
Após passar por uma reformulação em 2025 e colocar a inteligência artificial no core da operação, a healthtech gaúcha GestãoDS começa a colher os primeiros resultados. A empresa fechou o ano com receita acima da projeção inicial e estima alcançar R$ 23,7 milhões em receita em 2026, o que representaria um novo crescimento em torno de 42%.
Esse recomeço veio em meados do ano passando, quando a companhia anunciou uma estratégia voltada à inteligência artificial e a promessa de reposicionar a empresa em um mercado cada vez mais pressionado por eficiência e automação. À época, a healthtech falava em investir cerca de R$ 5 milhões em produto nos próximos dois anos, com metade desse montante destinado a novas soluções baseadas em IA, que serão centrais para a evolução da sua plataforma ERP.
Esses investimentos já começam a mostrar resultados. A projeção de faturamento em torno de R$ 16 milhões para 2025 foi superada, com a GestãoDS tendo encerrado o ano com R$ 16,7 milhões em receita e 17 mil usuários ativos. Para este ano, o plano é continuar apostando em novos produtos baseados em IA.
Entre as novidades, a plataforma passa agora a oferecer um resumo automático do histórico do paciente, gerado por inteligência artificial a partir dos registros anteriores no prontuário. Com a funcionalidade, o médico tem acesso a queixas recorrentes, histórico de doenças, evolução clínica e condutas sugeridas
Já a segunda ferramenta está voltada ao preenchimento automático de exames: ao fazer o upload do arquivo, o sistema interpreta e organiza os resultados, estruturando os dados e seus respectivos valores de referência, buscando reduzir erros de digitação e aumentar a precisão dos registros clínicos.
Crescendo com inteligência artificial
Segundo Felipe Ravanello, sócio-fundador e diretor de Negócios da GestãoDS, o avanço da empresa em inteligência artificial segue uma tese construída para os próximos anos, projetando o crescimento do negócio até 2030 com a IA como eixo central. “Ano passado foi quando começamos a botar o pé na água na questão de IA. Trouxemos as primeiras funcionalidades olhando para o mercado, sendo elas voltadas para tentar, de alguma forma, diminuir tarefas repetitivas, ou trazer uma forma de apoio, de suporte para os usuários”, explicou o executivo, em entrevista exclusiva ao Startups.
Ele destaca que a ideia da companhia é de que os médicos possam “informatizar” seus consultórios. A transcrição automática foi a porta de entrada dessa estratégia, permitindo que médicos ganhassem familiaridade com a IA nesse primeiro contato.
De acordo com Felipe, os profissionais que utilizaram a ferramenta passaram a registrar um crescimento de quase 1.000% no volume de informações nos prontuários. “Se fala muito em diminuir tempo de atendimento, né? A gente não viu grandes diferenças no tempo do atendimento, mas sim na qualidade desse atendimento do médico. Ele gera muito mais dados, tem muito mais informação. Aí a gente foi criando, ao longo do ano, mais algumas funcionalidades complementares para, de fato, começar a ajudar esse médico que está tendo mais dados”, relembra.
O executivo acrescenta que a adoção dessas novas ferramentas impulsionou a expansão da base ao longo de 2025, tanto com a entrada de novos clientes quanto com upgrades de planos e contratação de add-ons, contribuindo diretamente para o crescimento da receita no período.
Ao Startups, Felipe também chegou a anunciar que a evolução da GestãoDS passa ainda por uma mudança de posicionamento: de um SaaS tradicional para o conceito de Service as Software. “Agora, com a inteligência artificial, a gente consegue aprofundar e pegar algumas tarefas que antes de repente poderiam ser exclusivamente tocadas por uma pessoa a mais na clínica, no consultório, e a ideia é que a gente consiga é entregar essa tarefa de ponta a ponta, sem precisar escalar muita equipe”.