
Em um mercado disputado por players como Shopify e Hotmart, a novata PagAmerican, especializada em soluções globais de pagamentos para e-commerces, está apostando em inteligência artificial e verticalização para entregar mais eficiência e resultados às empresas, com foco inicial em produtos físicos. Recém-chegada no mercado, a startup relata ter atingido US$ 233 mil (cerca de R$ 1,2 milhão na cotação atual) de receita em seu primeiro mês na ativa.
Fundada por brasileiros e com sede nos Estados Unidos, a PagAmerican nasceu 100% bootstrapped, ou seja, sem aporte de investidores. Apesar disso, a companhia estuda a possibilidade de, no futuro, abrir uma rodada.
“A gente decidiu ser bootstrapped nesse começo para validar o Product Market Fit. Como já validamos, agora a gente vai lançar essa versão 1 para tentar tracionar mais ali o nosso volume. Estamos com meta de bater R$ 50 milhões de receita ainda esse ano”, disse o CEO Gabriel Aguiar, em entrevista ao Startups.
Segundo ele, apesar da operação ter ido ao mercado recentemente, a companhia começou a ser estruturada em março de 2025, com a abertura do CNPJ e o desenvolvimento da plataforma do zero. Após meses de construção do produto, a startup iniciou testes com clientes próximos em dezembro, utilizando uma versão inicial (MVP) da solução, período em que conseguiu validar o modelo de negócio e alcançar níveis de receita significativos.
Na prática, a PagAmerican oferece uma plataforma que permite que empreendedores brasileiros operem vendas internacionais sem a necessidade de abrir uma empresa fora do país. O processo começa com um onboarding, no qual a companhia avalia a categoria dos produtos e integra toda a cadeia necessária para a operação, da fábrica à logística.
A solução também incorpora recursos baseados em inteligência artificial, como ferramentas de remarketing para recuperação de carrinhos abandonados, um checkout inteligente que ajusta ofertas em tempo real para aumentar a conversão e um sistema avançado de analytics, que apoia os lojistas na tomada de decisão e na otimização das vendas globais.
“A fragmentação de ferramentas limita a escala do pequeno e médio lojista online, seja ele vendedor de infoprodutos ou de produtos físicos, nosso foco neste estágio inicial. Soluções verticalizadas, integradas ao pagamento e à base de clientes, geram maior eficiência operacional e viabilizam decisões mais inteligentes. Acreditamos que esse é um problema global, ainda pouco endereçado por plataformas líderes de e-commerce, e que pode ser resolvido de forma escalável por meio do uso intensivo de inteligência artificial como camada central da solução”, aponta Gabriel.
Agora, a PagAmerican se prepara para lançar a versão 1.0 do produto ainda neste mês, com previsão para o lançamento no dia 26 de janeiro. A atualização incluirá a otimização dos agentes de IA já existentes, no design e funcionalidades da plataforma.
Os primeiros clientes responsáveis pela receita inicial da PagAmerican são, majoritariamente, marcas brasileiras que já operam no mercado internacional, especialmente nos segmentos de wellness e cosméticos. A empresa, no entanto, não quis abrir quem são.
Ainda de acordo com Gabriel, a escolha desses setores não reflete necessariamente um recorte estratégico. “Esses segmentos não são nosso único foco. Começamos por aí para aproveitar o relacionamento que tínhamos inicialmente”, disse, complementando que proposta da empresa é atender pequenos e médios e-commerces que vendem globalmente, independentemente do setor de atuação.
Hoje, a companhia é composta por um time fundador com forte bagagem nos mercados financeiro, tecnológico e de e-commerce global. A empresa é liderada por Gabriel Aguiar, CEO, economista com passagem por instituições como Citi e Vinci Compass, onde atuou em operações de investment banking e M&A.
Felipe Ferreira, sócio e CRO, traz experiência em private equity, venture capital e e-commerce internacional, após atuar em casas como BR Partners e GP Investimentos. Já Elton Cipriano, também sócio e CPO, completa o trio com um background voltado a marketing, produto e desenvolvimento de marcas digitais, com foco em pequenos e médios e-commerces que operam no mercado global. O executivo já passou pela States Media e Direct Wave.