Chips da Positron | Foto: divulgação
Chips da Positron | Foto: divulgação

A Positron ainda é uma novata no mercado, mas é corajosa: ela resolveu entrar em um território onde quase ninguém ousa – desafiar, de frente, a Nvidia. Para isso, a startup fabricante de semicondutores acaba de levantar uma Série B de US$ 230 milhões.

Conforme reporta o TechCrunch, o capital novo será usado para acelerar a produção e a adoção de seus chips de memória de alta velocidade, aproveitando o momento em que hyperscalers e grandes empresas de tecnologia buscam, cada vez mais abertamente, alternativas ao domínio quase absoluto da empresa de Jensen Huang.

A rodada foi liderada pelo Qatar Investment Authority (QIA), o fundo soberano do Catar, que vem se posicionando como um dos grandes financiadores globais de infraestrutura de IA. O país tem tratado capacidade computacional como ativo estratégico e quer se consolidar como um hub de serviços de IA no Oriente Médio.

Sediada em Reno, no estado de Nevada, e com apenas dois anos de existência, a Positron já chega a mais US$ 300 milhões captados. Antes da Série B, a empresa havia levantado US$ 75 milhões com investidores como Valor Equity Partners, Atreides Management, DFJ Growth, Flume Ventures e Resilience Reserve.

Contudo, a estratégia da Positron para ameaçar a Nvidia é mais específica. Seu primeiro chip, o Atlas, é focado em inferência, ou seja, na execução de modelos de IA em aplicações do mundo real. Segundo a empresa, o Atlas consegue igualar o desempenho das GPUs H100 da Nvidia consumindo menos de um terço da energia.

É nesse contexto que o CEO da Positron, Mitesh Agrawal, sustenta sua tese: ao otimizar hardware para um caso de uso muito específico, a empresa pode construir uma posição defensável contra o “império das GPUs genéricas” da Nvidia.

Além da eficiência energética, fontes indicam que os chips da Positron também apresentam bom desempenho em workloads de alta frequência e processamento de vídeo, dois segmentos intensivos em inferência.

Mas a Nvidia não é o único obstáculo no caminho. A disputa pelo mercado de inferência está ficando rapidamente povoada. Um dos concorrentes mais barulhentos é a Groq, startup fundada por Jonathan Ross, ex-engenheiro do Google e um dos arquitetos das TPUs da empresa. A Groq levantou recentemente US$ 640 milhões, atingindo um valuation de US$ 2,8 bilhões, e posiciona sua LPU como a escolha natural para workloads de inferência em larga escala.

Do lado da Positron, os primeiros sinais de tração começam a aparecer. A empresa já tem seus chips sendo testados por um grupo seleto de clientes, entre eles a Cloudflare. Segundo o Wall Street Journal, os testes foram bem-sucedidos a ponto de a companhia integrar parte do hardware da Positron em seus data centers para avaliações mais profundas. Não é um contrato massivo ainda, mas é o tipo de validação que startups de hardware precisam para provar que não estão apenas no PowerPoint.

No fim das contas, a Positron não está dizendo que vai destronar a Nvidia amanhã. A mensagem é outra: há espaço para chips especializados, mais eficientes e mais baratos em um mercado que começa a perceber que depender de um único fornecedor pode ser um risco grande demais.