Abacatepay
Christopher Ribeiro e Daniel Lima, fundadores da Abacatepay (Foto: Divulgação)

Fundada há cerca de um ano, a Abacatepay nasceu como um gateway de pagamentos via Pix, mas logo percebeu que o diferencial não estaria na transação em si, e sim nos dados gerados a partir dela.

“Percebemos que modelos viraram quase commodities, e que o que realmente importa são os dados”, afirma Daniel Lima, cofundador da Abacatepay. “Não à toa, as maiores empresas do mundo são aquelas que concentram mais dados da humanidade”, diz, citando big techs como Amazon, Microsoft, Nvidia, Apple e Alphabet.

A partir dessa leitura, a startup definiu uma nova missão: ir além da orquestração de pagamentos e também orquestrar dados, principalmente financeiros, tornando-se a plataforma do setor que mais trabalha e entrega dados inteligentes. “Reformulamos a plataforma como um todo e passamos a oferecer ferramentas que mudam completamente a forma como o mercado olha para dentro da própria casa”, pontua.

Entre as novidades está um “mini CFO virtual”, que permite ao usuário fazer perguntas, analisar entradas e saídas de dinheiro, acessar relatórios e exportar documentos em diferentes formatos. A ferramenta também mostra quem deixou de pagar, quem comprou uma única vez  e permite solicitar ações automatizadas, como listar usuários que deram churn e enviar cupons de desconto por email. “Basicamente, o usuário pode fazer o que quiser. Ele conversa com os dados”, resume Daniel.

A nova versão da plataforma traz ainda uma área de plugins, na qual os próprios usuários podem desenvolver e publicar recursos, criando um ecossistema que se retroalimenta. O novo posicionamento ganhou forma após os fundadores Daniel Lima e Christopher Ribeiro passarem uma temporada no Vale do Silício. 

Na visão de Daniel, a comunidade é um dos principais diferenciais da Abacatepay. Antes mesmo de empreender, os sócios já haviam criado uma comunidade de desenvolvedores de software e serviços, que hoje soma mais de 12 mil membros no Discord e 20 mil no Instagram. “Operamos num modelo de ‘construir em público’. Somos movidos pelo feedback dos usuários – alguns, inclusive, desenvolvem projetos open source para nós”, explica.

Visão de negócio

A meta da Abacatepay para o primeiro ano de operação era transacionar R$ 1 milhão, mas o resultado foi 20 vezes maior. “Foi surpreendente”, admite Daniel.

No ano passado, a fintech recebeu um aporte da Latitud, de valor não divulgado. Em 2026, a startup pretende abrir uma nova rodada para captar um seed. Segundo Daniel, o plano é começar a olhar com mais atenção para o mercado global, passando a aceitar pagamentos do exterior.

“Quando colocarmos o dólar na jogada, imagino que a empresa dê um novo salto, embora seja difícil metrificar. O principal desafio está em entender como outros países lidam com pagamentos e em firmar parcerias que facilitem a entrada nesses mercados”, pontua. O foco inicial segue sendo Brasil e América Latina, para depois avançar para os Estados Unidos e o Sudeste Asiático.

O empreendedor reforça que a empresa continua atuando como gateway de pagamentos, agora com uma estrutura mais robusta a partir da orquestração de dados financeiros. Com isso, o público-alvo também se amplia. “Antes atendíamos desenvolvedores e pequenas empresas. Agora, passamos a atender clientes maiores, com faturamento anual de até R$ 20 milhões”, conclui.