
Depois de anos marcados pela explosão das fintechs — que ajudaram a estruturar, dar visibilidade e impulsionar o ecossistema de startups no Brasil —, tudo indica que agora é a vez das healthtechs ganharem protagonismo. Startups de Saúde e Bem-estar assumiram a segunda posição no ranking de verticais mais representativas do Brasil, com 9,4% do total de empresas mapeadas. Com isso, o setor ultrapassou as fintechs, que ocupavam esse posto até o ano passado.
Os dados são do Mapeamento do Ecossistema Brasileiro de Startups de 2025, divulgado pela Abstartups. O avanço das healthtechs reflete o potencial do setor de saúde no Brasil, marcado por um mercado amplo e por inúmeras dores ainda não resolvidas — um terreno fértil para soluções inovadoras capazes de gerar impacto real.
Em primeiro lugar no ranking estão as edtechs (10,1%). O Top 3 é composto ainda pelas empresas na categoria Tech (desenvolvimento de software), com 8,8% de participação. As fintechs aparecem em quarto lugar, com 8,7%.
Com relação a modelos de negócio, o Software-as-a-Service (SaaS) ainda segue predominante, estando presente em 39,2% das operações. Em seguida, vem a venda direta (15%) e clube de assinatura recorrente (12,3%).
Outra transformação importante apontada pelo mapeamento é o movimento de descentralização geográfica. Embora o Sudeste ainda concentre a maior parte das startups do país, com 60,2%, cresce a participação de outras regiões. O Nordeste registrou um aumento de aproximadamente 11% no número de startups mapeadas, passando a representar 10,5% do total nacional. Já o Norte ampliou sua presença de 4,6% para 5,4%, indicando um fortalecimento gradual de ecossistemas fora do eixo tradicional.
O fortalecimento dos ecossistemas regionais também se reflete no acesso à capital. Segundo o mapeamento, 34,8% das startups receberam investimento, sendo que 68,5% dos aportes vieram de redes locais, da própria cidade ou estado das startups. Investidores anjo lideram como principal fonte (36,8%), seguidos por programas de aceleração (14,1%), reforçando o papel das estruturas regionais no fomento à inovação.
Desigualdades permanecem
Apesar desses avanços, o estudo também escancara desafios persistentes. O ecossistema de startups no Brasil continua desigual e concentrado. A maior parte das empresas segue localizada em São Paulo, que sozinho reúne 45% das startups mapeadas, reforçando a centralização geográfica da inovação.
Além disso, o perfil das pessoas fundadoras ainda é majoritariamente homogêneo: 78,4% se identificam como homens cisgênero e 69,8% como pessoas brancas. A participação de mulheres entre as pessoas fundadoras, embora tenha apresentado um leve avanço, chega a apenas 19,9%, enquanto pessoas pretas e pardas representam 24,3%.
Foco no B2B
De acordo com o mapeamento, 53,7% das startups têm como público-alvo o modelo B2B, enquanto outras 28,5% atuam em B2B2C, atendendo empresas e consumidor final. Na prática, isso significa que mais de 80% das startups desenvolvem produtos e serviços pensados prioritariamente para organizações, reforçando a lógica de eficiência, ganho de escala e integração com processos corporativos.
Quando o assunto é capital, o levantamento mostra um ecossistema que avança, mas ainda enfrenta limitações. Apenas 34,8% das startups mapeadas já receberam algum tipo de investimento ao longo de sua trajetória, com um valor médio de R$ 1 milhão. Entre aquelas que conseguiram captar recursos, 26,5% receberam aportes acima de R$ 1 milhão, o que indica que uma parcela relativamente pequena consegue acessar rodadas mais robustas. O investidor-anjo aparece como a principal fonte de capital, presente em 36,8% das startups que receberam investimento, seguido por programas de aceleração e recursos de family, friends and fools (FFF).