
O ano começou devagar para os investimentos em startups no Brasil e na América Latina, segundo dados divulgados nesta terça-feira (10) pelo Sling Hub. Em janeiro, foram registradas 18 rodadas no Brasil, uma queda de 53% em relação ao mesmo mês de 2025. Na América Latina, foram 35 rodadas, 49% a menos que em janeiro do ano anterior.
Também houve queda no volume investido nessas regiões. A América Latina registrou US$ 311 milhões em investimentos no primeiro mês de 2026, retração de 75% em relação a dezembro e de 12% na comparação anual.
O Brasil manteve protagonismo regional ao movimentar US$ 128 milhões em janeiro, o equivalente a 41% de todo o capital investido na América Latina no mês. No entanto, o volume investido ficou 77% abaixo do registrado em dezembro e teve queda de 16% em relação a janeiro do ano anterior. O país também concentrou 51% das rodadas realizadas na região, com tíquete mediano de US$ 4,3 milhões.
A inteligência artificial segue como principal foco de interesse dos investidores, especialmente em um cenário de baixa liquidez. Em janeiro, startups ligadas ao tema movimentaram US$ 121 milhões em 20 rodadas, o que representou 39% de todo o volume investido na América Latina e 57% das operações realizadas no mês.
Teses mais tradicionais também se destacaram em um ambiente mais restritivo. As fintechs concentraram 62% de todo o volume investido na América Latina, com destaque para o Brasil, que respondeu por US$ 84 milhões dentro da vertical.
A maior rodada de janeiro ficou por conta da fintech argentina Pomelo, que levantou uma série C de US$ 55 milhões. O aporte foi co-liderado por Kaszek e Insight Partners, que já haviam investido na startup, com participação de Index Ventures, Adams Street Partners, S32, Endeavor Catalyst, monashees e TQ Ventures.
O levantamento aponta ainda para movimentos pontuais de forte expansão em nichos específicos, como logtech, que cresceu 1.504% em volume na comparação anual, e edtech, que registrou um salto de 4.020% nos investimentos em rodadas de equity na região.
Do ponto de vista do tipo de operação, 72% dos recursos investidos em janeiro foram destinados a rodadas de equity, enquanto 28% vieram de estruturas via Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), evidenciando a maior presença de instrumentos alternativos em um mercado mais seletivo.
É o caso da fintech brasileira UY3, que levantou um FIDC de US$ 37,2 milhões, na segunda maior captação de janeiro entre as startups da América Latina.
Considerando apenas as rodadas de equity, o Brasil levantou US$ 42,3 milhões em 15 operações, com mediana de US$ 2,4 milhões, e registrou queda de 47% no número de rodadas na comparação anual.