Empreendedorismo

Female Force: o que mudou em 2 anos para as empreendedoras tech?

Iniciativa está com inscrições abertas para o programa 'Jornada de Fundraising', voltado a quem deseja captar investimentos com fundos de VC

Foto: Canva
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Desde 2020, a Female Force tem se destacado no ecossistema de startups e tecnologia. Criada com o propósito de reduzir a lacuna de gênero nesses setores, a comunidade conecta mulheres empreendedoras a fundos de venture capital e especialistas do mercado, ampliando as oportunidades de crescimento e inovação em um ambiente ainda majoritariamente masculino.

A iniciativa, que surge como um catalisador para impulsionar negócios liderados por mulheres, chegou a conversar com o Startups no ano de 2023. Mas fica o questionamento: desde então, o que mudou?

De acordo com Giovanna Mattos, presidente e voluntária do Female Force, houve um aumento significativo de mulheres captando investimento com fundos de VC. “Em 2023, tínhamos um número de R$ 23 milhões captados pelas mulheres que passaram pelo Female Force. Hoje esse número está em R$ 43 milhões”, aponta.

Ainda conforme a presidente, uma característica interessante do setor de venture capital é que os ciclos são um pouco mais longos. Sendo assim, às vezes a Female Force demora um pouco mais para ver os resultados. Mas quando a iniciativa chega nesses resultados expressivos, o sentimento é de que tudo valeu a pena. “É sobre entender que o nosso impacto não só já era relevante, como cada vez mais a gente tem visto novos resultados”.

Tornando objetivos em realidade

Com esses impactos em mente, a decisão de se voluntariar na Female Force, muitas vezes, nasce de experiências pessoais. Para Giovanna, a motivação veio da inquietação de vivenciar, durante anos, a desigualdade de gênero no venture capital. Em muitas reuniões, ela era a única mulher em meio a um grupo majoritariamente masculino.

A experiência de Laura Marchiori, também voluntária na Female Force, segue a mesma linha. Com quatro anos de atuação em fundos de VC, ela destaca que a presença feminina é minoria e muitas vezes invisibilizada. “Eu estava em um painel recentemente com uma empreendedora que contou que já perdeu um investimento porque o investidor só se dirigia ao sócio homem, ignorando completamente a presença dela, que é a CEO da empresa”, exemplifica.

Ao perceber que muitas mulheres talentosas enfrentam barreiras para acessar investimentos por falta de conexões ou conhecimento sobre o processo, Giovanna viu no voluntariado uma oportunidade de mudar esse cenário.

Hoje, mesmo após migrar para o mundo das startups de tecnologia, ela enxerga que os desafios para as mulheres persistem e acredita que iniciativas como a Female Force são essenciais para abrir caminhos e garantir que mais mulheres tenham a chance de transformar suas ideias em negócios de sucesso.

Trajetória marcada por desafios

Com uma pauta tão importante em mente, a trajetória das voluntárias foi marcada por diversos obstáculos. Segundo Giovanna, desde a última conversa com o Startups, um dos principais desafios foi a adaptação ao cenário de venture capital, que passou por um momento de maior rigidez na liberação de investimentos. “Foi muito necessário entender o que estava acontecendo e como aplicar isso no programa para suportar essas empreendedoras”.

Outro obstáculo tem sido a escalabilidade da iniciativa. Com uma equipe composta exclusivamente por voluntárias, o crescimento da Female Force depende do esforço coletivo e de parcerias estratégicas com players do mercado que compartilham o mesmo propósito.

Além disso, há um desafio constante em identificar e atrair mais empreendedoras do setor de tecnologia. Embora a Female Force saiba que essas mulheres existem, a dificuldade está em alcançá-las e mostrar que a comunidade está pronta para oferecer suporte em todas as etapas da jornada empreendedora. Com o lema “uma puxa a outra”, a iniciativa busca reforçar o senso de comunidade e criar um ambiente onde mulheres possam crescer juntas, compartilhando conhecimentos e experiências para superar as barreiras do mercado.

Expectativas para 2025

Com tantas esperanças em mente e desafios a ainda serem superados, a iniciativa tem novas expectativas para 2025 — entre elas, a própria expansão do programa através de iniciativas presenciais para promover networking e rede de contatos.

“Em alguns desses encontros, vamos abrir para mercado. Então, para além das empreendedoras que estão na jornada de fundraising, queremos ter alguns eventos com conteúdos muito ricos de negócios que vão estar abertos para o ecossistema. Assim a gente consegue trazer escala para esse conhecimento tão rico que a gente tem e dar mais oportunidade para as mulheres”, aponta Giovanna.

“Suportar o fundraising é onde a gente mais consegue agregar, mas também tentar entender quais são as outras demandas que a gente, com essa rede que a gente tem hoje, poderia ajudar ainda mais as empreendedoras”, complementa Laura.

Inscrições abertas

Sendo assim, a Female Force abriu novas inscrições para o programa de aceleração ‘Jornada de Fundraising’. Realizado uma vez por ano, o programa tem duração de quatro meses e oferece uma formação completa para mulheres que desejam captar investimentos com fundos de Venture Capital. Ao longo do processo, as participantes recebem orientações que vão desde os conceitos básicos de investimentos de risco até etapas avançadas, como a negociação de um term sheet e a modelagem financeira.

O programa combina encontros coletivos com especialistas — incluindo sócias de fundos de venture capital, advogadas e empreendedoras experientes — e mentorias com investidoras voluntárias.

A expectativa para esta edição é atrair mais de 100 inscritas, das quais entre 15 e 20 serão selecionadas. O foco está em fundadoras de empresas de tecnologia que possuam participação relevante na empresa, tenham um produto validado e estejam em fase de tração com potencial de escalabilidade.

O processo seletivo ocorre em duas etapas: primeiro, as candidatas preenchem um formulário de inscrição, no qual são avaliados aspectos do negócio e a trajetória da empreendedora. Em seguida, as selecionadas participam de uma apresentação, avaliada por voluntárias investidoras. Ao final desse processo, as aprovadas seguem para a Jornada de Fundraising, onde terão acesso a uma rede de apoio.