Mariana Pastorelli, Edmee Moreira e Danrley Morais, fundadores do Runflow | Foto: divulgação
Mariana Pastorelli, Edmee Moreira e Danrley Morais, fundadores do Runflow | Foto: divulgação

A Runflow nasceu de dentro do próprio problema que se propôs a resolver — e isso ajuda a explicar por que a empresa acelerou tão rápido desde que saiu do papel. Criada no início de 2025 como uma spin-off da edtech IFTL, a startup aposta em uma tese clara: levar agentes de IA ao core dos processos de seus clientes.

Com cerca de um ano de operação, a Runflow fechou 2025 com uma receita mensal recorrente (MRR) na casa de R$ 300 mil, o equivalente a uma receita anual recorrente (ARR) de R$ 3,6 milhões. O avanço da inteligência artificial, no entanto, permite à empresa traçar metas mais ambiciosas. Segundo o cofundador e CEO Edmee Moreira, a expectativa é alcançar R$ 1 milhão de MRR — ou R$ 12 milhões de ARR — até o fim de 2026.

Fundada por Edmee ao lado dos sócios Danrley Morais e Mariana Pastorelli, a Runflow marca o retorno dos executivos ao mundo do software. Antes de se aventurar no segmento educacional com a IFTL, Edmee e Danrley participaram da criação da LinkAPI, plataforma de integração e gestão de APIs, adquirida pela Semantix por cerca de R$ 100 milhões em 2021.

“O Runflow já é maior do que o IFTL”, dispara o cofundador e CEO Edmee Moreira, ao comparar a startup com a edtech que ajudou a fundar em 2023, voltada à formação de líderes em tecnologia e IA. Foi justamente no IFTL que a solução de agentes da Runflow começou a tomar forma, inicialmente como uma maneira de automatizar processos de vendas e fluxos comerciais internos.

De acordo com o executivo, depois de validada internamente, a Runflow nasceu oficialmente em janeiro de 2025 com uma proposta bem definida: ser um sistema operacional, uma espécie de ERP para agentes de IA em ambientes corporativos, capaz de assumir tarefas complexas como atendimento, vendas, análise de documentos, procurement e triagem de informações.

Diferentemente de soluções low-code voltadas a automações simples, o plano da plataforma é se posicionar como uma camada mais robusta, com recursos de observação, controle de logs, memória e governança. “Quando você coloca IA no core business da empresa, precisa de algo mais high-code, com controle e segurança”, explica o executivo.

Foco na Runflow

Para sustentar o crescimento da Runflow, o IFTL passará por uma mudança estratégica. Segundo Edmee, a partir de 2026 a edtech se tornará um negócio secundário para os fundadores, com a chegada de um CEO dedicado para tocar a operação. Ainda assim, ele afirma que o IFTL seguirá como um ativo estratégico, funcionando como canal de relacionamento com CTOs e C-levels e alimentando oportunidades comerciais para a Runflow.

A estratégia de crescimento combina vendas diretas, abordagem ABM e um ecossistema robusto de parceiros. Empresas de serviço que antes competiam com a Runflow passam a usar a plataforma como base para seus projetos, tornando-se canais de distribuição.

Um exemplo de parceria estratégica é a edtech Delta Academy, fundada recentemente pelo ex-Gama Academy Gui Junqueira. Especializada em capacitação em IA, a empresa gera demanda a partir do treinamento de executivos. “Eles fazem o letramento, e a gente entra para transformar isso em automação real dentro da empresa”, diz Edmee.

Segundo o CEO, o plano é emplacar a solução da Runflow em negócios de nível enterprise, com mais de 200 funcionários e faturamento acima de R$ 50 milhões. Entre os clientes já atendidos estão a PX Ativos Judiciais, investida da Galapagos Capital, o Grupo Cornélio Brennand, em Recife, e o Grupo Osten, do setor automotivo. Ao todo, são 16 clientes ativos e mais de 70 agentes em produção, desenvolvidos por um time enxuto de 14 pessoas.

Em um dos casos citados por Edmee, um cliente do setor jurídico dobrou sua taxa de conversão após implantar agentes que identificam perfis de usuários, classificam personas e direcionam cada interação para fluxos específicos. “Não basta construir o agente. O desafio está em implantar, monitorar e garantir que ele está funcionando do jeito certo”, afirma.