Humans& | Foto: Reprodução
Humans& | Foto: Reprodução

A Humans& estreou no mercado com uma tese pouco comum no atual ciclo da inteligência artificial. Em vez de partir da pergunta “o que a IA pode automatizar?”, a startup começa por outra: como a tecnologia pode reforçar relações humanas dentro de organizações e comunidades. Apesar de parecer contraditória, a visão foi suficiente para sustentar uma mega rodada seed de US$ 480 milhões, liderada pela SV Angel, de Ron Conway, e pelo cofundador Georges Harik (sétimo funcionário do Google).

O aporte contou ainda com participação da Nvidia, Jeff Bezos (fundador da Amazon) e do braço de venture capital da Alphabet, a Google Ventures, entre outros investidores.  

Fundada há apenas três meses, a Humans& se propõe a repensar a forma como se treinam os modelos de IA e como as pessoas interagem com a tecnologia. Com o aporte, a startup atingiu um valuation estimado em US$ 4,48 bilhões — o equivalente a mais de quatro unicórnios.

Em uma espécie de manifesto publicado em seu site, a empresa se define como um human-centric frontier AI lab — um laboratório de IA de fronteira pensado para funcionar como uma camada de conexão entre pessoas, e não apenas como um sistema de respostas ou geração de conteúdo.

O time fundador reúne pesquisadores e desenvolvedores que participaram diretamente do desenvolvimento da IA moderna, com passagens por organizações como Anthropic, xAI, Google DeepMind, OpenAI, Meta, AI2 e Reflection, além de instituições acadêmicas como Stanford e MIT. São profissionais que trabalharam em áreas críticas como raciocínio, treinamento comportamental, agentes autônomos e alinhamento, temas que hoje estão no centro do debate sobre os limites e riscos da IA.

Entre os fundadores estão Alexis Ross, Andi Peng, Ani Nrusimha, Charlie George, Diyi Yang, Eric Zelikman, Georges Harik, Jeremy Berman, Niloofar Mireshghallah, Noah D. Goodman, Ray Ramadorai, Rob Li, Saurabh Shah, Taylor Sorensen, Varuna Jayasiri, Weisi Duan, Yuchen He e Ziang Li.

Apesar do volume levantado, a Humans& ainda não detalhou quais serão seus primeiros produtos. O que se sabe é que a empresa não pretende competir diretamente com chatbots generalistas, como o ChatGPT, ou modelos focados apenas em escala. A aposta está em aplicações que cruzem IA de alto nível com uso prático em ambientes colaborativos, como empresas, times distribuídos e comunidades.