
- G4 reposiciona-se como plataforma de soluções corporativas para PMEs, expandindo seu portfólio além da educação executiva com o G4 Tools.
- Tallis Gomes justifica a mudança com críticas ao caos institucional e moral, defendendo valores como trabalho duro e ética para empresários.
- O cofundador do G4 expressa admiração pelo Brasil Império e critica o Iluminismo, buscando resgatar valores da aristocracia.
- Nova identidade visual do G4 inspira-se em elementos históricos, e a empresa busca atingir R$ 1 bilhão em receita até 2027.
Aristocracia x Oligarquia
“A partir de agora morre o G4 Educação e nasce uma nova companhia”, disse Tallis, durante evento em São Paulo hoje (4) pela manhã. O G4 Frontier reúne cerca de 1,5 mil alunos dos cursos da empresa até amanhã (5) com palestras de professores e mentores do G4 e também de executivos do mercado, como o CEO das Casas Bahia, Renato Franklin.
Em uma apresentação de quase 40 minutos, Tallis explicou os motivos do terceiro reposicionamento da companhia em seis anos de vida. “A gente entendeu que, dado o caos que a gente vive no mundo como um todo, dado o caos institucional e moral que a gente vive no Brasil, eu passei por um processo profundo de reflexão e entendi que, nós empresários, temos um papel de transformação nessa sociedade”, disse ele para uma plenária lotada.
Foi então que começou a egotrip. Mostrando que certas coisas – no caso, a sua personalidade polêmica – nunca mudam, Tallis reclamou da ilusão de crescimento e de criação de riqueza da época da pandemia, com juros baixos e emissão de dinheiro pelos Bancos Centrais que, na verdade, trouxe destruição de riqueza.
Ele também condenou o “vírus chamado Woke”, que fez com que negócios e pessoas dessem atenção exagerada a pautas de diversidade e inclusão. “E esse vírus, ele só nasce de um trabalho de centenas de anos, desde o iluminismo, que foi feito para, de fato, degradar a nossa capacidade de julgamento, e fazer com que homens e mulheres, que miram o bem, que querem só entregar valor e cuidar das suas famílias, se sintam culpados”, defendeu.
Segundo Tallis, existe uma divisão na sociedade. Com uma parte querendo ter empresas que geram caixa, entregam valor para os clientes, e outra, que quer ser parte do sistema e participar do esquema – vide casos com o Petrolão e o Banco Master. “O que o G4 sempre fez? Sempre resgatou valores. O valor do trabalho duro, o valor da ética, o valor da coragem. Sempre falamos isso com vocês”, pontuou.
E no momento em que o mundo vive uma transição que é comparável ao que aconteceu quando a luz elétrica foi inventada, Tallis disse que é preciso resgatar os valores que fizeram o Ocidente vencer, e também os que orientaram a fundação do Brasil. E onde ele acredita que é precisa se mirar? No Brasil Império, de 1822 a 1889. “Esses quase 70 anos que a gente teve de monarquia aqui no Brasil, ele construiu um Brasil que deu certo. Ele tinha uma visão de longo prazo. Ele tinha estabilidade. Ele tinha progresso”, argumentou.
Para ele, o fim da monarquia e a Proclamação da República foi uma obra das oligarquias influenciada pelos ideias iluministas. E isso só criou problemas e crises desde então. A solução, segundo Tallis, é estimular o governo dos melhores, ou o fortalecimento da aristocracia, dentro do conceito de Aristóteles, enfatizando virtude, excelência moral e capacidade de governar com visão do todo. Não pelo dinheiro e pelo poder.
“O G4 é para aristocratas. Não é para a turma que quer fazer parte do esquema do Banco Master”, cravou.
Essa “volta às raízes”, aliás, foi o que inspirou a mudança na logo do G4. A nova marca traz uma composição feita a partir de uma esfera armilar – um instrumento usado durante as grandes navegações -, e a cruz da Ordem de Cristo, uma ordem militar e religiosa portuguesa. “É um movimento que a gente quer levantar para uma transformação do BRasil. MAs transformando o Braisl naquilo que está sob o nosso controle. Transformando a nosa casa, o nosso ambiente. Transfromando a nossa companhia. Vamos lembrar. O Brasil nada mais ´pe do que a soma do todo, de todos nós”, conclamou.
O negócio por trás das polêmicas
Fundado em 2019 por Tallis Gomes, Bruno Nardon, Alfredo Soares e Tony Celestino – que deixou a sociedade em 2024 -, o G4 é hoje liderado por Maria Isabel Antonini, a Misa, CEO da companhia, que assumiu o cargo no rastro de um episódio polêmico que gerou ampla repercussão negativa e resultou na saída temporária de Tallis da empresa em 2024. Na época, ele disse em seu perfil no Instagram a frase que “Deus me livre de mulher CEO”, sugerindo que mulheres em posições de liderança passam por um “processo de masculinização”. Também em 2024, Tallis foi alvo de críticas ao dizer em um podcast que não contratava esquerdistas.
Ano passado, o G4 teve uma receita de R$ 500 milhões, com R$ 104 milhões em caixa, segundo Tallis. Para 2026, o objetivo é chegar a R$ 750 milhões. Em 2027, o objetivo é atingir a marca de R$ 1 bilhão. A companhia já atendeu mais de 70 mil empresas em seus cursos, com um ticket médio de R$ 25 mil por aluno.
